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Edifício Touring: palestra e visita guiada contam história de construções centenárias

há 1 hora
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O Museu da Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) promoveu, nesta segunda-feira (14/9), o oitavo encontro do Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal, com uma visita guiada e palestra “Edifício Touring: O Antigo Terminal Marítimo”, na Praça Mauá, na Zona Portuária. A programação reuniu magistrados, servidores, especialistas e visitantes interessados em conhecer a história e o patrimônio cultural da cidade pelos três pavimentos com linhas geométricas imponentes e vitrais originais que realçam a escadaria e a entrada do prédio com vista para a Baía de Guanabara.

Coordenado pelo Museu da Justiça, em parceria com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e o Palácio Tiradentes (Alerj), o projeto celebra quatro edifícios históricos que completam 100 anos em 2026: o antigo Palácio da Justiça, atual sede do Museu da Justiça; o Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa; o antigo Banco Transatlântico Alemão, atual sede do TRE-RJ; e o Edifício Touring.

Para a diretora do Museu da Justiça, Siléa Macieira, o circuito representa uma oportunidade de ampliar a atuação da instituição e aproximar o público de espaços que ajudam a compreender a formação da sociedade brasileira. “Estamos expandindo a atuação do Museu da Justiça, levando-o para além dos seus muros e transmitindo esse conhecimento. A ideia é falar dessa passagem do tempo aqui no Centro da cidade e gerar nas pessoas um outro olhar para um lugar por onde passamos diariamente. A pessoa vai sair daqui sabendo que prédio é esse e o que foi feito nele”, destacou.

Segundo Siléa, os quatro edifícios formam um corredor cultural e histórico que revela transformações urbanas, econômicas e sociais do Rio de Janeiro. A trajetória do antigo Banco Transatlântico Alemão, por exemplo, evidencia a presença de investimentos europeus na cidade, enquanto o Touring remete à importância da região portuária como ponto de conexão com outros países. “Além de cumprir a nossa missão de divulgar os valores da Justiça, queremos estabelecer parcerias e levar o museu para além dos próprios muros”, explicou a diretora.


Arquitetura e memória do antigo terminal marítimo

Os arquitetos Rafael Koury e Felipe Reigada conduziram a palestra sobre a história do edifício que foi reaberto para o público em janeiro, suas reformas e a relação com as transformações do Rio de Janeiro e do Brasil. Na sequência, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer detalhes da construção e de sua trajetória por meio de uma visita guiada.

Gerente de Educação Patrimonial do IRPH, Rafael Koury explicou que realizou uma pesquisa específica sobre o Touring para preparar a apresentação. Embora já estudasse a arquitetura art déco carioca e a história da Praça Mauá, o convite para participar do circuito possibilitou um aprofundamento sobre o prédio. “Já venho estudando o art déco carioca há algum tempo. Nunca tinha estudado especificamente o Touring, mas, como tive seis meses para me preparar, pude fazer uma pesquisa especialmente para esse evento e trazer informações sobre a história do prédio”, afirmou.


Rafael também ressaltou a importância da visita guiada, realizada com a participação do arquiteto Felipe Reigada, que acompanhou tecnicamente as reformas do edifício. A atividade permitiu aos visitantes conhecer as características arquitetônicas do espaço e compreender os desafios envolvidos na preservação do patrimônio.

Gerente de Obras do IRPH, Felipe Reigada destacou que a iniciativa contribui para valorizar a história e o patrimônio cultural como elementos fundamentais para a compreensão da sociedade. “Um cidadão que não conhece sua história acaba ficando com o seu futuro comprometido por não conhecer esse desenvolvimento. Quando falamos de artes e arquitetura, estamos falando também de expressões da vida humana e da vida em sociedade, elementos fundamentais para entender as transições tecnológicas e culturais”, afirmou.

O arquiteto também chamou a atenção para a necessidade de aproximar as novas gerações dos bens culturais, especialmente em um período marcado pelo avanço da tecnologia e da inteligência artificial. “Quando trazemos à tona esse passado, toda essa produção que tivemos, a humanidade como um todo, ancoramos esse conhecimento, evitando que ele se perca de uma forma mais superficial”, acrescentou.


 A importância de conhecer a história da cidade

 

Entre os participantes estava o desembargador Antônio Iloizio Barros Bastos, da 16ª Câmara de Direito Privado do TJRJ. Para ele, o circuito representa uma oportunidade de conhecer melhor a história do Rio de Janeiro e ampliar a compreensão sobre a relação entre cultura, arquitetura e sociedade. “Estou muito contente por participar desse importante evento, que mostra um pouco da história do Rio, da sua arquitetura e de um local que foi tão importante para o intercâmbio, onde desembarcaram muitas personalidades ao longo das décadas”, declarou.

O magistrado contou que o edifício também tem um significado familiar: seu pai, sua avó e seus tios chegaram ao Brasil vindos de Portugal e desembarcaram no local na década de 1950. “É um local de muita importância histórica, e eu parabenizo o Museu da Justiça por essa iniciativa de adicionar à cultura memórias que nós temos que conhecer. Muitas vezes, o carioca não conhece os seus locais históricos, que trazem muita cultura e nos ajudam a entender melhor a vida de hoje”, afirmou.

O desembargador ressaltou ainda que o contato com diferentes áreas do conhecimento contribui para a formação dos profissionais do Direito. “A decisão jurídica também se mescla de vários elementos, inclusive os culturais. Daí a importância dessas iniciativas”, completou.


A diretora do Departamento de Aperfeiçoamento de Magistrados da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), Patsy Schlesinger, destacou a relevância do circuito para a aproximação entre Direito, arte e patrimônio. “É um programa inédito que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está fazendo. Estou aqui com muita expectativa para esse programa de hoje”, disse antes de começar o evento.

Patsy explicou que a participação também se relaciona à preparação de um curso sobre Direito e Arte, previsto para 2027, sob a coordenação da desembargadora Andréa Pachá.

Olhar das novas gerações

O estudante Gustavo Henrique Schmitz Rigada participou da visita e contou que, embora já tivesse passado pela região da Praça Mauá, nunca havia entrado no Edifício Touring. Interessado em arquitetura e em diferentes manifestações artísticas, ele destacou a experiência de conhecer o prédio a partir das informações históricas apresentadas durante a atividade. “É perceptível que, dentro da construção, quando você analisa e tem um olhar com essa história por trás, consegue enxergar de uma forma diferente, aprender mais e entender melhor a história do Rio”, afirmou.

Para o estudante, iniciativas como o Circuito Centenário são importantes para preservar a memória e aproximar os jovens do patrimônio cultural, em um cenário de rápida transformação tecnológica. “A evolução da internet, da tecnologia e da inteligência artificial acaba, às vezes, tirando espaço das nossas manifestações artísticas, humanas e culturais. Por isso, é importante conhecer e valorizar esses espaços”, declarou.

Próximas atividades

O Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal terá continuidade com outras duas atividades no Museu da Justiça. Em outubro, será realizada uma palestra sobre Clarice Lispector e sua relação com o Antigo Palácio da Justiça, onde a escritora recebeu a cidadania brasileira em 1940. Em novembro, a programação será encerrada com uma palestra conduzida por historiadores do Museu da Justiça sobre crimes de repercussão e a forma como o Judiciário fluminense contribuiu para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da legislação brasileira.


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