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4 mitos sobre saúde mental que a geração Z precisa entender em relação ao mercado de trabalho


O mercado de trabalho vive uma transformação profunda e alguns aspectos se sobressaem nesse processo de mudança intenso que estamos vivendo. O formato de trabalho, o avanço da tecnologia, a busca pela saúde mental e a entrada da geração Z no mercado são alguns dos pontos que se cruzam e intensificam essa fase que marca o século XXI. 

Entre os temas, a saúde mental é, no geral, um dos aspectos mais importantes, acentuado principalmente pela pandemia em 2020. Mas, o que a geração Z entende e busca quando o assunto é saúde mental no trabalho? 

Antes de pontuar isso, é necessário entender a definição de saúde mental de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde). Segundo a entidade, saúde mental é um estado de bem-estar em que o indivíduo realiza e desenvolve suas capacidades, superando o estresse comum da vida, sendo produtivo e contribuindo de alguma forma para sua comunidade.

Na prática, a definição parece ser entendida de outra forma. A busca pela saúde mental parece ser associada ao fluxo tranquilo e linear de tarefas no mercado de trabalho, sendo previsível as demandas e os próprios esforços para realizar tal. Tudo isso é um grande equívoco, já que a definição de saúde mental é ter recursos para lidar com uma vida que está em um processo intenso e contínuo de mudança, inclusive no trabalho. 

Falar da definição de saúde mental é importante para desmistificar algumas expectativas em relação ao assunto para a geração Z. Pensando nisso, separei 4 mitos que precisamos esclarecer para os jovens e convidá-los para pensar com mais amplitude, afinal precisamos mostrar que o trabalho também tem um aspecto fundamental em nossas vidas, que faz parte da nossa construção social e cultural. 

1 - A hierarquia faz parte da organização

Um dos aspectos mais importantes de uma empresa é a sua estrutura, normalmente disposta de forma hierarquizada. 

O mundo mudou. Diferentemente do que acontecia no passado, muitas organizações fomentam uma hierarquia mais rotativa, leve e humanizada. Posturas autoritárias e, muitas vezes, assediosas são condenáveis e podem gerar repercussões nefastas para uma marca. Mesmo assim, não podemos perder de vista que a hierarquia continua existindo nas maiores e melhores empresas e, por isso, deve ser respeitada.

Se adequar a uma hierarquia pode ser mais desafiador para algumas pessoas, entre elas, da geração Z. 

Cabe aqui uma provocação. Como mencionado, a hierarquia continua existindo nas maiores e melhores empresas. Será que a hierarquia não pode ser justamente um dos motivos pelos quais essas organizações chegaram a esses lugares de destaque? Os maiores compêndios de administração advogam que sim, já que os fluxos e rotinas empresariais acontecem de forma muito mais eficaz quando a hierarquia funciona bem. E para uma geração que se propõe ser uma das mais empreendedoras que já tivemos na história, como parece querer a geração Z, respeitar a hierarquia é condição necessária para o sucesso profissional e pessoal. 

2 - Saúde mental não é ausência de conflitos 

Ter saúde mental não é ter ausência de conflitos e desafios. Ao contrário, é ter ferramentas suficientes para lidar com as demandas pessoais e profissionais. 

Esse certamente é um dos pontos que mais confundem os jovens da geração Z. Portanto, empresas e colaboradores precisam juntos construir uma estrutura segura, também do ponto de vista psicológico, que alimente boas e amistosas discussões, e que assim promova saúde mental, crescimento e possibilite recursos para uma boa rotina de trabalho.  

3 - Feedbacks são necessários para aprimorar 

Ouvir um feedback que parece negativo não deve ser um problema, o que nem sempre acontece com algumas pessoas, também da geração Z. Os jovens naturalmente estão aprendendo dentro da área que estão atuando e faz parte do processo aprimorar. É por isso que o feedback profissional e respeitoso não deve ser visto como algo pessoal e ruim. Essa barreira precisa ser quebrada! 

4 - Trabalhar e descansar são etapas fundamentais  

Nem 8, nem 80. O segredo, segundo estudos recentes, é ter o equilíbrio dinâmico, entender que em muitos momentos a rotina de trabalho se intensifica, mas que o descanso ajuda equilibrar a balança. Para além do trabalho, é fundamental estabelecer e fomentar bons relacionamentos, cuidar da saúde física, ter hobbies, além dos estudos. 

Claramente não temos manuais diante dessas intensas transformações, mas é claro que empresas e sociedade precisam encontrar caminhos para que todas as pessoas, em especial os mais jovens, encontrem no trabalho uma oportunidade de desenvolvimento, mesmo com os desafios que todos nós, sem exceção, encontramos em nossas atividades. 

Esses pontos citados não anulam todas as questões estruturais do trabalho que discutimos e entendemos importantes para a segurança e saúde no trabalho, mas certamente podem ajudar a geração Z a se desenvolver ainda mais.

Artigo escrito por Marcos Mendanha, médico do trabalho, diretor e professor da Faculdade CENBRAP, onde realiza e coordena estudos, cursos e eventos sobre Psiquiatria e saúde mental do trabalhador há mais de 15 anos. É especialista em Medicina do Trabalho. É advogado especialista em Direito do Trabalho; pós-graduado em Filosofia; e professor convidado da pós-graduação em Medicina do Trabalho, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). É autor do livro "O que ninguém te contou sobre Burnout - Aspectos práticos e polêmicos" (Editora Mizuno). É coordenador do Congresso Brasileiro de Psiquiatria Ocupacional (CBPO).


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