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Capacitismo: atletas colegas de Vinicius Rodrigues explicam como evitar o preconceito que atinge pessoas com deficiência


A temática do capacitismo, que é a discriminação contra pessoas com deficiência, vem tomando conta das redes sociais desde que o paratleta Vinicius Rodrigues foi anunciado no Big Brother Brasil 24. Após comentários de participantes durante a primeira prova do líder, o debate sobre o que deve ser evitado na hora de falar sobre uma pessoa com deficiência movimentou diversos perfis na web. Esta é a segunda vez que o maior reality do Brasil recebe pessoas com deficiência em 24 anos de história. Contando com esta edição, foram 397 participantes no total, contabilizando 0,5% de PCDs. A estimativa é que, no Brasil, essas pessoas contabilizem 8,9% da população. O dado do BBB indica uma subrepresentatividade, e até por isso mostra sua relevância, uma vez que o tema em alta torna-se mais familiar para o público, e ajuda a desmistificar e quebrar tabus quando o assunto é deficiência.

Como forma de manifestar apoio ao brother, outros paratletas que também usam próteses resolveram se manifestar sobre a questão e explicar alguns prontos que consideram importantes na luta contra o preconceito. É o caso de Daniel Dias, atleta paralímpico da natação, dono de 27 medalhas em sua história nas Paralimpíadas, e Andrey Garbe, outro nadador paralímpico, bronze nos Jogos do Rio 2016, além de ter conquistado o ouro no ParaPan de Lima (2019) e prata na edição de Santiago (2023).

Assim como Vinicius, tanto Daniel quanto Andrey são embaixadores da Ottobock, empresa que fabrica próteses e outros equipamentos de mobilidade. Os três utilizam os componentes desenvolvidos pela empresa, seja em suas competições, treinamentos ou na rotina fora do esporte.

Preconceito enraizado

Os dois paratletas da natação alertam sobre como o capacitismo pode prejudicar não só um participante de um reality show, como qualquer outra pessoa que tenha deficiência. "A discriminação é enraizada naquilo que você é ou se tornou independente de sua vontade, então atinge diretamente o emocional, a forma com que você se enxerga”, afirma Andrey. "O preconceito pode afetar tudo o que a gente vem construindo ao longo de tantos anos, de que somos iguais em nossas diferenças", comenta Daniel.

De acordo com Andrey, uma das formas comuns que as pessoas com deficiência enfrentam é serem infantilizadas. "É o pior dos tratamentos, como, por exemplo, não dirigir as perguntas ao deficiente e sim ao acompanhante, como se o deficiente fosse uma criança. A comunicação é essencial e a melhor forma de não ser capacitista é conversar com o deficiente". Para Daniel, a maneira mais adequada é pensar em como seria a conversa se a pessoa não fosse deficiente. "O melhor é evitar expressões que você não falaria para qualquer pessoa se não fosse alguém com deficiência. Não olhar para a deficiência e sim para o ser humano", diz.

Brincadeiras devem ser evitadas

Outra questão que incomoda os atletas são as brincadeiras. Por isso, na opinião de Andrey, devem ser evitadas em um primeiro contato. "Cada um sabe o ponto onde dói: o que pra um deficiente é motivo de risada, pra outro pode ser a gota d’água. Caso o deficiente crie amizade e te dê liberdade pra brincadeiras, isso se limita a sua intimidade com ele, não com outros", pondera.

Já Daniel acredita que o melhor é se referir a uma pessoa com deficiência pelo nome e não por apelidos relacionados a essa característica. "É claro que a gente cria amizades e você tem vínculos de anos e tem até a questão de chamar por um apelido, mas eu acredito que a forma mais certa de evitar algum problema ou desconforto é chamar pelo nome e tratando como se deve tratar qualquer pessoa", argumenta.

 O papel da tecnologia contra o capacitismo

A luta de atletas como Vinicius, Daniel e Andrey contra o preconceito também passa pelo uso de tecnologias de ponta que devolvem a eles a mobilidade e acessibilidade. Próteses como as que Vinicius levou para o programa, por exemplo, permitem que eles pratiquem esportes e tenham uma rotina diária de lazer e convívio social. "A minha prótese faz parte de mim para que eu possa ter qualidade de vida. Você mostrar a prótese e as qualidades dela e tudo o que nos dá de benefícios pode sim ajudar a combater o preconceito", comenta Daniel.

Depender de desconhecidos para fazer o que se precisa, segundo Andrey, pode reforçar o preconceito. Por isso, tecnologias avançadas proporcionam essa inclusão necessária às pessoas com deficiência. "No meu caso, sem a prótese seria necessário o uso das muletas que limitariam o uso das mãos e eu precisaria de auxílio para ações básicas do dia a dia. Por isso, o desenvolvimento dessas tecnologias é um passo gigantesco contra o capacitismo", finaliza.

Com a necessidade de abranger diferentes possibilidades de provas e situações dentro do programa, Vinicius levou para o reality três próteses: uma para o uso diário, que conta com um joelho protético eletrônico resistente a água, com algoritmos e programações que reagem imediatamente à detecção de movimentos; outra para atividades que envolvam água, que conta com um joelho protético mecânico à prova da água; e outra para corrida, com um joelho protético projetado com um desenho especial, alinhado à biomecânica da corrida em conjunto com uma lâmina de corrida.


Sobre a Ottobock

Fundada em 1919, em Berlim, na Alemanha, a Ottobock é referência mundial na reabilitação de pessoas amputadas ou com mobilidade reduzida por sua dedicação em desenvolver tecnologia e inovação a fim de retomar a qualidade de vida dos usuários. Dentro de um vasto portfólio de produtos, a instituição investe em próteses (equipamentos utilizados por pessoas que passaram por uma amputação); órteses (quando pacientes possuem mobilidade reduzida devido a traumas e doenças ou quando estão em processo de reabilitação); e mobility (cadeiras de rodas para locomoção, com tecnologia adequada a cada necessidade). A Ottobock chegou ao Brasil em 1975 e atua no mercado da América Latina também em outros países como México, Colômbia, Equador, Peru, Uruguai, Argentina, Chile e Cuba, além de territórios da América Central. Atualmente, no Brasil, são oito clínicas, presentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Salvador.


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