21º Cena Contemporânea realiza edição inteiramente online e gratuita


Trabalhos da França, Espanha, Estados Unidos, Moçambique, Inglaterra, Alemanha e México dividem a programação com obras de diferentes estados brasileiros e de artistas e grupos do DF

No ano em que comemora 25 anos – e um total de 21 edições – o Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília se reinventa e realiza uma edição virtual que homenageia a sua própria história e, ao mesmo tempo, olha para o futuro jogando luz nas perspectivas das artes cênicas. O módulo online do Cena será realizado entre 1º e 11 de dezembro de 2020 e marca a primeira parte da 21ª edição – o segundo módulo está marcado para acontecer entre 25 de maio e 06 de junho de 2021, com uma programação que irá mesclar propostas possíveis de serem realizadas ao vivo, como quem ama o teatro e a dança merece e aguarda, e outras criadas para o ambiente virtual, priorizando propostas locais e ibero-americanas.

A proposta agora é explorar novos formatos e abordagens, em resposta ao desafio imposto pelo distanciamento social. Neste primeiro módulo, a programação será exibida gratuitamente, em horários diversos, no site do festival – www.cenacontemporanea.com.br – integrado ao canal Youtube do Cena Contemporânea. Cada espetáculo poderá ser visto por mais três dias depois de sua estreia, em qualquer horário, no canal Youtube do festival – com raras exceções que serão indicadas no site. Basta clicar no link e assistir.

A realização é da Cena Promoções Culturais, com patrocínio do Banco do Brasil e do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal. Apoio da Funarte e Iberescena, Embaixada da França, Embaixada da Espanha, com a colaboração da Embaixada da Argentina, Goethe-Institut, entidades da sociedade civil e dos próprios artistas. Curadoria de Carmem Moretzsohn e Mariana Soares.

O FESTIVAL

Para 2020, o Cena Contemporânea preparou uma edição que aposta em propostas inovadoras. Para este primeiro módulo, foram selecionados trabalhos de diversas linguagens e diferentes formatos produzidos na França, Espanha, Inglaterra, México, Estados Unidos, Moçambique e Alemanha, além de projetos de diferentes estados brasileiros e propostas de artistas e grupos do Distrito Federal. São obras híbridas, que transitam entre a videoarte, intervenções virtuais por aplicativos, teatro virtual, enfim, obras transmídia. Algumas foram especialmente concebidas para o ambiente digital. Outras apresentam registros de espetáculos que encantaram o público em teatros mundo afora. Na programação estão trabalhos como “The Silent Burn Project”, da Akra Khan Company, da Inglaterra, numa versão exclusivamente feita para o Cena 2020. Esta que é uma das mais importantes companhias de dança da Europa criou um trabalho especial para celebrar seus 20 anos.

E há ainda espetáculos como “Hybridity” (Hibridismo), da companhia alemã Cocoondance, “Clã_Destin@: uma viagem cênico-cibernética”, da companhia Clowns de Shakespeare, de Natal/RN ou “Juntoseseparados 5”, da brasiliense Anti Status Quo Companhia de Dança, que serão apresentados em tempo real, via streaming. Além das exibições, o festival ainda contará com atividades pedagógicas e encontros online.

Neste ano, o Cena Contemporânea visita sua memória, convidando cúmplices de sua trajetória para revisitá-la criativamente, oferecendo ao público um mosaico de recordações afetivas e criativas, que atravessa as obras selecionadas. Registros de espetáculos e depoimentos de artistas que estiveram no festival nos diversos anos anteriores serão exibidos em vídeos curtos antes da programação diária.

Dentre os parceiros do Cena, o grupo Lagartijas Tiradas al Sol, do México, que já participou de duas edições anteriores do festival, preparou especialmente para essa edição online o espetáculo “Cada vez que alguém diz isso não é teatro, se apaga uma estrela”, com uma profunda reflexão sobre a pandemia vista pelo teatro e do teatro repensado pela pandemia. Já o grupo espanhol Agrupación Señor Serrano, outro que já passou duas vezes pelo Cena, traz o belo e pungente “Birdie”, que se inspira no clássico filme “Os Pássaros”, de Hitchcock para refletir sobre a situação dos imigrantes na Europa.

Um dos destaques promete ser “Cage Shuffle : a digital duet” (Cage Aleatório: um dueto digital), obra recentíssima dos norte-americanos Paul Lazar e Bebe Miller, dois ícones da dança contemporânea dos Estados Unidos. Os dois apresentam performance criada para a plataforma digital a partir de uma partitura de John Cage que propõe a encenação de pequenas histórias de um minuto cada. Coreografia de Annie-B Parson, diretora da Big Dance Theater. Ainda do universo da dança, a programação apresenta atrações como “Anarchy – L’Harmonie du désordre” (Anarquia – A Harmonia da Desordem), um forte trabalho inspirado no hip hop da companhia francesa Chute Libre, e “Parasite” (Parasita), da também francesa Sandrine Lescourant, à frente da Cie Kilaï, que reflete sobre a diversidade e o outro. Além do moçambicano Idio Chichava, que traz “Último Berro – Corpo em Estado de Emergência” e “Começa a Ficar Tarde”, dois trabalhos que querem falar da urgência do corpo do intérprete num país que está sendo assolado pela violência de extremistas ou daquela que é fruto da pobreza.