"Exposição “Olhar Ancestral” leva à Biblioteca Nacional de Brasília 24 anos de memória e tradição de um território de matriz africana
- há 48 minutos
- 3 min de leitura

A fotografia como instrumento de memória, identidade e preservação dos saberes ancestrais. É a partir dessa perspectiva que o Instituto Ojuiná apresenta a exposição “OLHAR ANCESTRAL: 24 ANOS DE ILÉ ÀṢẸ ÒJÚINÁ SỌ̀RÒKÈ EFON”, do fotógrafo Luan Brasil, com abertura no dia 17 de agosto de 2026, às 19h, na Biblioteca Nacional de Brasília (BNB).
A exposição reúne registros fotográficos que percorrem a trajetória de 24 anos do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon, também Ponto de Cultura do Min, revelando por meio da imagem aspectos da espiritualidade, da cultura, dos ritos, das relações comunitárias e dos saberes preservados em um território de matriz africana.
A mostra tem curadoria do Babalorixá Veber Brasil, Prof. Dr. Fausto Viana (ECA-USP) e Profa.Me. Maria Eduarda Borges (ECA-USP)
O olhar de quem pesquisa e vive a ancestralidade
A escolha de Luan Brasil para registrar essa trajetória ganha uma dimensão especial justamente pela relação entre sua produção artística, sua pesquisa e sua vivência nos territórios de matriz africana.
Fotógrafo, pesquisador e gestor cultural, Luan é graduado em Fotografia e possui formação em Direção de Arte em Comunicação e Gestão e Transformação Digital. Sua trajetória acadêmica inclui pesquisa na Universidade de São Paulo dedicada ao patrimônio cultural do Candomblé Efon e à memória ritual do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon.
Essa aproximação entre arte, pesquisa e ancestralidade atravessa sua produção. Luan tem trabalhos publicados sobre os trajes do Candomblé Efon, os elementos vivos da indumentária ritual e o patrimônio cultural das tradições afro-brasileiras. Também participou de pesquisas, exposições e registros fotográficos relacionados às visualidades negras e aos patrimônios culturais afro-brasileiros.
Em 2024, por exemplo, realizou registros fotográficos de exposições como “A Costura do Sagrado: Trajes de Ritos Afro-brasileiros”, além de trabalhos relacionados à história dos trajes brasileiros e às visualidades do patrimônio cultural.
Sua trajetória também inclui atuação na organização e curadoria de exposições, entre elas “Armaduras de Corpo e Espírito: Trajes de umbanda, candomblé, ritos e folguedos afro-brasileiros”, realizada no Espaço das Artes da USP.
Ao mesmo tempo em que desenvolve sua trajetória acadêmica e artística, Luan atua como vice-presidente do Instituto Ojuiná e como Babaegbé do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon, estabelecendo uma relação direta entre sua produção cultural, a pesquisa e a preservação dos saberes tradicionais.
É justamente essa perspectiva que confere à exposição um caráter singular: não se trata apenas de fotografar um território, mas de construir, através da imagem, uma narrativa de memória a partir de uma experiência profundamente vinculada à comunidade e à ancestralidade.
Roda de conversa coloca os saberes ancestrais no centro do debate
Às 20h, após o coquetel de abertura, a programação segue com a roda de conversa “Olhar Ancestral: arte, memória e educação nos territórios de matriz africana”.
O encontro reunirá Babalorixás e Yalorixás, além de pesquisadores, artistas, representantes de instituições e agentes culturais, para uma conversa sobre o papel dos territórios de matriz africana como espaços de preservação da memória, produção artística, transmissão de conhecimentos e educação.
A proposta é dar voz aos próprios detentores desses saberes e promover um diálogo entre ancestralidade e contemporaneidade, discutindo também os desafios para a preservação dos patrimônios culturais afro-brasileiros e o enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.
A iniciativa dá continuidade a uma trajetória de diálogo interinstitucional já presente na atuação de Luan Brasil, que em 2025 participou e mediou debates sobre racismo, intolerância religiosa e tradições de matriz africana, reunindo lideranças religiosas, pesquisadores e representantes de instituições públicas.
Em 2026 realizou a Oficina de Fotografia com Uso do celular como ferramenta de registro cultural, através do Projeto Territórios Afrocandangos , o Instituto Ojuina propiciou oficina gratuita para o “Povo de Santo” e comunidade em geral. O Resultado foi de ampla repercussão, incluindo matérias nos principais meios de comunicação.
Uma exposição para olhar, reconhecer e preservar
“Olhar Ancestral” propõe ao público mais do que uma experiência estética. As fotografias convidam a perceber a ancestralidade como algo vivo, presente nos corpos, nos espaços, nos objetos, nos ritos, nas relações e na transmissão dos conhecimentos entre gerações.
Ao levar essa narrativa para a Biblioteca Nacional de Brasília, o Instituto Ojuiná amplia o espaço de visibilidade para uma história que é, ao mesmo tempo, particular e parte fundamental da formação cultural brasileira.
A exposição celebra 24 anos de história do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon e reafirma a fotografia como ferramenta de documentação, educação, valorização cultural e preservação da memória.
SERVIÇO
Exposição: OLHAR ANCESTRAL – 24 ANOS DE ILÉ ÀṢẸ ÒJÚINÁ SỌ̀RÒKÈ EFONFotografias: Luan BrasilCuradoria: Babalorixá Veber Brasil, Prof. Fausto Viana (ECA-USP) e Me. Maria Eduarda Borges (ECA-USP)Data: 17 de agosto de 202619h: Coquetel de abertura da exposição20h: Roda de conversa “Olhar Ancestral: arte, memória e educação nos territórios de matriz africana”Local: Biblioteca Nacional de Brasília – BNBRealização: Instituto Ojuina e parceiros
@institutoojuina
WhatsApp: 61 992593652 (Ass. Comunicação)
Entrada Franca.






Comentários