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Arte para todos: Arthur Scovino faz ucesso entre o público das redes


Foi na pandemia que o profissional entendeu que o público das redes sociais tinha curiosidade em adquirir suas obras de maneira independente, além de terem a oportunidade de também participar delas. Faltava apenas uma ponte, uma porta que facilitasse o contato. Sua casa-ateliê, até então instalada na Avenida São João, em São Paulo, já havia sido ponto de encontro de entusiastas das artes, artistas, fruidores e curiosos que tiveram coragem de viver e entender seu universo criacional. No ateliê, Arthur passou a desenvolver visitas temáticas, residências artísticas e vivências diversas e vender suas obras.

Trata-se de uma arte relacional, que tem início na performance, prática comum em diferentes trabalhos de Arthur, que anos atrás fez centenas de pessoas levarem os Elepês de Gal Costa para passear numa ação curiosa onde os discos da cantora foram vistos por pessoas diferentes em vários locais do Brasil e do mundo. Essa foi, também, a primeira exposição “formal” do artista numa galeria, em Salvador. Uma ação performática e afetuosa numa ode à própria Gal e aos artistas do movimento da tropicália que produziram algumas das mais conhecidas capas dos discos. As primeiras capas representavam um movimento artístico que acompanhou o próprio tropicalismo em finais dos anos 60 e início dos anos 70. Gal, que entrou na seara popular dos anos 80 era a própria síntese de uma Bahia mista e camaleônica. Não demorou muito para que a própria cantora tomasse conhecimento de que um homem provocava diferentes pessoas a levarem os seus LP’s numa ação artística sem roteiros. Ela mesma entrou na brincadeira e chegou a posar para o artista e fazer uma dedicatória a todos que, inspirados por Arthur, levaram os elepês para passear. O projeto que começou em 2011 segue até hoje.

Essa mesma arte relacional torna-se muito interessante quando o artista consegue unir, desde o público de academias ao público popular, não excluindo os curiosos das redes. São novas tendências das artes contemporâneas que até um tempo atrás dialogavam apenas com um público mais habituado. Afinal, quem não gosta de uma boa poesia cotidiana? Arthur soube entender a vontade do público misto que o segue pelas redes. Desde que começou, suas criações exploram o mundo virtual numa performática exposição de processos ao mesmo tempo do presencial nos museus e Galerias. Como muito de seus trabalhos contam com nudez artística (seja autorretratos ou de modelos dirigidos, desenhados ou fotografados) é natural que haja um impedimento da divulgação dessas obras nas redes sociais, principalmente no Instagram Por isso, o artista, que começou a explorar as relações virtuais de suas obras no Flickr, Facebook e Instagram, passou a utilizar novas redes onde ainda é possível divulgar esses trabalhos e os bastidores deles sem o risco de censura nas plataformas. Assim, tornou-se comum ver pílulas do processo criativo no Twitter, Privacy e OnlyFans. Engana-se quem pensa que o público relutou a migrar de redes. Na verdade, criador e seguidores criaram uma forma de comunicação mais direta, divertida e efetiva

Seus trabalhos, antes representados por uma grande galeria em São Paulo, passaram a ser vendidos diretamente com quem participava dessas ações e o procurava nas redes e em sua casa-galeria. Assim, o público acompanha nas redes sociais as obras disponíveis (sempre com tiragens limitadas e selos de autenticidade) e as adquirem por meio de trato direto. Hoje, diferentes pessoas possuem obras exclusivas de Arthur Scovino em seus lares. Pessoas que, quase inconscientemente, formaram uma rede de colecionadores diferentes daqueles do circuito habitual das artes visuais. O que se pode perceber é que ele passou a se dedicar cada vez mais à comunicação direta com as pessoas, seja pelas redes ou durante as exposições que fazem parte da experiência relacional e independente, como sugere o conceito de suas criações.

O projeto NUDESAFIO, por exemplo, já teve vários desdobramentos como uma oficina com várias pessoas nuas desenhando e sendo desenhadas ao mesmo tempo numa partitura performática. As sessões também acontecem individualmente de forma presencial e virtual com diferentes interessados nessa atividade nudista que acessa o desenho e a fotografia. Nesse projeto, atualmente, homens de diferentes partes do mundo revelam um pouco de suas intimidades para uma ilustração exclusiva de Arthur Scovino. Um desafio que requer desprendimento, coragem e leveza. As ilustrações são publicadas em um perfil específico no Instagram e no OnlyFans e fazem parte das investigações do artista, seja por sessões ao vivo, sessões por encomenda ou por reprodução de fotos originais dos interessados.

É a própria síntese de ser um artista independente que luta constantemente contra a censura. Arthur pode ser considerado precursor da onda de acesso ao OnlyFans de artistas no Brasil. É na rede que admiradores de vários lugares do planeta o seguem curiosos e ávidos por novidades nas criações desenvolvidas por ele. O ato de desenhar pessoas é bem anterior ao advento dessas redes. “Nudesafio” tem mais de 15 anos e apenas se adaptou ao formato remoto com o isolamento inevitável da pandemia. Desde então, ganhou outros desdobramentos... Há quem peça para ser desenhado pela tela do computador, há quem peça para ser desenhado presencialmente. Tudo isso é combinado entre o interessado e o artista. Assim, Scovino ganhou um fiel grupo de assinantes mensais, movimentando a própria cadeia da economia criativa.

E despertar a curiosidade do público também faz parte de sua narrativa. Há alguns meses, o artista tem compartilhado vídeos curtos, desenhos e fotos sobre uma relação erótica que mantém com escavadeiras na praia de Santos, onde mora atualmente.

A partir daí, a imaginação tanto do artista, quanto do público pôde ir longe! O artista que se vê pequenino diante da imponência do trator e as miniaturas de brinquedo desses tratores revelando o oposto: a pequenez da máquina diante do homem. Isso caiu bem no gosto popular dos seguidores e Arthur, sabiamente, vem construindo essa narrativa juntamente com as interpretações do público. O trabalho já tem nome: APERREÁVEL Nº 9 - Uma obra aberta, em andamento e que ainda vai gerar muita especulação. Algumas pessoas já participaram das videoperformances exclusivas com as escavadeiras, mas somente o público que segue o artista nas outras redes pode acompanhar o processo e os registros sem censura.

E 2023 SEGUE CRIATIVO

Em junho de 2023, Arthur Scovino surpreendeu o público com uma viagem surpresa para Brasília. Foi uma ação com diferentes performances sob o título de “Mas da próxima vez que eu for a Brasília”. A notícia fez com que novos seguidores, que ainda não o conheciam presencialmente, ficassem empolgados com a possibilidade de encontrar o artista. Na capital e nas cidades do entorno, Arthur levou os elepês de Gal para passear, participou da Trezena de Santo Antonio do Descoberto, visitou galerias de arte e cumpriu uma agenda de entrevistas.

Assim que retornou a Santos, produziu com o artista ZMário a performance SENDAS 2 na praia de Santos e apresentou um filme a respeito de “Aperreável n 9” no Centro Cultural da Diversidade, em São Paulo.

Neste mês de setembro, tem viagem marcada para uma residência artística em Britânia GO, onde iniciará um novo projeto com mais nove artistas por 10 dias, além de continuar na produção de seu filme com a escavadeira até dezembro...

DIALOGUE COM ARTHUR A PARTIR DAS REDES:


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