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Após ter ingressos esgotados a peça “Prisioneiro 12.207” abre sessão extra gratuita

  • 1 de abr. de 2024
  • 3 min de leitura

Alex vende discos numa loja de vinis. Alex começa a ter medo de vender os discos. Alex se recusa a parar de vender seus discos. Os discos passam a ser chamados de materiais subversivos. Alex se torna um criminoso por disseminar materiais subversivos. A loja é destruída. Os discos são quebrados. Alex é preso. Abre-se a cortina.


O prólogo acima antecipa o que o público verá no palco a partir da interação entre um homem, uma mulher, um rato, uma cela e dois músicos, únicos elementos usados para contar a estória do "Prisioneiro 12.207", no espetáculo que teve ingressos esgotados e agora abre sessão extra no Teatro dos Bancários, com entrada franca pelo sympla, no dia 7 de abril, 17h, em memória aos 60 anos do golpe militar.


A peça é uma criação de Bruno Estrela e Silvia Viana e conta com a direção de André Amahro, além da participação musical de Gaivota Naves e Guilherme Cobelo, da banda Joe Silhueta.


A peça se passa no período que sucede o golpe militar, quando o Brasil se vê mergulhado em uma longa noite de terror, já que durante 21 anos, o país viveu sob um regime autoritário, que restringiu os direitos políticos, censurou a imprensa, além de perseguir e torturar milhares de brasileiros que se tornariam vítimas das violações dos direitos humanos mais básicos.


Na palco temos Alex, um fã dos Mutantes, que é preso e torturado pela ditadura e que tem sua rotina de torturas alterada pela chegava de Martina, uma mulher misteriosa que parece vir do passado para despertar seus sentimentos mais profundos e confrontá-lo com verdades que podem mudar o destino dele e do seu país.


Dividido entre uma conversa intensa com Martina e outra com um rato, seu companheiro de cela, que reflete sua solidão e sua fragilidade, vemos quatro artistas entregues à uma história dura, mas redentora que mistura realidade e imaginação, dor e amor, angústia e esperança. A peça é também uma homenagem aos que resistiram à ditadura, deram suas vidas pela liberdade e tiveram seus nomes esquecidos pela história.


Diante de dados recentes do datafolha de que 63% dos brasileiros apoiam o desprezo pela data que celebra os 60 anos do golpe e das falas recentes do presidente Lula sobre um desnecessário foco no que aconteceu no passado dos anos de chumbo, o espetáculo não esconde o desejo de servir como um alerta para as novas gerações sobre os perigos de se repetir os erros do passado. “São crueldades que aconteceram há pouco tempo. E se observarmos atentamente fica nítido que estas ameaças à liberdade humana ainda rondam a sociedade brasileira", diz Silvia Viana, produtora e atriz da peça, que conta também com a iluminação de Manu Castelo Branco e figurino de Silvia Mello.


A dramaturgia, fruto de uma extensa pesquisa sobre o tema, se baseia em livros, documentos, poemas e depoimentos de pessoas que sofreram na pele as violações dos direitos humanos, além de se inspirar livremente em trechos do relatório da Comissão da Verdade, que investigou os crimes cometidos pelo regime. Segundo Bruno Estrela, que também assina o texto da peça, foi difícil ler trechos que detalharam as atrocidades cometidas e realizar mentalmente a dor das vítimas e dos familiares para transpor para o papel com um recorte ficcional. “Foi muito doloroso, mas só reforçou a minha certeza de que era preciso contar essa história mais uma ou dez vezes para que ela não seja esquecida, ou pior, distorcida de forma cruel".


A CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA É DE 16 ANOS

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