Alunos da rede pública resgatam a memória de sítios históricos de Planaltina


A história de sítios de referência cultural na região de Planaltina (DF), ganha registros a partir de pesquisa feita por alunos da rede pública com vistas a reforçar os laços entre população e cidade

Ao longo de janeiro de 2021, 120 estudantes de seis escolas da rede pública irão conduzir pesquisas a fim de resgatar a memória de locais históricos, culturais, turísticos e ecológicos da região de Planaltina.

Os locais a serem explorados por estes jovens historiadores são o Centro Histórico de Planaltina, o Morro da Capelinha, a Pedra Fundamental o Vale do Amanhecer e a Estação Ecológica de Águas Emendadas.

Como resultado, serão produzidos livretos e uma exposição fotográfica. Por conta da pandemia, os cinco vídeos [de 30 min cada e previstos no projeto] serão produzidos pela equipe realizadora da iniciativa. Todo o material estará disponível gratuitamente para a consulta de todos e todas, nas plataformas virtuais YouTube, Facebook e Instagram.

Para a realização dos trabalhos, os alunos atenderão, remotamente, a oficinas direcionadas a enriquecer o conhecimento acerca dos locais, bem como de estruturação de conteúdos em publicações e de fotografia. Todos receberão um auxílio no valor de R$ 100, para custear o acesso à internet.

Registrar as histórias destes locais, para Leonio Matos, coordenador da iniciativa, “é reconhecer a própria história e reforçar os laços entre população e cidade”, o que, segundo ele, “fortalece a consciência cidadã e a vontade em reivindicar uma vida mais digna”.

Os primeiros registros do quadrilátero, que hoje forma o Distrito Federal, datam de 1892, quando passou por aqui a Missão Cruls. Os seguintes foram da Comissão Polli Coelho, em 1946, e em 1954, o Relatório Belcher, da empresa norte-americana Donald Belcher & Associates.

Um ponto comum entre os três e que vale ressaltar, é o levantamento de dados e informações feito por engenheiros. Com isso, relatam a topografia, o clima, a biodiversidade e a qualidade do solo. Desta maneira, “as manifestações e expressões culturais, que existiam no território, perderam relevância e foram reduzidas ao esquecimento”, aponta Leonio.

A produção destes relatórios estava em consonância com a ideia de modernização. Conceito que tomou corpo, e foi à prática na erradicação do antigo com JK e seu Plano de Metas: “50 anos em 5”, no qual Brasília seria a síntese. Na literatura da época, por exemplo, o homem do campo foi estigmatizado como desmantelado e boçal pelo personagem Jeca-Tatu, de Monteiro Lobato na obra “Urupês”.

Ter jovens estudantes atuando na edição dos livretos, com suas visões e impressões, e nas fotos das localidades os tornam reeditores sociais. Ou seja, pessoas cujo papel social têm a capacidade de readequar mensagens, segundo circunstâncias e propósitos, com credibilidade e legitimidade.

Matos destaca que "no mundo em que vivemos, onde a manipulação da informação é um fato, nos contrapor a essa manipulação é trabalhar efetivamente por um mundo melhor, igualitário, fraterno”.

Como desdobramento do projeto, a comunidade e o ambiente escolar serão integrados. Pois esses estudantes serão porta-vozes do conhecimento adquirido e os disseminarão entre seus colegas, familiares e vizinhos.

Comissão Escolar - Desbravando Nossa História, visa “fortalecer a convivência comunitária, evidenciar a cultura popular, as expressões juvenis e o protagonismo da comunidade, além de contribuir para valorizar o território e os sentimentos de identidade e pertencimento”, ressalta Leoni