Empreendedorismo cresce entre população vulnerável, mas cenário exige políticas mais efetivas
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O empreendedorismo tem sido apontado como um caminho para a inclusão produtiva no Brasil, mas os números revelam uma realidade que merece reflexão. Dados divulgados pelo governo federal mostram que quase 30% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) do país estão inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), principal instrumento de identificação de famílias em situação de vulnerabilidade social.
O levantamento também aponta que a maioria desses empreendedores é formada por mulheres (55,3%), pessoas não brancas (64%) e integrantes de famílias com três ou mais pessoas (51,3%). Mais da metade possui pelo menos o Ensino Médio completo, evidenciando que a formalização, muitas vezes, não é resultado de uma oportunidade de mercado, mas da necessidade de gerar renda.
Para Janine Brito, presidente do LIDE Mulher Brasília e CEO da Pinheiro Ferragens e do Grupo Pinheiro de Brito, os dados demonstram que o empreendedorismo brasileiro ainda é impulsionado, em grande parte, pela falta de alternativas no mercado de trabalho. "É preocupante quando empreender deixa de ser uma escolha e passa a ser a única alternativa de sobrevivência. Esses números mostram a capacidade de reação da população, mas também evidenciam que ainda falhamos em criar um ambiente econômico que ofereça empregos de qualidade e condições para que os pequenos negócios cresçam de forma sustentável."
Segundo a empresária, o desafio das políticas públicas não deve ser apenas incentivar a abertura de empresas, mas garantir que elas sobrevivam e se desenvolvam. "Abrir um CNPJ é relativamente simples. O difícil é manter o negócio funcionando diante da alta carga tributária, do acesso restrito ao crédito, da burocracia e da falta de capacitação contínua. O Brasil precisa deixar de celebrar apenas o número de novos empreendedores e passar a medir quantos conseguem prosperar depois dos primeiros anos."
Janine ressalta que o perfil predominante dos MEIs inscritos no CadÚnico, formado majoritariamente por mulheres, também exige um olhar mais atento do poder público. "As mulheres continuam assumindo o protagonismo na geração de renda das famílias, muitas vezes conciliando o empreendedorismo com o cuidado da casa e dos filhos. Políticas públicas voltadas ao crédito, à qualificação, à inovação e à redução da burocracia são fundamentais para transformar esses pequenos negócios em empresas competitivas e duradouras."
Na avaliação da empresária, o crescimento do empreendedorismo entre pessoas em situação de vulnerabilidade deve servir como alerta para que governos e setor produtivo trabalhem juntos na construção de um ambiente de negócios mais favorável, no qual empreender seja resultado de oportunidade e inovação, e não apenas de necessidade econômica.
Sobre a Pinheiro Ferragens – Fundada em 1960, a empresa nasceu com o objetivo de comercializar aço para a construção civil. De base familiar e pioneira na capital, foi responsável por oferecer grande parte dos materiais para a construção de Brasília. Atualmente, a empresa trabalha com um mix de mais de dois mil produtos comercializados e industrializados. Localizada no Setor de Indústrias de Brasília e Taguatinga, a loja possui moderna estrutura e serviços diferenciados.
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