Câmara vai pautar projetos contra a adultização de crianças após vídeo de Felca viralizar
- Rodrigo Carvalho

- 11 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Após o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, provocar forte repercussão com um vídeo que denuncia a “adultização de crianças” nas redes sociais, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que irá pautar, já nesta semana, uma série de projetos que abordam o tema. A iniciativa visa enfrentar publicamente uma questão que vem se tornando cada vez mais preocupante: a exposição precoce e inadequada de menores na internet.
Felca publicou, na quinta-feira (7 de agosto), um vídeo com cerca de 50 minutos de duração — até o momento, com mais de 26 milhões de visualizações — em que apresenta denúncias de exploração de crianças por influenciadores, mostra como algoritmos podem entregar esse tipo de conteúdo a pedófilos e traz o depoimento de uma psicóloga sobre os riscos da superexposição digital em crianças e adolescentes.
Entre os casos citados estão o do influenciador paraibano Hytalo Santos, de 28 anos, que ostenta uma vida de luxo ao lado de crianças que chama de “filhos” — incluindo a adolescente Kamylinha Santos, de 17 anos, que aparece nas redes desde os 12 e teve seu perfil com mais de 10 milhões de seguidores suspenso. Hytalo já está sob investigação do Ministério Público da Paraíba.
Felca também trouxe à tona casos como o canal “Bel Para Meninas”, que entrou na mira do Ministério Público do Rio de Janeiro em 2020 por suposto comportamento abusivo da mãe, e o de Caroliny Dreher, que, segundo denúncias, teria conteúdos íntimos vendidos pela própria mãe para redes de pedofilia.
Oposição e especialistas reforçam: “É um assunto que causa repulsa, mas tem que ser falado”, destacou Felca, que afirmou estar preparado para enfrentar todas as consequências das denúncias feitas.
O que está em pauta?
PL 2628/2022, já aprovado no Senado, avançará na Câmara. O projeto prevê responsabilizar plataformas digitais pela proteção de crianças e adolescentes na internet, impondo o dever de cuidado e segurança aos provedores de tecnologia. O texto exige mecanismos de denúncia e remoção imediata de conteúdos considerados prejudiciais à infância, independentemente de ordens judiciais.
Segundo o portal R7, há ainda prioridade para votação de outras propostas que visam coibir a comercialização da infantilização e erotização precoce nas redes sociais e espaços digitais.
Por que isso importa?
O fenômeno da adultização precoce, que expõe crianças a vivências e responsabilidades próprias do adulto antes do desenvolvimento emocional e cognitivo adequado, tem sido amplamente estudado. Entre seus impactos, estão o aumento nos casos de ansiedade, depressão, dificuldades relacionais e compromissos com a criatividade e o ludismo infantil.
No ambiente digital, a exposição excessiva, frequente e com fins monetários pode potencializar essa problemática — limitando a infância das gerações mais novas, e colocando-as em risco de exploração e distorções de identidade.










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