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Agosto Dourado: doação de leite materno é ferramenta vital para a recuperação de bebês prematuros

  • há 48 minutos
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A Doação de Leite Materno, um gesto simples de solidariedade, pode ser o fator determinante para a sobrevivência de recém-nascidos prematuros e internados. Referência no setor, o Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS) foi pioneiro ao ser o primeiro hospital da rede privada do Brasil a criar um Banco de Leite Humano (BLH), há mais de 20 anos.


Considerado um alimento "padrão ouro", o leite materno – tema da campanha Agosto Dourado – é insubstituível para o desenvolvimento imunológico e neurológico dos bebês. Segundo a Dra. Sandra Lins, coordenadora de Neonatalogia do HSLS, o leite materno funciona, na prática, como um "remédio". "Ele fortalece o sistema imunológico, protegendo de infecções mais graves, auxilia no desenvolvimento cerebral e aumenta ainda mais o vínculo entre mãe e bebê", explica a médica.


Para bebês prematuros internados em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), o impacto é ainda mais profundo. Parte dos bebês em UTIs Neonatais dependem do leite doado para evoluírem positivamente até a alta hospitalar. O aleitamento materno exclusivo é capaz de reduzir em até 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças com menos de cinco anos, de acordo com dado citado pelo Ministério da Saúde.


O caminho do leite doado


O Banco de Leite do HSLS funciona sob um rigoroso protocolo de segurança que garante a integridade do alimento desde a coleta na casa da doadora até o consumo pelo receptor. De acordo com a enfermeira Sheila Almeida, coordenadora da linha Materno Infantil do hospital, o leite materno é essencial para evitar complicações graves em prematuros, como a enterocolite necrosante (grave inflamação intestinal) e a sepse neonatal.


O processo de doação segue etapas fundamentais de segurança biológica, que começa pela avaliação de saúde e dos exames realizados nos últimos três meses. A partir daí, a doadora recebe um kit completo com frascos esterilizados, máscara, gorro e etiquetas. Em seguida, o leite é mantido congelado e recolhido pela equipe do hospital ou entregue diretamente no Banco de Leite. Por fim, passa por processos que eliminam microrganismos patogênicos sem perder propriedades nutricionais, além de testes físico-químicos e microbiológicos.


"A segurança do leite é garantida por várias etapas que incluem análises microbiológicas e rastreabilidade total, seguindo as normas da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano e do Ministério da Saúde", detalha Sheila Almeida.


Derrubando mitos: qualquer quantidade salva vidas


Um dos principais desafios para aumentar o volume de doação é o desconhecimento sobre a quantidade necessária. Muitas mães acreditam que precisam produzir um volume alto, o que é mito. "Temos bebês que precisam de apenas 1 ml por vez. Qualquer quantidade é muito importante dentro da UTIN e pode beneficiar muitos recém-nascidos", afirma a Dra. Sandra Lins.


Na prática, apenas 300 ml de leite materno doado podem alimentar até 10 recém-nascidos prematuros em um único dia. Outro temor comum é de que a doação possa fazer falta para o próprio filho, o que não ocorre, pois a produção de leite é estimulada pela própria ordenha.


Para ser doadora, os critérios básicos são: estar saudável, amamentando, produzir excedente, não fumar e não usar medicações incompatíveis com a amamentação. O Hospital Santa Lúcia oferece acolhimento e suporte gratuito, disponibilizando todos os materiais necessários para a coleta.

Vinte e quatro anos de pioneirismo na rede privada


O surgimento do BLH do Hospital Santa Lúcia Sul em 2002 marcou a história da assistência neonatal privada no Distrito Federal e no Brasil. O projeto foi desenhado para oferecer o mesmo nível de excelência encontrado na rede pública brasileira, que é referência mundial em bancos de leite para mais de 20 países. Hoje, o HSLS continua sendo um pilar educativo, instruindo novas mães sobre a importância da amamentação exclusiva até os seis meses, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).


O Banco de Leite Humano funciona todos os dias, das 7h às 19h. Mães interessadas em fazer a doação podem entrar em contato pelo número (61) 3445-0319

Processo de cura


O Banco de Leite Humano do Hospital Santa Lúcia Sul foi palco de uma história comovente. Em setembro de 2025, em sua segunda gestação de gêmeos, a influenciadora digital e empresária Clara Maia perdeu um dos bebês após desenvolver síndrome de transfusão feto-fetal, causada por um desequilíbrio no fluxo sanguíneo entre os bebês. A condição levou ao parto prematuro de Theo, que sobreviveu, e Túlio, que não resistiu.


Enquanto acompanhava a recuperação de Theo na UTI neonatal, Clara encontrou na doação de leite materno um gesto que, aos poucos, ajudou a reorganizar a própria dor. “Eu acho que a doação me encontrou. Na UTIN, apesar de todo o medo, eu enxergava a chance de o Theo viver. Então eu chegava ali muito grata. E, conforme fui conhecendo outras mães e outros bebês, comecei a ver uma parte do Túlio em cada um deles”, relembra.


Ao longo da internação, Clara doou 14 litros de leite materno ao Banco de Leite Humano. A rotina exigia ordenhas frequentes, hidratação intensa e uma dedicação diária que, segundo ela, também se tornou um processo de cura. “Era um momento muito meu. Um momento de ressignificar tudo aquilo que tinha acontecido”, conta.


A experiência ganhou ainda mais significado em um encontro inesperado nos corredores da UTI. Enquanto seguia para a sala de ordenha, Clara foi abordada pelo pai de uma bebê prematura alimentada com o leite doado por ela. “Ele me agradeceu chorando. Disse que a filha dele estava se alimentando graças àquela dedicação. Foi um dos momentos mais marcantes que vivi. Você entende que não está só alimentando bebês, mas também esperança”, conta.


Hoje, Clara incentiva outras mães que podem doar a conhecerem o processo, mesmo diante dos desafios da rotina de ordenha. “A doação é um processo desafiador. Você precisa ter uma rotina de ordenha com horários certos, uma boa alimentação, uma hidratação excelente, mas vale cada esforço. Saber que eu pude fazer parte da vida de tantos bebês em um momento tão delicado é algo muito gratificante”, comenta.

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