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Música independente: grupo de rock autoral do DF conta principais desafios ao lançar carreira musical

O mundo da música independente é um terreno repleto de obstáculos e reviravoltas. Os artistas precisam escrever, produzir e conduzir suas carreiras. Uma pesquisa realizada em agosto de 2023, pelo Laboratório de Economia Criativa da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) do Rio de Janeiro, apontou que 12% dos artistas brasileiros se autoempresariam; 23% possuem um empresário independente; e 58% são atendidos por um escritório. Dos que não têm empresários, 76% gostariam de ter. 


A banda de rock autoral Projeto Ícaro do DF é um exemplo de quem tem enfrentado uma jornada desafiadora ao lançar sua carreira musical. O grupo, que começou há mais de 24 anos, retomou as atividades recentemente depois de uma longa pausa, trazendo à tona 11 músicas inéditas e realizando shows pela capital do país. 

Idealizado pelos músicos e amigos de infância Thales Viana e Daniel Henrique, o grupo surgiu nos anos 2000, mas estava em pausa até o fim de 2022, quando surgiu a nova e atual formação: Thales (guitarra), Daniel (baixo), Marreco Marrecóre (bateria) e Hudson Silveira (vocal). Com ênfase nas letras e na variedade sonora, o grupo se apresenta como uma genuína experiência do rock de Brasília, ou, como eles mesmos definem, uma “salada musical”.

Desafios do mercado musical

Thales Viana e Daniel Henrique são responsáveis pelas composições do Projeto Ícaro. Mesmo durante a pausa, as músicas não cessaram, e o maior desafio sempre foi formalizar a banda e lançar o Projeto, que acumula mais de 50 canções. De acordo com Viana, os desafios em trabalhar com uma banda autoral nos dias atuais são diversos, principalmente quando se trata de uma banda de Pop Rock com sonoridade voltada para os anos 80.

“Não soa tão moderno, principalmente num país como o Brasil, onde o Pop Rock não está entre os ritmos mais ouvidos, e a mensagem não é exatamente o que a maioria parece consumir”, destaca. Ele continua: “é como se estivéssemos nos contrapondo a esse cenário com nosso tipo de som e as mensagens propostas em nossas músicas”, aponta Thales.

É o que diz o Engaging With Music, da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, a IFPI, que investiga o consumo musical do planeta anualmente. O último relatório, divulgado em 2023, contou com a participação de 43 mil pessoas, em 21 países, somando 91,2% do alcance global. O levantamento também mostrou os gêneros mais ouvidos. Conforme a pesquisa, enquanto a média global é de oito tipos de música, o brasileiro ouve 10. Os mais consumidos são: sertanejo, arrocha, pop, funk e trap brasileiro. 

Mesmo com o obstáculo, Daniel Henrique afirma que a banda se mantém firme. “Queremos que o Ícaro seja 100% autoral, tenha o nosso estilo, então escolhemos cada detalhe com atenção, desde a concepção de letras, arranjos sonoros, de como devemos soar como banda, na pré-produção e produção, na mixagem das músicas, etc”.

No vocal, Hudson Silveira chegou para agregar ainda mais às composições da dupla. “Com a nova formação, buscamos fazer os processos em conjunto, e o Hudson chegou com experiência, voz e composição. Então, a produção das novas faixas possibilitará ampliar essa sinergia, enfatizando sempre a composição coletiva”, comenta Viana.

Apesar de acompanhar a banda desde sua volta, Silveira diz que foi um grande desafio e tem sido até hoje tentar imprimir o sentimento que foi proposto por Thales e Daniel, colocando um pouco de suas características sem perder a essência e a proposta original. “Além disso, sou como um Frontman, pois carrego boa parte da imagem da banda. Isso traz muitas responsabilidades, mas hoje vejo que além de cantar bem e ter uma ótima performance em shows e gravações, é preciso ter muita interação com o público nas redes sociais”, ressalta Hudson.

O processo de gravação e registro das músicas

Baterista da banda, André Rangel, o Marreco Marrecóre, também é produtor musical e responsável pela finalização em estúdio das músicas do Projeto Ícaro. “Cada produtor tem uma forma de conduzir seus trabalhos. Para o Ícaro, fizemos algumas etapas: composição, pré-produção, gravação, mixagem e masterização, onde as 2 etapas mais desafiadoras foram a pré-produção, onde as músicas são trabalhadas, e a gravação, onde tentamos captar a música tal qual ela foi concebida na fase da pré-produção”, explica.

De acordo com ele, esse processo pode ser bastante burocrático, com compromissos fechados para cada uma das etapas do processo musical. “No caso das gravações com o Projeto, embora tivéssemos começado com agendas fixas, o processo foi mais orgânico, finalizando cada etapa e passando para a seguinte, conforme o grupo, de forma uníssona, concluía suas partes e estavam preparados para a etapa seguinte”, relata. Conforme o músico, o processo todo, desde a lapidação das faixas até a gravação final, durou cerca de 2 anos e meio. “Nosso próximo passo é registrar as canções”, conclui Marreco.


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