11º Novas Frequências inaugura galeria virtual com 20 obras na quarta-feira


Festival de música expandida e arte sonora carioca – considerado o mais relevante da América do Sul – adota formato híbrido ao realizar exposição digital com 20 obras em galeria imersiva, ao mesmo tempo em que se estende pela cidade do Rio em atividades presenciais

O festival internacional de arte sonora, música experimental e de vanguarda Novas Frequências abre uma exposição virtual com 20 obras, com inauguração em 1º de dezembro, e ocupa diferentes pontos do Rio de Janeiro com atividades presenciais, de 29 de novembro a 5 de dezembro. Esses são os dois últimos desdobramentos de sua 11ª edição, que teve um ano intenso: lançou em março o livro Estudando o som (Numa Editora) e o média-metragem À Margem; fez a curadoria, entre setembro e novembro, das apresentações de música experimental da 34ª Bienal de São Paulo; realizou um inédito projeto de formação em outubro – com encontros livres e residências artísticas –, e inaugurou, no início de novembro, uma instalação sonora do MIHNA no Oi Futuro, que fica em cartaz até 16 de janeiro de 2022. O festival tem patrocínio da Oi, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com apoio cultural do Oi Futuro.

Continuando os experimentos promovidos digitalmente em 2020, quando comemorou seus 10 anos de atividade em meio a cruzamentos entre a música e outras linguagens artísticas, o NF inaugura no dia 1º de dezembro uma galeria virtual com 20 obras inspiradas no tema do festival este ano: “Pra onde agora”?

Com direção de arte e programação 3D imersiva realizada por Felipe Nunes, a exposição conta com trabalhos de Aun Helden & QEEI; APT.LAB; biarritzzz & Glor1a; Chama (Ana Lira convida Aishá Lourenço e Elton Panamby); Coletivo Turmalina; Deafbrick, Duma, Simon Grab, Genesys; Felipe Vaz; Inés Terra; Marabu, Levi Keniata, Beré Magalhães; Marcioz; Marcus Maeder; Novíssimo Edgar; Nicole L'Huillier; Pedro Oliveira; Rafael Meliga; Romy Pocztaruk & Caio Amon; Sara Não Tem Nome; Sol Rezza & Analucía Roeder; e Wellington Gadelha. A mostra pode ser acessada, a partir de 1/12,pelo site do festival, www.novasfrequencias.com.

Segundo Chico Dub, “Pra onde agora?”, a pergunta título do #NF2021 que funciona como gatilho norteador da programação, “é uma das questões mais emblemáticas do tempo presente. A sensação que dá é que a humanidade se encontra totalmente perdida em uma espécie de beco sem saída, labirinto ou encruzilhada. Estamos vivendo, dentre muitas outras coisas, retrocessos político-sociais, uma devastação que parece não ter fim do meio ambiente, crises de pânico e ansiedade se tornando cada vez mais corriqueiras, relações de trabalho cada vez mais nocivas e até mesmo a volta da fome no Brasil.”

A pergunta também possui um caráter reflexivo sobre o próprio futuro do festival. Chico Dub afirma que “Os 10 anos completados no ano passado se constituem como um marco e tanto. Lançamos livro, filme, fizemos uma parceria com a Fundação Bienal e o Teatro Cultura Artística que desembocou em uma série de performances na 34ª Bienal de São Paulo, dentre outros. Para um festival que busca se transformar a cada ano, precisamos encontrar outros caminhos para continuarmos relevantes, nos desafiando a todo o momento. Quando lançamos essa pergunta-provocação aos artistas da programação, é como se estivéssemos pedindo ajuda para que eles nos guiem em direção a futuros possíveis”.

Futuros esses que, como vem tentando nos ensinar Ailton Krenak, precisam urgentemente ser adiados. Ou reconstruímos nossa forma de habitar o mundo e nos relacionar com a natureza, ou seremos liquidados. É a partir da compreensão desse recado e reconhecendo a potência natural que forma o território brasileiro que o Festival Novas Frequências apresenta a sua primeira instalação a ocupar uma galeria no Centro Cultural Oi Futuro. Trata-se do Museu de História Natural da Amazônia, MIHNA, que desloca o regime da visualidade do cubo branco para os ouvidos com inúmeras gravações de sons e histórias da região que abriga o bioma. Mote, também, da obra de Marcus Maeder, Vozes da Floresta, que capta fragmentos sonoros da Amazônia Central, aos quais se somam depoimentos, manifestos, música e discursos em sua apresentação via transmissão por uma rádio web, o que acaba por formar uma polifonia complexa. Se é da terra que vem nossa existência e subsistência, é da terra que a chilena Nicolle L’Huiller propõe colher novas sonoridades em sua obra Semilla Natural ao desenvolver sementes que são uma pequena cápsula contendo um alto-falante e um mp3 player, que deve ser enterrado no solo em um ritual. A semente de L’Huiller é um amuleto, peça simbólica, que busca criar conexões entre os corpos e a terra, ativando a sensibilidade como forma de resistência. Já AFÃ é o trabalho que nasce a partir da expansão do projeto YADÚ, de Iggor Cavaleira e Nelson D, ao estabelecerem parceria com Vitória Cribb. AFÃ afirma que é preciso enxergar o que ouvimos e, se constituindo numa realidade virtual, propõe uma pausa na busca ansiosa de prever o futuro através de um mergulho imersivo dentro de si. A proposta do YÃDÚ é a conexão com a ancestralidade através da música e da relação com a identidade. O coletivo OPAVIVARÁ! convida o público a tocar uma espécie de árvore percussiva que possui panelas no lugar de galhos – daí o nome da obra, FLORA TREME -, unindo a representação da forma da natureza e sua integração à cultura.

No lado oposto da criação que se pauta no território inexplorado, exaltando a descoberta e a preservação, convocamos artistas que buscam, em seus processos, elaborar uma denúncia a respeito dos excessos que têm destruído nosso meio ambiente e que nos trouxe a esse momento de crise política e social do capitalismo tardio. Plástico, petróleo, emissão de gás carbônico, desmatamento. As discordâncias no moviment