Alugar em Brasília vira maratona e a “ajuda” das imobiliárias, muitas vezes, atrapalha
- Rodrigo Carvalho

- há 1 dia
- 2 min de leitura

Encontrar uma sala comercial, uma kitnet ou um apartamento para alugar no Distrito Federal tem deixado de ser apenas uma questão de preço, localização e metragem. Para muita gente, o maior obstáculo aparece antes mesmo da visita: o atendimento. Em relatos que se repetem nas redes sociais e em plataformas de reclamação, candidatos a locatários descrevem um roteiro frustrante de mensagens ignoradas, respostas vagas, dificuldade para agendar visitas, falta de informações básicas e uma postura que, na prática, parece desestimular a negociação.
A sensação, para quem está do outro lado, é simples e incômoda: há imobiliárias que agem como se não quisessem alugar o próprio imóvel que anunciam.
Em páginas de queixas públicas, aparecem padrões recorrentes: visita marcada e não realizada, falta de retorno, demora para liberar chaves, tratamento ríspido e desorganização no processo. Há reclamações que relatam agendamentos não cumpridos e, em alguns casos, o status de “não respondida” pela empresa mesmo após a publicação da queixa.
Outras manifestações apontam atendimento considerado desrespeitoso e resistência a ajustes ou diálogo, o que faz a busca por um imóvel virar uma sequência de tentativas frustradas, ainda que o contato seja feito de forma digital.
Quando o assunto é ponto comercial, a pressão do mercado ajuda a explicar a ansiedade de quem procura. O Índice FipeZAP Comercial registrou alta acumulada de 21,15% em 12 meses para locação comercial em Brasília, segundo dados divulgados em agosto de 2025.
Com o aluguel mais caro, o candidato a inquilino tende a decidir rápido, mas encontra um funil de atendimento que não flui.
Já no mercado residencial, o mesmo indicador apontou que, em 12 meses até julho de 2025, Brasília teve recuo de 1,26% no preço da locação, com valor médio de R$ 47,29 por metro quadrado naquele mês. Mesmo assim, o custo absoluto segue elevado para boa parte da população, especialmente para quem busca unidades pequenas e bem localizadas, como kitnets e studios, que mantêm alta demanda.
A crítica mais recorrente entre quem tenta alugar é que o comportamento de parte das imobiliárias não prejudica apenas o inquilino, mas também o dono do imóvel.
O proprietário tem clareza de quantas visitas deixam de acontecer por falta de retorno? Sabe se propostas são descartadas porque ninguém explicou regras, garantias exigidas, taxas ou documentação? Em um mercado competitivo, imóvel parado representa prejuízo, e atendimento ruim aumenta o tempo de vacância.
Para quem se sente lesado ou quer formalizar uma queixa, é possível registrar denúncias junto ao CRECI-DF, por meio da ouvidoria e da plataforma Fala.Br, além dos canais tradicionais de defesa do consumidor, como o Procon. Dependendo da situação, também é possível recorrer ao Juizado Especial Cível.
Em um cenário no qual alugar um imóvel em Brasília já exige fôlego, dinheiro e paciência com exigências burocráticas, o mínimo esperado é um processo claro, ágil e respeitoso. Quando isso não acontece, o mercado perde credibilidade.
Quem paga a conta são os inquilinos, os proprietários e até as imobiliárias que trabalham corretamente e acabam sendo colocadas no mesmo saco por um problema que poderia ser resolvido com algo básico: bom atendimento.










Comentários