A positividade tóxica pode afetar a saúde mental?


Você sabe diferenciar positividade tóxica e otimismo? É muito comum que elas sejam confundidas, porém são muito diferentes. A positividade tóxica é uma negação daquilo que está acontecendo ou até mesmo de como estou me sentindo naquele momento. Não é o que está sentindo, mas algo imposto. O otimismo é ver o lado bom em cada situação, mesmo em situações difíceis. Nesse caso, você não nega o que sente.

A positividade tóxica pode trazer malefícios, além de afetar a saúde mental. Como a pessoa não consegue expor as emoções, ela acaba engolindo o discurso das falas positivas e abafando o que sente. Suprimir os sentimentos negativos, seja em nós mesmos ou no outro, não faz bem. Nossos sentimentos precisam ser validados e acolhidos, não negados. Em situações de estresse, tristeza ou inconformidade, permita-se sentir.

Evite usar frases e procure filtrar o que ouve para que não seja afetado por falas de positividade tóxica. Fala otimista usam expressões, como, por exemplo, “eu entendo a sua dor e o que eu posso fazer para te ajudar?”; “estou aqui para te ouvir, estou aqui para te ajudar”. São falas para auxiliar, para ajudar a trazer uma solução adequada e leve para a situação.

Já as frases positivas tóxicas estão em frases, como: “você não está sentindo isso”, “está exagerando”, “não vale a pena falar sobre isso, porque isso sempre aconteceu assim e não vai ser você que vai mudar isso”. São expressões que diminuem o que a pessoa está sentindo.

É importante se autoconhecer e entender seus limites para que a fala do outro não se torne um regulador de sentimentos. Ao se guiar pelo outro, você anula seu sentimento e com isso acaba somatizando.

Devemos estar atentos com nossas falas para não prejudicar ou diminuir o sentimento do outro. Lembre-se que a positividade tóxica abafa e nega os sentimentos, diminui o que se está sentindo e temos que tomar cuidado para não fazer isso.

(*) Alessandra Augusto é formada em Psicologia, Palestrante, Pós-Graduada em Terapia Sistêmica e Pós-Graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental e em Neuropsicopedagogia. É a autora do capítulo “Como um familiar ou amigo pode ajudar?” do livro “É possível sonhar. O Câncer não é maior que você”.