Bloco do Autocuidado Psiquiatra alerta sobre a importância de respeitar o corpo, as emoções e o direito de dizer não durante os dias de folia
- Rodrigo Carvalho

- há 3 horas
- 2 min de leitura

O Carnaval é tradicionalmente associado à alegria, ao excesso e à quebra da rotina. Mas, para além da festa, o período também pode ser um desafio para a saúde mental. A psiquiatra Dra. Daniele Oliveira chama a atenção para a importância do autocuidado emocional durante os dias de folia, reforçando que curtir o Carnaval não deve significar ultrapassar limites físicos, emocionais ou psicológicos.
Segundo a especialista, existe uma pressão social silenciosa para que todos vivam o Carnaval da mesma forma, o que pode gerar desconforto, culpa e desgaste emocional. “Nem todo mundo gosta de multidão, de barulho, de virar a noite ou de consumir álcool. E está tudo bem. O Carnaval não precisa ser uma prova de resistência”, destaca.
Autocuidado também é escolha
Para a psiquiatra, cuidar da saúde mental passa por fazer escolhas conscientes e alinhadas com o que cada pessoa tolera e deseja viver. “Autocuidado é saber escolher onde ir, com quem estar e por quanto tempo permanecer. É respeitar os sinais do corpo e das emoções, mesmo quando o ambiente estimula o excesso”, explica.
Ela lembra que sintomas como irritabilidade, cansaço extremo, ansiedade e sensação de esgotamento não devem ser normalizados apenas por se tratar de um período festivo. “O corpo fala o tempo todo. Ignorar esses sinais pode transformar um momento que deveria ser leve em algo adoecedor”, afirma.
O direito de dizer não
Outro ponto destacado pela especialista é a dificuldade que muitas pessoas têm de impor limites durante o Carnaval. Convites insistentes, comparações e expectativas alheias podem levar alguém a se colocar em situações desconfortáveis apenas para agradar. “Dizer não também é uma forma de cuidado. Não precisamos nos violentar emocionalmente para corresponder ao que os outros esperam”, pontua.
De acordo com a psiquiatra, aprender a dizer não reduz sentimentos de culpa e ajuda a preservar a saúde mental, especialmente em períodos de intensa estimulação social. “Escolher ficar em casa, viajar para um lugar mais tranquilo ou simplesmente descansar também é uma forma legítima de viver o Carnaval”, reforça.
Folia com consciência emocional
Para atravessar o Carnaval de forma mais saudável, a especialista orienta atenção ao consumo de álcool, ao sono e à alimentação, além de respeitar as pausas e limites pessoais. “Não existe uma forma certa de curtir o Carnaval. Existe a forma que faz sentido para cada um”, resume. Para ela, cuidar da saúde mental não significa abrir mão da alegria. "Significa incluir o respeito por si mesmo nas escolhas que fazemos, inclusive durante a folia”, conclui.










Comentários