22º Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília, acontecerá de 01 a 10/07


Maior festival internacional de artes cênicas da região central do Brasil realiza nova edição on-line

Obras inéditas de alguns dos mais inventivos encenadores da América Latina, da Europa e do Brasil estarão reunidas na tela do CENA CONTEMPORÂNEA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE BRASÍLIA, que acontece de 1º a 10 de julho, em formato totalmente virtual e gratuito. Um dos mais importantes festivais de artes cênicas do Brasil, o Cena chega à 22ª edição, em 26 anos de história, com uma programação que quer refletir sobre identidade, respeito, democracia, memória, preconceito, afeto, revolução, sem perder o sentido do momento que o planeta está vivendo. Logo na noite de abertura, será possível conhecer trabalhos do premiado dançarino, coreógrafo e designer francês Smaïl Kanouté, discorrendo, por exemplo, sobre a morte prematura de jovens negros nas cidades de Nova York, Rio de Janeiro e Johanesburgo em “Never 21”, que ecoa a hashtag #Never21 do movimento Black Lives Matter.

Ao longo de dez dias, serão exibidos, em formato on-line, trabalhos da França, Portugal, Chile, Peru, Uruguai e Brasil. São obras como “Ana contra la muerte”, novo trabalho do premiado dramaturgo e encenador uruguaio Gabriel Calderón, que conta com três grandes atrizes do teatro do país. Também “Hamlet”, produção peruana que apresenta uma livre adaptação da clássica tragédia de Shakespeare com elenco inteiramente formado por atores e atrizes com Síndrome de Down. E “Reconciliação”, coprodução Brasil-Portugal que vem sendo trabalhada desde 2018, para falar de reconciliação como tentativa de aceitação de limites, de respeito às diferenças. Um total de 13 trabalhos, que oferecem um panorama dos principais temas espelhados pela arte contemporânea.

A programação será exibida gratuitamente, com estreias no site do festival – www.cenacontemporanea.com.br, integrado ao canal YouTube do Cena Contemporânea. Basta clicar no link e assistir. Cada espetáculo poderá ser visto por mais três dias depois de sua estreia no canal do festival.

O 22º CENA CONTEMPORÂNEA tem direção e curadoria de Guilherme Reis e conta com o patrocínio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF e da Funarte e Iberescena. Apoio do Camões - Centro Cultural Português em Brasília e da Embaixada da França no Brasil.

O FESTIVAL

Identidade, memória, inclusão, futuro. Estes são temas que perpassam os trabalhos que integram a edição 2021 do CENA CONTEMPORÂNEA. Identidade com o sentido de alteridade é marca do trabalho do francês de origem malinesa Smaïl Kanouté, reconhecido como um dos mais inventivos e múltiplos artistas de sua geração. Dele, o festival apresenta cinco trabalhos: “Never 21”, “Yasuke Kurosan, le samouraï noir au Japon”, “Jidust – pousière d’eau”, “Univers” e uma prévia do espetáculo “Never Twenty One”, que Kanouté está apresentando presencialmente neste momento na França.

A memória que evoca biografias - como reconstrução e reconhecimento pessoal - e seu alcance político caracteriza as obras do chileno Mauro Malicho Vaca Valenzuela e da peruana Diana Daf Collazos. Malicho apresenta “Reminiscencia”, trabalho que será exibido em tempo real e para o qual faz uso de instrumentos virtuais como o Google Maps para aos poucos ir situando o espectador no universo a ser abordado, o da vida de seus avós e, como consequência, do próprio Chile. Já em “Preludio”, Diana Daf protagoniza uma obra que passeia do palco de um teatro aos locais marcantes da vida de seus antepassados para investigar os silêncios que permanecem entre os povos da América Latina.

Mas memória também pode ser lembrar dos grandes sucessos do rock, explorando a poesia contida nas letras de composições assinadas por nomes como Bob Dylan, Lou Reed, Syd Barret, John Lennon e tantos outros, comprovando sua relevância política. Esta é a proposta de “Estro-Watts – Poesia da Idade do Rock”, do encenador português Gonçalo Amorim, à frente do Teatro Experimental do Porto.

Inclusão é a marca da obra “Hamlet”, da encenadora peruana Chela De Ferrari. O clássico shakespeariano é levado ao palco por um elenco completamente integrado por atores e atrizes com Síndrome de Down. Fruto de um processo colaborativo, em que os artistas foram se apropriando dos personagens e dando-lhes suas próprias palavras, “Hamlet” reflete, com grande rigor teatral, sobre reconhecimento, conferindo outras camadas ao teor político inerente ao texto.

Um olhar para o futuro e suas conjecturas - e para o presente com sua complexidade - está na raiz de trabalhos como “Reconciliação”, da portuguesa Patrícia Portela e do brasileiro Alexandre Dal Farra; de “Estranhas”, direção de Jonathan Andrade para ideia das atrizes Renata Soares e Beta Rangel; da encenação brasiliense do clássico becktiano (sempre atual) “À Espera de Godot”, dirigido por William Ferreira; de “Solos para um corpo em queda”, da atriz e performer Tatiana Bittar; e do novo trabalho do premiado encenador uruguaio Gabriel Calderón, “Ana contra la muerte”, explorando os limites de conceitos como ética e moral.

Para trazer refresco e provocar muita risada, o CENA apresenta “Exit”, trabalho do Cirque Inextremiste, da França, que encena a tentativa de fuga de loucos de um hospício usando um balão de ar quente. Na mesma programação, o festival oferece uma compilação dos esquetes criados pela atriz Ana Luiza Bellacosta para as redes sociais em “Uma palhaça confinada em Gaste sua lombra em casa”. E para a criançada, exibição das novas produções do Canal Bebelume, especialmente dedicado à primeira infância.

As obras serão apresentadas sempre às 21h, com exceção do domingo, que será às 20h. No sábado, dia 3 de julho, haverá também uma sessão para bebês, às 11h. Tudo no site e no canal Youtube do Cena Contemporânea. Cada trabalho ficará disponível para exibição por mais três dias além da estreia – exceto o último deles, “Ana contra la muerte”, que poderá ser visto só até o domingo, dia 11, a partir das 17h.

Além da programação artística, o 22º CENA CONTEMPORÂNEA vai apresentar debates e conversas que integram os Encontros do Cena, aprofundando temas como a relação cultural entre Brasil e países lusófonos, na perspectiva poética e artística; trabalhos criativos com pessoas com deficiência; a memória íntima e coletiva em “América do Sul: memória, afeto e revolução” e a violência presente no cotidiano de jovens negros de várias cidades do mundo.

Mais informações no site: www.cenacontemporanea.com.br


PROGRAMAÇÃO


QUINTA, 01 DE JULHO, 21H

“Smaïl Kanouté - Corpo e Identidade” - França

SEXTA, 02 DE JULHO, 21H

“Reminiscencia” - Malicho Vaca Valenzuela - Chile

SÁBADO, 03 DE JULHO

11H - “Inspira Fundo 2” - Canal Bebe Lume - Clarice Cardell - DF/Brasil

21H - “Reconciliação” - Patrícia Portela e Alexandre Dal Farra - Portugal/Brasil

DOMINGO, 04 DE JULHO, 20H

“Exit” - Cirque Inextremiste - França

“Uma Palhaça Confinada em Gaste sua Lombra em Casa” - Ana Luiza Bellacosta - DF/Brasil

SEGUNDA, 05 DE JULHO, 21H

“Solos para um Corpo em Queda” - Tatiana Bittar - DF/Brasil

“Estranhas” - Jonathan Andrade - DF/Brasil

TERÇA, 06 DE JULHO, 21H