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Disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de uma doença vascular silenciosa nos homens

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

No Dia do Homem, celebrado em 15 de julho, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) alerta para a importância do diagnóstico precoce das doenças vasculares e destaca que a disfunção erétil pode ser um dos primeiros sinais de alterações na circulação. Esse sintoma merece atenção porque pode surgir anos antes de complicações cardiovasculares graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial obstrutiva dos membros inferiores. Em muitos casos, representa um importante alerta para a investigação da saúde vascular.

De acordo com o cirurgião vascular e integrante da Diretoria da SBACV-SP, Dr. Akash Kuzhiparambil Prakasan, 50% a 70% dos casos de disfunção erétil têm origem vascular e devem ser investigados, principalmente quando associados a fatores de risco cardiovasculares. "Quando um homem apresenta disfunção erétil, especialmente após os 40 anos ou na presença de fatores de risco, como diabetes, hipertensão, tabagismo e colesterol elevado, é fundamental investigar a circulação antes de tratar apenas o sintoma. Muitas vezes, esse é o primeiro alerta de que existe uma doença vascular em desenvolvimento", esclarece.

A explicação está no calibre das artérias. Como os vasos que irrigam o pênis são menores do que as artérias coronárias e as dos membros inferiores, eles costumam ser os primeiros a apresentar obstruções provocadas pela aterosclerose — doença caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias. Por isso, a disfunção erétil é considerada um marcador precoce de comprometimento vascular.

Homens costumam procurar ajuda quando a doença já está avançada

Outro desafio é o comportamento masculino diante da própria saúde. A resistência em procurar atendimento médico faz com que muitas doenças sejam diagnosticadas apenas em estágios mais avançados. "Os homens tendem a minimizar os sintomas e adiar a procura por atendimento, muitas vezes por questões culturais. Com isso, chegam ao consultório quando a doença já está avançada, reduzindo as possibilidades de tratamento e aumentando o risco de complicações", afirma o especialista.

Embora algumas doenças vasculares permaneçam sem sintomas por longos períodos, o organismo costuma emitir sinais que não devem ser ignorados. Dor nas pernas ao caminhar que só melhora com o repouso (claudicação intermitente), sensação de peso, inchaço, varizes, alterações na cor ou na temperatura dos pés e feridas que demoram a cicatrizar podem indicar alterações na circulação e merecem avaliação especializada.

Feridas que permanecem abertas por mais de duas a quatro semanas, especialmente nos pés e tornozelos, também exigem atenção. Em pessoas com diabetes, essas lesões aumentam significativamente o risco de infecções graves e amputações quando não recebem tratamento adequado.

Alterações silenciosas tendem a evoluir para quadros graves

Além da disfunção erétil, outras doenças vasculares também costumam evoluir de forma silenciosa. A aterosclerose, por exemplo, pode permanecer sem manifestações até desencadear um infarto, um AVC ou uma isquemia nos membros inferiores. O aneurisma da aorta abdominal também costuma crescer sem provocar sintomas e pode romper subitamente, colocando a vida do paciente em risco. Já a doença arterial periférica, muitas vezes, só é descoberta quando a circulação já está bastante comprometida.

Hábitos saudáveis ajudam a controlar os fatores de risco

Adotar um estilo de vida saudável continua sendo a medida mais eficaz para preservar a saúde vascular. Parar de fumar, praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, dormir bem e tratar adequadamente doenças como diabetes, hipertensão e colesterol elevado reduzem significativamente o risco de complicações.

Grande parte das doenças vasculares está relacionada a fatores conhecidos e, em muitos casos, modificáveis. Tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade e sedentarismo estão entre os principais responsáveis pelo comprometimento da circulação. "O cigarro continua sendo um dos maiores fatores de risco para doença vascular, pois acelera a aterosclerose e provoca lesões nas artérias. Já a hipertensão, o colesterol elevado e o diabetes comprometem progressivamente a circulação. Quando esses fatores se associam, o risco aumenta de forma exponencial", destaca Dr. Akash

Sem diagnóstico e tratamento adequados, essas alterações podem evoluir para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), isquemia crítica dos membros inferiores, amputações e ruptura de aneurismas da aorta.

A prevenção continua sendo a melhor estratégia

A SBACV-SP recomenda que homens sem fatores de risco iniciem a avaliação vascular a partir dos 40 anos. Já aqueles com diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo ou histórico familiar de doenças cardiovasculares devem conversar com o médico sobre a necessidade de antecipar esse acompanhamento.

A escolha dos exames depende da avaliação clínica individual. Entre os principais métodos está o eco Doppler vascular, exame não invasivo que permite avaliar artérias e veias e orientar a investigação de alterações da circulação.

Os homens desenvolvem doenças cardiovasculares, em média, uma década antes das mulheres, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento periódico.

Dr. Akash enfatiza que priorizar a saúde é uma atitude de responsabilidade consigo mesmo e com a família. "Cuidar da saúde não é sinal de fraqueza. A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar complicações graves. Conhecer os fatores de risco, manter hábitos saudáveis e procurar atendimento diante dos primeiros sinais podem fazer toda a diferença".

 

Sobre a SBACV-SP

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) é uma entidade sem fins lucrativos que representa os médicos que atuam nas especialidades de Angiologia e de Cirurgia Vascular no estado de São Paulo. A instituição tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular à população.


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