Ator de Brasília produz série de vídeos sobre ÉTICA NO MERCADO TEATRAL


O ator e produtor cultural brasiliense Josuel Junior é velho conhecido das redes sociais. Com forte trabalho no mercado artístico brasiliense, o profissional tem usado a internet para disponibilizar informações sobre a prática de palco pós-pandemia.

O mundo não é mais o mesmo depois do longo isolamento social provocado pela Covid-19. Por isso, ninguém é obrigado a seguir velhos hábitos que já tinham que ter mudado há muito tempo. A maioria deles diz respeito a como os artistas são tratados fora dos palcos.

“A pandemia nos ensinou que muita coisa precisa mudar nessa relação de trabalho entre atores, produtores e diretores. Coisas que antes achávamos normal podem ser desrespeitosas e impedir uma melhor relação prática durante o ofício. Por isso, é importante utilizar esse momento de reabertura de eventos culturais para falarmos abertamente sobre ética de trabalho no campo teatral”, defende Josuel.

Por muito tempo, alguns comportamentos em salas de ensaio ou nos bastidores das temporadas foram romantizados e até usados como uma espécie de status-quo do meio artístico. Mas, de romântico, isso não tem nada.

“Quem é ator provavelmente já ouviu que alguém trabalhou com um diretor que xingava os atores, dava tapas na cara, tacava chinelos e tudo mais. Isso já foi! É ultrapassado e nem pode ser considerado método. É desrespeito, assédio moral. Pra muitas pessoas, tais atitudes criam feridas psicológicas que afetam seu processo criativo e o bem-estar. Sem contar que contribuem para que muitos profissionais desistam da profissão e migrem para outras funções ligadas ao fazer artístico”, alerta.

É importante repensar alguns comportamentos para que antigos erros que passavam despercebidos não aconteçam de novo. Para isso, o ator tem utilizado as redes, que são naturalmente um canal por onde é bastante procurado por estudantes de artes das instituições de ensino superior e técnico de Brasília, seja do Departamento de Artes da UnB, da Faculdade Dulcina, IFB ou IESB.

De maneira bem-humorada e leve, questões pesadas são colocadas na mesa pelo ator para que a prática de palco seja mais humanizada. Muito se pensa no público e em estratégias de conquistá-lo, mas pouco se pensa na saúde mental e no zelo para com os profissionais das cênicas, que são negligenciados em alguns projetos.

“O primeiro passo na formação de um elenco, seja com projeto patrocinado ou independente, deve ser a realização de um contrato de trabalho ou acordo de serviço. Por falarmos tão pouco sobre contratos de trabalho ou acordos mais formalizados, aprendemos a trabalhar numa informalidade que gera insegurança e abre espaço para pequenos abusos”, lembra.

Temas como Confirmação da Vacinação de toda a equipe, Novas Práticas de Higiene e Saúde nos Ensaios Técnicos, Melhor Aproveitamento das Ferramentas On-line e Incentivo Financeiro para Transporte de Elenco são mencionados nos vídeos que estão disponibilizados no Instagram do ator.

Outra importante questão levantada por Josuel é a forma com a qual o artista de teatro é tratado após as sessões de espetáculos. Muitos são induzidos a sair dos espaços culturais às pressas.

“Criamos um hábito de fazer peças às nove da noite às sextas e sábados e às oito da noite aos domingos. Isso foi feito pensando no público. Mas já parou pra pensar como isso é para o ator? Geralmente, pedem que os atores cheguem 3, 4 horas antes da sessão para ajustes de luz, ensaios técnicos, reuniões de feedback da direção e modificações de marcações. Até aí tudo bem... mas quando a peça é apresentada às nove da noite, os atores são praticamente expulsos do teatro. Quem paga com isso são os atores, que precisam terminar a peça, correr para o camarim e vazar do teatro. Parece engraçado, mas é desrespeitoso. Ator quer e precisa tomar um banho depois da apresentação. Ator não quer enrolar um cachecol no pescoço com o corpo suado após a peça. E outra... Às vezes, a sessão é um sucesso. Às vezes, a sessão foi ruim. O ator não tem tempo sequer de processar tais informações. A saída do teatro é geralmente tumultuada, feita às pressas. Como se pertencesse ao lugar. Tá na hora de melhorar isso...” alerta o artista.

A ideia de divulgar os vídeos nas redes falando abertamente sobre temas pouco comentados não fazem, necessariamente, parte de um projeto continuado e sim de um alerta essencial e urgente para que as produtoras de eventos que contratam os artistas tenham uma sensibilidade maior para com seus colaboradores. Claro... a proposta de falar abertamente sobre isso nas redes através de vídeos curtos também tem como objetivo incentivar os atores a refletirem sobre sua atuação situação para que possam se impor e exigir melhores condições de trabalho nesse momento em que a classe voltar a se organizar através dos eventos presenciais.

Josuel Junior é ator e produtor cultural há 20 anos em Brasília e tem experiência nas áreas de teatro, cinema, televisão e produção cultural. Como incentivador das artes cênicas do DF, nada mais coerente do que falar sobre isso nesse momento em que a profissão de artista passa por grande transformação em esfera nacional.

Os vídeos estão sendo postados regularmente nas redes do artista - https://www.instagram.com/josueljunior1/

https://www.josueljunior.com/