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Dia D: a única verdade revelada nesse filme é que ele é decepcionante

  • 10 de jun.
  • 2 min de leitura

Steven Spielberg construiu boa parte de sua carreira explorando o fascínio humano pelo desconhecido. De clássicos como Contatos Imediatos do Terceiro Grau a E.T. - O Extraterrestre, o diretor sempre soube misturar ficção científica, emoção e maravilhamento. Em O Dia D, porém, essa fórmula parece ter se perdido pelo caminho.


Com 2h30 de duração, o filme promete revelar a verdade definitiva sobre a presença extraterrestre na Terra. O problema é que, ao longo dessa jornada, a única revelação realmente impactante é o quanto a história se mostra decepcionante.


A trama acompanha Margaret Fairchild, personagem de Emily Blunt, uma apresentadora da previsão do tempo que passa a viver acontecimentos inexplicáveis após receber a visita de um rouxinol. Pouco depois, ela começa a falar idiomas desconhecidos e, durante uma transmissão ao vivo, surpreende o público ao se comunicar em uma suposta língua alienígena. A partir daí, torna-se alvo de uma organização empenhada em esconder a verdade sobre os extraterrestres, enquanto um grupo de aliados tenta protegê-la e ajudá-la a expor os segredos ocultos.


O enredo até possui elementos interessantes. A discussão sobre vida inteligente fora da Terra, os possíveis impactos sociais da revelação dessa existência e até o conflito entre religião e ciência poderiam render um grande filme. Mas nada disso recebe o desenvolvimento necessário. As ideias surgem, são apresentadas e logo abandonadas, sem gerar o peso dramático que prometem.


O maior problema está na forma como tudo é conduzido. Spielberg opta por uma abordagem excessivamente fantasiosa, quase como um conto de fadas moderno. Em vez de construir uma narrativa que convença o espectador a embarcar em sua proposta, o roteiro acumula situações absurdas e conveniências que dificultam qualquer envolvimento emocional com a história.


Os personagens também seguem uma cartilha bastante previsível. De um lado está o vilão óbvio: um poderoso empresário ligado a uma grande corporação, representando o mal de maneira quase caricatural. Do outro, os heróis comuns, pessoas simples que veem suas vidas virarem de cabeça para baixo ao descobrirem uma grande conspiração. Tudo acontece exatamente como o espectador imagina, sem surpresas ou nuances.


A sensação constante é de que o filme possui temas relevantes, mas não sabe o que fazer com eles. Questões profundas acabam reduzidas a perseguições genéricas e revelações pouco impactantes. Quando finalmente chega o desfecho, a recompensa não compensa o longo caminho percorrido.


O Dia D é um filme que desperta expectativa por trazer Spielberg de volta a um de seus assuntos favoritos, mas entrega uma experiência frustrante. Longo, clichê e incapaz de explorar adequadamente suas próprias ideias, o longa se perde em exageros e decisões narrativas questionáveis. No fim das contas, sobra uma história que dificilmente convence e um final que deixa a sensação de que todo o percurso foi em vão.


Nota: 👽

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