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“3 Horas para Viver” tem muita explosão e pouca história

há 3 horas
2 min de leitura

Por: Rodrigo Carvalho


Um ex-fuzileiro, uma entrega urgente e uma organização criminosa disposta a tudo para interceptá-la. “3 Horas para Viver”, dirigido por Scott Waugh, reúne os ingredientes de um típico filme de ação. O problema é que, entre perseguições, tiros e explosões, falta algo que faça essa mistura sair do lugar-comum.

Alan Ritchson interpreta Hank Malone, um ex-militar que agora trabalha com entregas especiais. A apresentação do personagem está entre os momentos mais divertidos: em um dos serviços, ele precisa transportar um pássaro de um milhão de dólares da casa de um homem rico até a residência da ex, do outro lado da rua. É um absurdo simples e engraçado, que sugere uma aventura capaz de brincar com a própria proposta.

A rotina muda quando Hank aceita uma encomenda de última hora no aeroporto: um fígado que precisa chegar ao hospital em apenas três horas para salvar uma menina de sete anos. O pacote, porém, vem acompanhado por Ben Bishop, interpretado por Owen Wilson, cuja presença é uma condição para o transporte. Naturalmente, o que deveria ser uma entrega complicada vira uma guerra.

Quem está atrás do órgão é Damián Zaldívar, vivido por Rodrigo Santoro. O criminoso quer o fígado para salvar a própria mãe, que está morrendo. Essa motivação poderia acrescentar algum peso ao conflito: de um lado, uma criança; do outro, um filho disposto a qualquer coisa pela mãe. Mas o filme prefere usar o dilema como combustível para mais ação, sem explorar muito o que existe ali.

Santoro também protagoniza uma das escolhas mais curiosas do roteiro. Seu personagem é filho de uma colombiana, a história se passa na Austrália e, ainda assim, ele fala português o tempo todo. Pelo que o filme apresenta, não há explicação para essa relação com o idioma: nenhuma passagem pelo Brasil ou informação sobre a nacionalidade do pai que ajude a preencher a lacuna.

Para o público brasileiro, ao menos, isso rende uma diversão involuntária. Ouvir Santoro xingando o grandalhão interpretado por Ritchson em português está entre os pequenos prazeres da sessão. É engraçado, embora também chame atenção para a falta de cuidado com a construção do personagem.

Ritchson entrega a presença física que o papel exige, enquanto Owen Wilson ajuda a sustentar os momentos de humor como Ben Bishop. Há bastante movimentação, mas a sucessão de confrontos não se transforma em uma experiência especialmente empolgante. Mesmo com um órgão para entregar e um relógio correndo, falta tensão para fazer o espectador sentir essa urgência.

Logo no começo, Hank aparece estudando francês. O motivo fica guardado para uma revelação posterior, que não cabe estragar aqui. Basta dizer que a tentativa de surpresa é bastante previsível. O roteiro planta a informação com tanto destaque que praticamente pede ao público para esperar sua explicação.

“3 Horas para Viver” termina como um filme de ação mediano, com cara de produção feita para a televisão. Tem algumas situações engraçadas, um elenco conhecido e explosões suficientes para preencher a sessão, mas pouco que permaneça depois dela.

Para assistir em casa, sem grandes expectativas, pode funcionar como passatempo. Para pagar um ingresso de cinema, a entrega fica devendo.


NOTA: ❤

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