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A Revolução dos Bichos é uma adaptação que suaviza a força do clássico de Orwell

  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

Por: Rodrigo Carvalho


A nova adaptação de Animal Farm, intitulada A Revolução dos Bichos, tenta atualizar um dos maiores clássicos políticos da literatura para uma nova geração. E talvez esse seja justamente o maior problema do filme: na tentativa de modernizar e suavizar a obra, acaba perdendo parte da força, do peso e da crítica brutal que fizeram o livro de George Orwell atravessar décadas.


Como alguém que leu o livro há algum tempo e guarda muito apreço pela obra original, fiquei curioso ao descobrir que a animação teria um elenco de voz tão forte, com nomes como Andy Serkis, Seth Rogen, Gaten Matarazzo, Steve Buscemi, Glenn Close e Laverne Cox. O elenco realmente entrega carisma aos personagens, mas nem isso consegue compensar algumas escolhas narrativas questionáveis.


O começo do filme é apressado demais. A animação praticamente joga o espectador direto no conflito principal sem construir direito aquele sentimento de revolta crescente dos animais. No livro, a conquista da fazenda acontece de maneira mais gradual, mostrando aos poucos a união dos bichos contra os humanos. Aqui, em poucos minutos, tudo já explode e a revolução acontece quase instantaneamente. Falta desenvolvimento, tensão e preparação emocional.

O roteiro de Nicholas Stoller também adiciona novos elementos para dar mais dinamismo à história e aproximá-la do público atual. A principal novidade é a vilã Freida Pilkington, uma magnata gananciosa interpretada por Glenn Close. A personagem funciona como uma releitura do Sr. Pilkington do livro original e cria alianças políticas com o porco ditador Napoleon, dublado por Seth Rogen.


Outra mudança importante é Snowball, que agora se torna uma porca interpretada por Laverne Cox. Além disso, o filme introduz Lucky, um jovem porco vivido por Gaten Matarazzo, criado especialmente para a adaptação. Ele funciona como nossos olhos dentro da narrativa, acompanhando a corrupção moral do novo regime animal. Apesar de ser um recurso bastante comum em filmes familiares, a ideia funciona relativamente bem, principalmente para conectar o público jovem à trama.


A essência da história continua lá: animais se rebelam contra o dono da fazenda e tentam construir uma sociedade igualitária, apenas para ver tudo ruir lentamente quando Napoleon assume o controle e começa a transformar os porcos exatamente naquilo que eles juravam combater. A crítica política segue presente, mas muito mais diluída.


E talvez seja justamente aí que a adaptação mais decepcione. Algumas das cenas mais marcantes e perturbadoras do livro não recebem o impacto necessário. A alteração gradual dos mandamentos, os animais andando sobre duas patas e a transformação quase completa dos porcos em humanos deveriam causar desconforto e choque. No filme, tudo parece mais leve, mais rápido e menos ameaçador.


O final também entrega claramente essa intenção de suavizar a obra. Enquanto o livro termina de maneira amarga, pesada e extremamente pessimista, a animação opta por um encerramento mais esperançoso, provavelmente para não assustar o público infantil. É compreensível comercialmente, mas artisticamente enfraquece a mensagem.


No fim, A Revolução dos Bichos não é um desastre, mas também está longe de ser a adaptação definitiva da obra de Orwell. É um filme simples, às vezes divertido, com boas atuações de voz e algumas ideias interessantes, mas que nunca alcança a profundidade, a inteligência e o impacto do material original.


Vale assistir por curiosidade. Mas vale muito mais a pena ler o livro.


NOTA: 🐷🐷

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