Dia dos Pais pode impulsionar delivery e vendas de restaurantes em Brasília
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O Dia dos Pais, celebrado neste domingo, 9 de agosto, deve movimentar restaurantes de Brasília não apenas nos salões, mas também nas plataformas de delivery. Com a consolidação dos pedidos de comida por aplicativo, a data se apresenta como uma oportunidade para estabelecimentos ampliarem o faturamento ao transformar o almoço ou jantar em uma experiência de celebração dentro de casa.
Dados recentes do iFood ajudam a dimensionar a força desse mercado. Em março de 2026, a plataforma registrou seu maior fim de semana da história, com 22,2 milhões de pedidos entre sexta-feira e domingo, sendo mais de 7,7 milhões somente no sábado. O volume representou crescimento superior a 16% em relação ao recorde anterior, registrado em setembro de 2025.
O comportamento do consumidor também mostra que o delivery já faz parte da rotina. Segundo levantamento da Opinion Box divulgado pelo iFood, 47% dos entrevistados fazem pedidos por aplicativos pelo menos uma vez por semana ou a cada 15 dias. A pesquisa aponta ainda que 69% citam a praticidade de não precisar sair de casa como uma das principais razões para utilizar o serviço.
Dia dos Pais muda o comportamento de compra
Para o especialista em delivery e empreendedor Felipe Vecchi, fundador da Temakeria Universitária, datas comemorativas alteram não apenas o volume de pedidos, mas também a maneira como o consumidor escolhe o que vai comprar.
“Em uma data como o Dia dos Pais, o consumidor deixa de pensar apenas em resolver uma refeição e passa a pensar em criar um momento. Isso muda o comportamento de compra. Ele aceita pagar mais por uma experiência que faça sentido para a família e procura pratos que tenham cara de celebração, que possam ser compartilhados e que transformem o delivery em uma experiência de restaurante dentro de casa”, explica.
Segundo Vecchi, o Dia dos Pais está entre as principais datas do calendário do food service e concentra uma demanda especialmente relevante no almoço de domingo.
“O restaurante que quer aproveitar a data precisa entender que não é um domingo comum. A demanda fica concentrada em poucas horas e, por isso, estoque, equipe, capacidade de produção, embalagem e logística precisam ser planejados com antecedência. É uma oportunidade enorme de faturamento, mas quem não calcula a capacidade pode transformar uma grande venda em uma grande dor de cabeça”, afirma.
A estratégia, de acordo com o especialista, passa também pela criação de produtos específicos para a ocasião.
“Um combo ou prato exclusivo dá ao consumidor uma razão para escolher aquele restaurante. Em vez de vender apenas uma refeição, o estabelecimento pode montar uma experiência com prato principal, acompanhamento, bebida e sobremesa. O cliente não está necessariamente procurando o menor preço, mas aquilo que considera especial para o pai”, diz.
Delivery deixa de ser apenas conveniência
A mudança no perfil do delivery também aparece nos dados da plataforma. Em 2025, o iFood registrou 253 milhões de pedidos de lanches, quase 118 milhões de pedidos de culinária brasileira e 92 milhões de pizzas, mostrando a diversidade de refeições consumidas por meio do serviço. O jantar concentrou 487,7 milhões de pedidos ao longo do ano, quase o dobro do almoço.
Para Erick Passarelli, engenheiro químico e CEO da Receitaria Escola Gourmet, com formação em ciência aplicada à gastronomia pela Harvard University, o crescimento do delivery acompanha uma transformação na própria relação das pessoas com a comida.
“A comida deixou de ser apenas uma necessidade e passou a ocupar um espaço importante na construção de memórias. Em uma data como o Dia dos Pais, muitas famílias não estão simplesmente escolhendo o que comer. Elas estão escolhendo como querem passar algumas horas juntas, e a gastronomia participa diretamente dessa experiência”, afirma.
Segundo ele, a memória afetiva também influencia as escolhas.
“Os pratos que remetem à infância, às receitas da família e aos almoços de domingo têm uma força muito grande. Isso não significa que o consumidor rejeite a gastronomia sofisticada. Pelo contrário. Hoje existe espaço para reinterpretar receitas tradicionais, trabalhar ingredientes de qualidade e oferecer uma experiência mais elaborada sem perder a conexão afetiva”, explica.
O desafio é entregar uma experiência, não apenas uma refeição
Para os restaurantes de Brasília que pretendem apostar no delivery durante o Dia dos Pais, a preparação precisa começar antes do domingo. Cardápios muito extensos podem comprometer a operação justamente no momento de maior movimento, enquanto combos e menus especiais ajudam a organizar a produção e aumentar o ticket médio.
A embalagem também passa a ter papel estratégico. Como o consumidor não está dentro do restaurante, ela se transforma em um dos principais pontos de contato físico entre a marca e o cliente.
“Quando a comida chega à casa do consumidor, a embalagem passa a ser parte da experiência. Temperatura, apresentação, organização e até um pequeno cartão de Dia dos Pais podem fazer diferença. É esse cuidado que transforma uma entrega em uma celebração”, avalia Erick.
Felipe Vecchi acrescenta que a logística precisa ser tratada como parte da estratégia comercial.
“É melhor prometer 50 minutos e entregar em 45 do que prometer 30 e entregar em 80. Em uma data comemorativa, o atraso não compromete apenas uma refeição, ele pode comprometer o momento de uma família inteira. O restaurante precisa trabalhar com a capacidade real da cozinha, antecipar o pré-preparo e garantir entregadores antes do pico”, orienta.
Brasília tem espaço para diferentes formas de comemorar
O crescimento do delivery não significa necessariamente que as famílias estejam abandonando os restaurantes. As duas experiências podem coexistir. Parte do público continua preferindo sair para almoçar, enquanto outra parcela escolhe reunir a família em casa e pedir a refeição pronta.
Essa combinação amplia as possibilidades para os restaurantes brasilienses, que podem trabalhar tanto a ocupação dos salões quanto estratégias específicas para entrega.
Para Erick Passarelli, independentemente do formato, o elemento central continua sendo a convivência.
“O mais importante não é se o pai vai estar em um restaurante sofisticado ou sentado à mesa de casa. O que transforma a ocasião em uma memória é a presença das pessoas, a conversa e a experiência compartilhada. A gastronomia funciona como uma ponte entre essas pessoas”, afirma.
Com o delivery consolidado no cotidiano brasileiro e o volume de pedidos mantendo uma trajetória de crescimento, o Dia dos Pais representa mais uma oportunidade para os restaurantes de Brasília transformarem uma data comemorativa em negócio. A diferença, porém, estará menos na simples disponibilidade do delivery e mais na capacidade de criar uma experiência pensada para a ocasião.


