Aniversário de 62 anos | Mostra coletiva | Curador Carlos Silva | Galeria Casa


Com obras de artistas de origens e gerações diversas, a exposição celebra o empenho coletivo na construção de um princípio de civilização que comemora 62 anos de vivência crítica e criativa

No dia 2 de abril, sábado, a partir das 14h, a Galeria Casa abre a programação de aniversário da capital federal com a mostra coletiva “Uma e muitas Brasílias: Aniversário de 62 anos”, com obras de 14 artistas de diferentes gerações e origens que realizam interpretações possíveis de Brasília. Com curadoria de Carlos Silva, a exposição apresenta obras em bordado, desenho, escultura, fotografia e instalação dos artistas visuais Cadu Alves, Clausem Bonifácio, Cris Coelho, Danielle Dumoulin, Débora Passos, Gu da Cei, Laura Biato, Lis Marina Oliveira, Patrícia Bagniewski, Quentin Germain, Rodolfo Ward, Tatiana Reis, Thiago Pinheiro e Tsolak Topchyan. A mostra fica em cartaz até o dia 24 de abril, com visitação de terça a sábado, das 14h às 22h, e no domingo, das 12h às 20h. A Galeria Casa fica no Casapark, Piso Superior, dentro da Livraria da Travessa.

A mostra “Uma e muitas Brasílias: Aniversário de 62 anos” é resultado de pesquisas e visitas a ateliês de artistas que transitam pela cidade. O curador Carlos Silva comenta que optou por mesclar heranças e tradições de artistas de Brasília, da região do Entorno e estrangeiros que se dedicaram à paisagem local, como tributo, ora lírico, ora crítico. “Temos artistas de variadas gerações e com diversas técnicas de linguagem visual. A combinação entre as obras se dá por um vínculo amoroso com a cidade, nem sempre regado a sorrisos e flores, mas com um potencial de transformação em permanente pesquisa e desdobramento”, ressalta o curador.

Os artistas que participam desta mostra “emprestam suas forças para a geração de um circuito integrado entre o objeto artístico e as pessoas. Nesse caso, a Galeria Casa afirma-se como um ponto de referência da arte contemporânea em Brasília ao promover a difusão de diversas linhas de pesquisa. As obras, todas herdeiras de princípios modernistas, organizam um pequeno panorama da produção atual do planalto central que conecta as pessoas entre si e garante a intensificação da fruição, da interação entre as pessoas e os objetos de arte. A exposição é um tributo ao empenho coletivo na construção de um princípio de civilização que comemora 62 anos de vivência crítica e criativa”, completa Carlos Silva.

Sobre artistas e obras

Cadu Alves, que se atribui o pseudônimo homizio, é artista plástico que trabalha sobre a perspectiva do tempo, das incertezas, do vazio e da profundidade dos sentimentos na organicidade e simplicidade de uma poética autorreferenciada e biográfica.

Para a mostra o artista apresenta duas esculturas em homenagem aos grandes artistas que contribuíram com a construção das paisagens de Brasília. “Escultura que une artista e obra em suas singularidades de traços, fazendo com que se pareçam com monumentos, deixando em evidência a passagem do tempo como um poema escrito em papel antigo”, afirma.

Clausem Bonifácio começou na fotografia aos 18 anos, quando se muda para os Estados Unidos para estudar. De volta ao Brasil, começou a trabalhar como repórter fotográfico. Em 1992, foi fotógrafo oficial da comitiva do oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau durante o Eco 92. Em 1995, fez sua primeira exposição fotográfica sobre a cena da música em Brasília. Fotografou moda, viagem, festivais de música, arquitetura e design de interiores, publicando em diversas revistas nacionais como Casa Cláudia, Vogue, Revista Kaza, entre outras. Atualmente, dedica-se à fotografia autoral e realiza exposições como “Brasília em Athos”, Espaço Cultural Renato Russo, 2019.

Na Galeria Casa, o fotógrafo apresenta a série fotográfica “Brasília – um vazio que ninguém preenche”, em que registra a capital federal no dia 21 de abril de 2020, logo após o início da pandemia da COVID-19 e aniversário de 60 anos da cidade. “É uma reflexão sobre o descoramento da cidade, que não é meramente circunstancial. Essas fotografias nos dão a oportunidade de observar o abandono sobre os nossos patrimônios materiais e culturais. Patrimônios que dividimos com a humanidade sob o título recebido pela Unesco às vésperas de completarmos 28 anos”, afirma o fotógrafo.

Cris Coelho, de Brasília, é artista e professora de Artes Plásticas. Trabalha com as linguagens da pintura, desenho, colagens e fotografia. Atualmente, seu trabalho está voltado para a fotografia com colagens de objetos relacionados à costura e bordados; explorando temas sobre a morte, cores, vida, contrastes de luz e sombra, poesia, ausência e presença. Já participou de exposições na Faculdade Dulcina de Moraes, entre 2007 a 2010, na Galeria da UnB, em 2012, e na Galeria Elefante, 506 Asa Norte, em 2016.

A artista fotografa fotografias desde que perdeu a avó, em 2009, depois de achar o livro de anatomia escondido nos pertences dela. O trabalho se compromete com uma reflexão filosófica em torno de questões fundamentais para a arte contemporânea, como é o caso da morte, da presença ou da ausência do referente, da interação passiva ou ativa na fruição, da permanência e da transitoriedade do tempo e do espaço como constituidores da vida, entre outros.

Dani Dumoulin caminha pela poética do cotidiano da periferia, buscando os entremeios e miudezas das histórias vividas. Seu trabalho tem como técnicas preferidas a fotografia, o desenho e a instalação sendo uma forma de expandir e se aproximar das realidades criadas, tendo suas montagens sempre fluidas de acordo com os ambientes.

Fragmentos”, instalação que a artista apresenta na Galeria Casa, faz parte de uma pesquisa poética sobre os espaços em que vivemos e abstraímos. Ambientes miméticos onde nos perdemos e achamos. Dos materiais colhidos geram percepções e prospecções sobre onde e como construímos nossas vivências. Histórias que desvivem ou revivem em novas estruturas. Uma pesquisa em constante construção e diversas montagens.

Débora Passos nasceu em Teresina - PI, em 1988. Bacharel em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília (2012) e arte-educadora (2009), a artista visual participou de diversas exposições coletivas pelo Distrito Federal, em espaços como: Museu Nacional da República, Caixa Cultural, Elefante Centro Cultural, Museu Correios, DeCurators, A Pilastra, entre outros.

Atualmente, desenvolve pesquisas com bordado livre, desenho e aquarela. Essas linguagens transitam livres em trabalhos cujos assuntos são, principalmente, os corpos femininos e vegetais (série Ginófitas); a memória e a ancestralidade (séries Seio e Portais); e aspectos simbólicos e oníricos (série Serpentes). Para a mostra na Galeria Casa a artista apresenta a série de bordados “Seio”. O trabalho é feito com técnicas de bordado livre, utilizando fios de cabelo da artista, de sua mãe e de outras mulheres junto com outros tipos de linha, como de algodão e seda.

Gu da Cei é filho de maranhenses, artista visual, produtor cultural, curador da Galeria Risofloras, bacharel em Comunicação Social e mestrando em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Desenvolve o seu trabalho artístico no âmbito da intervenção urbana, instalação, poesia, performance e vídeo, além de buscar compreender as possibilidades dialógicas entre processos históricos e contemporâneos da fotografia, bem como seus espaços de exibição e circulação. Discute vigilância, imagem, direito à cidade e transporte coletivo. Ganhou o Prêmio de Arte Contemporânea Transborda Brasília e foi selecionado para o Prêmio EDP nas Artes, realizado pelo Instituto Tomie Ohtake.

O artista apresenta duas obras em fotografia, sendo uma delas “Vila do IAPI”, o resultado de uma intervenção urbana. A área da Vila do IAPI, que abrigava famílias removidas para dar origem à Ceilândia - DF, hoje é o "Setor de Mansões IAPI". Nunca foi uma questão ambiental, mas sim de classe social. A IAPI fica localizada nas proximidades do Museu Vivo da Memória Candanga, entre a Candangolândia e o Núcleo Bandeirante. “Placa instalada por mim em 12 de setembro de 2021, Dia do Candango, para demarcar o território que é de Ceilândia. Em 1971, a Campanha de Erradicação de Invasões removeu 82 mil pessoas para Ceilândia, local que, na época, não tinha infraestrutura urbana ou comunitária. A transferência da população para a região localizada a cerca de 30 km do Plano Piloto de Brasília acarretou uma drástica queda da qualidade de vida das pessoas”, diz o artista.

Laura Biato nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criada em Brasília. Entre idas e vindas, hoje mora na capital federal. Na adolescência, foi atleta, o que fez com que se apaixonasse pelo movimento e escolhesse a educação física como profissão. Deu aulas por 20 anos no seu estúdio focado em saúde e qualidade de vida. Nesse período, sua produção artística era uma forma de descanso e relaxamento. “Foi somente no ano de 2000, que trouxe a pintura como trabalho para a minha vida. Grávida do meu filho, me permiti ter mais tempo para mim e, com isso, pude experimentar a liberdade da criação. Foi daí que veio a pintura em porcelana. Criei uma identidade já na primeira coleção de louças, azulejos e decoração, migrando, em seguida, para as joias em porcelana e prata”, afirma. Em 2019, mudou-se para a Austrália, de onde voltou em 2021. Devido ao isolamento imposto pela pandemia, expandiu seu traço e passou a pintar todas as paredes da casa. Seus desenhos estampados nas joias ganharam outras dimensões sem perder a delicadeza e a simplicidade. Assim, surgiu a flor da Laura.

Para a mostra na Galeria Casa, a artista apresenta os desdobramentos dessa experiência com o traço da flor em pintura com aquarela e poesia. “Essa flor ganhou vida, desabrochou e virou minha marca, estampada nas roupas, paredes e peles da cidade. Sigo sem saber para onde a arte irá me levar, mas com a certeza de que ela sempre fará parte da minha vida.”

Lis Marina Oliveira é artista visual. Nasceu em 1957 em Rio Verde (GO). Vive e produz em Brasília, tendo chegado à capital em 1972. Sua pesquisa engloba vários campos da arte contemporânea, como fotografia, performance, instalação, objeto e escultura. A rudeza do concreto modernista, típica da cidade, é uma base para o desenvolvimento de suas vivências e de suas derivas. As pedras portuguesas, típicas dos calçamentos que se soltam livremente, passam a compor parte de seu arcabouço poético-objetual.

Os objetos tridimensionais que apresenta na mostra trazem certos elementos da paisagem natural e cultural que tomam lugar em suas pesquisas, como o cimento e o vergalhão. Outra base de sua poética é a insistência em lidar com o obscuro, que se apresenta para nós ainda sem nome. A artista busca então, quase em um transe delirante, conjugar opostos e justapor ambiguidades, como suspender o que é pesado, como atravessar uma folha de chapéu de couro com pespontos alinhavados de uma costura primordial, anterior ao sistema técnico-industrial. Dentro de sua pesquisa é possível encontrar poesias que nos levam às nuvens e/ou nos trazem ao rés do chão. Sua obra dá testemunho de uma força que se abre às incertezas do viver.

Patrícia Bagniewski é uma artista visual que nasceu em Brasília, em 1977. Seu trabalho tem foco na pesquisa do material vidro e suas técnicas, explorando seu conceito antagônico fragilidade/dureza, perto/longe, e do tempo em suspensão. Já participou de diversas exposições nacionais e internacionais como “II Salão Mestre D`Armas”, Brasília; "16º Salão Nacional de Arte de Jataí"; "Prêmio Vera Brant", “International Biennale of Glass of Bulgaria”; “Unbreakabable: Women in Glass