Entre pianos e cofres: O Afinador entrega mais do que promete
- 9 de jun.
- 2 min de leitura

O Afinador é daqueles filmes que você assiste sem grandes expectativas e acaba saindo da sessão agradavelmente surpreso. Não porque seja uma obra-prima ou algo revolucionário, mas porque entrega uma experiência divertida, envolvente e melhor do que aparenta à primeira vista.
A trama acompanha Niki (Leo Woodall), um talentoso afinador de pianos que possui ouvido absoluto e uma sensibilidade extrema aos sons. Por conta disso, vive cercado por tampões e abafadores de ouvido para lidar com os estímulos sonoros do dia a dia. Sua vida muda quando ele descobre, por acaso, que consegue abrir cofres apenas ouvindo o som das travas internas. A habilidade incomum logo chama a atenção de criminosos especializados em roubos.
Quando seu mentor, Harry Horowitz (Dustin Hoffman), adoece gravemente e passa a acumular dívidas hospitalares, Niki vê no crime uma forma de ajudá-lo. Assim, ele mergulha em um mundo perigoso, utilizando seu dom para abrir cofres. Paralelamente, conhece Ruthie (Havana Rose Liu), uma pianista e professora por quem se apaixona. No entanto, ao envolvê-la em uma de suas confusões, acaba prejudicando a carreira da jovem, que perde a oportunidade de tocar com o maestro dos seus sonhos. A partir daí, Niki tenta consertar os próprios erros, mas descobre que cada decisão apenas o afunda ainda mais em problemas.
O filme lembra, em alguns aspectos, Ritmo de Fuga (Baby Driver). Assim como o protagonista daquele longa, Niki possui uma habilidade sensorial diferenciada que acaba sendo utilizada em atividades criminosas. A diferença é que, enquanto Baby é carismático e conquista o público rapidamente, Niki passa longe disso. O protagonista de O Afinador é, muitas vezes, apático e até irritante, o que dificulta a conexão emocional com o personagem.
Ainda assim, o filme compensa essa limitação com um ritmo eficiente. A narrativa alterna momentos de tensão, suspense e ação de maneira equilibrada, enquanto a história, inicialmente simples, cresce aos poucos até se transformar em uma verdadeira bola de neve de consequências cada vez mais complicadas para o protagonista.
No fim das contas, O Afinador não reinventa o gênero nem apresenta grandes surpresas, mas sabe contar sua história de forma competente. É um filme leve, divertido e envolvente, daqueles que cumprem muito bem sua proposta e conseguem entreter do início ao fim. Talvez você entre na sessão sem esperar muita coisa, mas há boas chances de sair gostando mais do que imaginava.
Nota: 🙉🙉







Comentários