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Espetáculo "Eu Capitu" volta em cartaz no mês das mulheres

  • 4 de mar. de 2024
  • 6 min de leitura

Depois de grande sucesso de público no Rio de Janeiro, Recife e em Belo Horizonte, chega pela primeira vez a Brasília o espetáculo “Eu Capitu”. A produção, que conta com texto de Carla Faour e direção de Miwa Yanagizawa, visa oferecer ao espectador uma releitura do clássico romance de Machado de Assis pelo olhar feminino. Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB Brasília (SCES Trecho 2) de 22 de fevereiro a 17 de março de 2024, sempre de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 18h. Os ingressos são vendidos a preços populares: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). Além das apresentações regulares, o projeto contará com sessões acessíveis nos dias 02 de março (com LIBRAS) e 09 de março (com Audiodescrição). Uma roda afetiva de conversa com a equipe do espetáculo e duas oficinas gratuitas completam a programação que pode ser conferida no site bb.com.br/cultura.

O espetáculo, que traz à cena a história a partir da visão de Ana, uma menina prestes a entrar na adolescência, que vivencia o fim do relacionamento abusivo da mãe, estará em cartaz no Distrito Federal no mês de março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. A obra vem como forma de alertar sobre o aumento nos casos de feminicídio, já que o Distrito Federal se tornou a unidade da federação com o maior número de mortes de mulheres por questões de gênero, de acordo com Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Para isso, lança mão de um olhar fantástico e atual para unir a ficção em cena à dura realidade das mulheres vítimas de violência.

“Logo de início, entendi que não queria uma peça realista. Se o assunto era muito duro e pesado, eu queria falar de uma forma doce e lúdica com a criação de um universo simbólico e metafórico”, resume Carla Faour, que chama a atenção pelo fato de a peça dar voz a mulheres em um mundo que tem a narrativa masculina, seja na política, nas artes, na história ou nas famílias. “No texto, o universo todo está na perspectiva desta menina, que sai da infância e entra na adolescência, um momento de extrema vulnerabilidade. Ela tenta então entender as opções da mãe, o que é ser mulher e também o próprio livro de Machado de Assis”, comenta a autora.

Este espetáculo conta com patrocínio do Banco do Brasil, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.

 

Espetáculo/Sinopse –

Desde pequena, Ana tem por hábito se isolar em um mundo imaginário como forma de fugir dos problemas que enfrenta em casa. Sua mãe, Leninha, vive um relacionamento abusivo com o marido. A tensão doméstica acaba por refletir no rendimento escolar da menina que precisa tirar boas notas em Literatura para não repetir o ano. A prova final vai ser em cima da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis. No entanto, a leitura afeta diretamente a menina que passa a enxergar pontos em comum entre o livro e sua vida. Em seu refúgio fantástico, Ana começa a misturar ficção com realidade e recebe a visita de uma mulher misteriosa, que tem o rosto parecido ao de sua mãe. Aos poucos descobrimos que esta mulher é Capitu, a personagem ícone da obra Machadiana. Nesses encontros, Ana dá voz àquela mulher que só conhecemos através do olhar masculino. A improvável ligação entre elas serve à menina, que está entrando na adolescência, como um rito de passagem para o universo feminino adulto, em que ela começa a entender o que significa ser mulher num mundo narrado por homens.

Esta é a história da produção que se baseia nas provocações sobre o original machadiano e reflete sobre machismo, dores e silenciamentos de mulheres contemporâneas.

“No palco, as atrizes encenam uma história que se passa no Brasil de hoje, quando Ana, adolescente presa em um ambiente de tensão doméstica, presencia o fim de um relacionamento abusivo de sua mãe. Para nós interessa instigar o olhar da plateia, convidá-la a imaginar outras possibilidades narrativas, tomar consciência das coisas se valendo de mais de uma perspectiva. Portanto, juntas, levantamos questionamentos e nos apropriamos deles para desdobrá-los ao invés de buscar soluções definitivas”, ressalta Miwa.

A diretora foi convidada para dirigir “Eu Capitu” pelo produtor Felipe Valle, também idealizador do projeto, após testemunhar indiretamente um episódio de violência doméstica em que não conseguiu intervir e teve a denúncia recusada pela polícia. O sentimento de impotência o levou intuitivamente a pensar em ‘Dom Casmurro’. Ao reler o livro com os olhos de agora, Valle percebeu toda a violência contida naquele clássico e resolveu trazê-lo para as luzes da ribalta pelo olhar feminino. “ O convite para direção, escrita e encenação não foi à toa. São as mulheres que vão dar vida a esta história tão atual, eterna, cheia de nuances, simbolismos e de machismos do nosso sempre dia a dia”, pontua.   

Atividades extras - Para além da peça e interações, o grupo irá promover oficinas gratuitas.  A oficina nomeada “Eu Outra”, que será ministrada por Miwa Yanagizawa, vai propor a busca da construção de fricções entre narrativas pessoais e ficcionais a partir de objetos afetivos escolhidos pelas participantes. Público alvo: Artistas, estudantes de teatro. O intensivo  acontecerá no dia 2 de março, das 15h  às 18h. Capacidade para 15 pessoas e inscrições também gratuitas via link.

Local: Sala Multiuso – CCBB Brasília

Haverá também oficina de produção com Felipe Valle voltada para artistas, produtores e fazedores de cultura, de modo geral.  O curso irá abordar, com o produtor e gestor cultural, os passos para a criação, planejamento e elaboração de um projeto cultural. Dentre eles, apresentação, objetivos, justificativa, cronograma, público alvo, contrapartidas, plano de divulgação, democratização do acesso e orçamento. Data: 16/03 - 15h às 18h. Capacidade: 327 vagas.

Local: Teatro do CCBB Brasília

FICHA TÉCNICA

Direção Artística: Miwa Yanagizawa / Texto: Carla Faour / Diretora Assistente: Maria Lucas / Idealização e Direção Geral: Felipe Valle / Direção de Produção: Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal (Pagu Produções Culturais) /Coordenação de Projeto: Trupe Produções Artísticas / Elenco: Flávia Pyramo e Mika Makino / Direção Sonora, Trilha Original e Preparação Vocal: Azullllllll / Direção de Arte: Teresa Abreu / Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni / Produção Executiva: Fernando Queiroz / Design Gráfico e Fotografia: Daniel Barboza/ Assessoria de imprensa: Start Capital Comunicação/Produtora Associada: Pagu Produções Culturais / Realização: Trupe Produções Artísticas / Produção local: Villa-Lobos Produções/ Patrocínio: Banco do Brasil

 

Sobre o CCBB Brasília

 

O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília foi inaugurado em 12 de outubro de 2000, e está sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, e tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.

Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, o CCBB Brasília dispõe de amplos espaços de convivência, bistrô, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.

Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, programa contínuo de arte-educação patrocinado pelo Banco do Brasil que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), acolhendo o público espontâneo e, especialmente, milhares de estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, ao longo do ano, por meio de visitas mediadas agendadas, além de oferecer atividades de arte e educação aos fins de semana.

Desde o final de 2022, o CCBB Brasília, se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, sendo que no ano de 2023, obtivemos a renovação anual da certificação, como reconhecimento do compromisso com a gestão ambiental e a sustentabilidade.

A conquista atende à Ação 24 da Agenda 30, que tem por objetivo reforçar a gestão dos programas, iniciativas e práticas ambientais e de ecoeficiência do BB e demonstra o alinhamento do CCBB Brasília a estratégia corporativa do BB, enquanto espaço de difusão cultural que valoriza a diversidade, a acessibilidade, a inclusão e a sustentabilidade porque transformar vidas é parte da nossa cultura.

 

SERVIÇO:  Espetáculo “Eu Capitu” chega pela primeira vez a Brasília

Local: Teatro do CCBB Brasília (Setor de Clubes Sul)

De 22 de fevereiro a 17 de março de 2024

Quinta a sábado, 20h

Domingo, 18h

* 02/03 - LIBRAS e roda de conversa após o espetáculo

* 09/03 - Sessão com audiodescrição

Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada), disponibilizados toda sexta-feira, às 12h.

À venda na bilheteria física ou no site bb.com.br/cultura

Classificação: 14 anos

Duração: 90 min

Formulário de inscrição das oficinas: : https://bit.ly/EuOutraBSB / https://bit.ly/OficinaProducaoBSB


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