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Exposição de Fernanda Fragateiro na Galeria Camões

  • 23 de out. de 2021
  • 5 min de leitura

O catálogo da exposição reúne textos de Luís Faro Ramos, Alexandra Pinho, Sol Camacho e uma conversa entre Fernanda Fragateiro e Paulo Tavare

A Galeria Camões recebe, a partir de 29 de outubro, a exposição inédita “Só é Possível se Formos 2”, da artista plástica portuguesa Fernanda Fragateiro. Nesta mostra, Fragateiro dialoga com o trabalho da arquiteta e designer ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992), conhecida por projetar o prédio do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP), além de trabalhos editoriais, de design e de cenografia. A realização da exposição é da Embaixada de Portugal e do Camões – Centro Cultural Português em Brasília e a visitação é gratuita, mediante agendamento prévio, observando todos os protocolos de segurança para a prevenção da Covid-19.


Artista reconhecida e premiada internacionalmente, Fragateiro tem uma obra caracterizada por relacionar arte e arquitetura de forma particular, provocando o público a refletir e interagir com as peças e o espaço que as abriga, como é o caso nesta mostra. Em “Só é Possível se Formos 2”, o prédio da Embaixada de Portugal, projetado pelo arquiteto português Raúl Chorão, reúne linguagem arquitetônica e paisagística moderna com diversas obras de arte integradas, oferecendo um contexto propício para a ambientação das obras de Fernanda Fragateiro.


A principal obra em questão é a releitura e composição espacial que Fernanda a partir dos estudos e desenhos de Lina Bo Bardi da “Cadeira de Beira de Estrada” (1967). Há várias possibilidades de como esta obra teria sido concebida por Lina: desde a ideia de uma invenção espontânea da artista enquanto esperava um ônibus até a inspiração de fotografias de uma aldeia africana e de um tear indígena de Mato Grosso, nas quais aparecem em uso o objeto em formato de tripé.


Em “Só é Possível se Formos 2”, Fragateiro valoriza as ideias de Lina como designer de mobiliário, designer gráfica, fotógrafa e observadora atenta das práticas de construção vernaculares e suas relações com o espaço social e político. “São múltiplas dimensões do trabalho da Lina no campo da arquitetura, da investigação da curadoria, da edição, e o seu forte compromisso com a pedagogia, que atravessa toda a sua prática, o que mais me interessa e onde me revejo”, reconhece Fernanda Fragateiro.


Concebida em meio à pandemia, a exposição reúne os estudos do acervo de Lina, atualmente reunidos no Instituto Bardi/Casa de Vidro, e registra o processo criativo de Fernanda Fragateiro nas investigações sobre a Cadeira e as relações entre o conjunto da obra de Lina e o Movimento Moderno, que tem em Brasília sua grande realização urbanística. Nesse sentido, Fernanda, busca ainda lançar luz às mulheres arquitetas no modernismo – movimento que se fez notório no campo da arquitetura por figuras masculinas, a exemplo de Oscar Niemeyer e Lucio Costa.


Pouco reconhecida à época no modernismo, Lina Bo Bardi ganhou uma nova projeção neste ano ao receber postumamente o Leão de Ouro Especial em Memória pelo conjunto de sua obra na 17ª Bienal de Veneza. “Lina Bo Bardi é uma espécie de nó górdio da arquitetura brasileira e latino-americana, porque seu olhar singular, etnográfico e feminino para a questão das artes populares e não-ocidentais introduz uma agenda completamente diferente no panorama da valorização do tropical/nacional do modernismo brasileiro e latinoamericano das gerações anteriores”, reflete o professor de Arquitetura e Urbanismo Paulo Tavares, da Universidade de Brasília (UnB).


Fernanda Fragateiro traz “a voz da Lina para Brasília, em oposição à voz masculina da arquitetura tão marcada e representada aqui”. Ao recorrer ao acervo de Lina Bo Bardi, a artista amplifica o discurso e o olhar e participação femininos na arte e na arquitetura. Para ela, Lina “desafia o poder predominantemente masculino no campo da arquitetura, inspirando uma nova geração de mulheres arquitetas”.


Além do design reimaginado da cadeira de Lina, Fernanda apresenta alguns de seus desenhos e livros de pesquisa que permitem ao visitante um mergulho no fazer da artista, além de capturar o trabalho multifacetado de Lina. “Fernanda Fragateiro partilha chaves de leitura do seu processo de trabalho ao trazer para o espaço expositivo um conjunto de livros e materiais que constituem a sua investigação, num renovado convite à reflexão sobre a obra de Lina Bo Bardi, sobre os arquivos e sobre a inscrição do outro na construção do espaço que habitamos”, resume a diretora do Camões – CCP em Brasília, Alexandra Pinho.


Sobre Fernanda Fragateiro – Vive e trabalha em Lisboa. Operando no campo da tridimensionalidade, desafiando relações de tensão entre a arquitetura e a escultura, a obra de Fernanda Fragateiro potencia relações com o lugar, convocando o espectador para uma posição de performatividade. Alguns dos seus projetos resultaram de colaborações com outros artistas plásticos, arquitetos, paisagistas e performers. A sua obra tem sido exposta em diferentes museus e instituições como a Galleria Nazionale d’Arte Moderna Contemporânea de Roma, o Museu de Arte Miguel Urrutia (Bogotá), MAAT - Museu de Arquitetura, Arte e Tecnologia (Lisboa), CaixaForum (Barcelona), Palais des Beaux-Arts de Paris, Carpenter Center for the Visual Arts, Harvard University (Cambridge), The Bronx Museum of the Arts (New York), MUAC - Museo Universitario Arte Contemporáneo (Cidade do México), o Centro Cultural de Belém (Lisboa), a Fundação de Serralves (Porto), Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa), entre outros.


Sobre Lina Bo Bardi – Arquiteta italiana nascida e formada em Roma e naturalizada brasileira, Lina se tornou um dos nomes mais exponenciais da arquitetura e do design modernistas. Em Milão, nos anos 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, ela fundou seu primeiro estúdio com o arquiteto Carlo Pagani. Depois de colaborar com editoração e ilustração de diversas revistas italianas, imigrou com o esposo, Pietro Maria Bardi, ao Brasil, em 1946. Estabelecido no Rio de Janeiro, logo o casal foi convidado por Assis Chateaubriand para fundar e dirigir o Museu de Arte de São Paulo (MASP), cujo edifício tornado cartão-postal da cidade foi projetado por Lina. No Brasil, Lina passou temporadas também em Salvador (BA), onde projetou o prédio do Museu de Arte Moderna (MAM-BA), continuou a atuar como curadora artística e passou a se dedicar majoritariamente à cenografia de espetáculos teatrais. Lina levou essa vertente cênica de volta a São Paulo, no ano do golpe militar. Ao final dos anos 1960 colaborou com José Celso Martinez Correia, o Zé Celso, para quem produziu em seguida desenhos para a sede do Teatro Oficina. Em 1977 retornou à cena arquitetônica com o projeto, considerado um dos seus mais relevantes trabalhos por representar uma síntese da sua carreira: o centro de lazer do SESC Pompéia, em São Paulo. Em 1990, Lina e Pietro fundaram o Instituto Quadrante, atualmente Instituto Bardi/Casa de Vidro, com o objetivo de desenvolver atividades culturais e de estudos relacionados com a história da arte e da arquitetura.


Serviço:

Só é Possível se Formos 2

De 29 de outubro de 2021 a 18 de fevereiro de 2022

Na Galeria Camões (Embaixada de Portugal, SES, Quadra 801, Lote 2)

A exposição está aberta a visitação do público exclusivamente mediante agendamento prévio nos dias e horários disponíveis. Cada visita terá até 10 visitantes, de modo a garantir o distanciamento social e fazer cumprir todos os protocolos de segurança em prevenção à Covid-19.

Agendamento: geral@institutocamoes.org.br.

Entrada franca.

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