Exposição "Todos falam de mim, ninguém me representa" na CAIXA Cultural Brasília encerra com programação especial
- Rodrigo Carvalho

- há 3 horas
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A CAIXA Cultural Brasília convida o público para os últimos dias da exposição "Todos falam de mim, ninguém me representa: um olhar indígena sobre a obra de Rugendas", que segue em cartaz até domingo, 1º de fevereiro de 2026.
A mostra estabelece um diálogo crítico e poético entre dois tempos e dois olhares: as litografias do século XIX do artista alemão Johann Moritz Rugendas e as intervenções contemporâneas do artista visual indígena Ziel Karapotó, um dos representantes do Brasil na 60ª Bienal de Veneza.
Mais do que uma justaposição de imagens, a exposição constrói um enfrentamento visual e conceitual. Enquanto Rugendas documentou o Brasil oitocentista sob uma ótica eurocêntrica, frequentemente romantizada, Karapotó intervém com uma contranarrativa potente, deslocando e ressignificando esses registros coloniais.
Sua obra não se limita a atualizar o arquivo histórico; ela o confronta, inverte a lógica do olhar e insere a autorrepresentação, a memória viva e a subjetividade dos povos originários no centro da cena artística. Este movimento é um ato político de descolonização da história da arte, que transforma a exposição em um exemplo vivo da decolonialidade em ação.
Com curadoria assinada pelo próprio Ziel Karapotó em parceria com a antropóloga Nara Galvão, a mostra inclui uma grande instalação individual, além de videoperformance, fotografias, pinturas e desenhos. Ela se afirma como um instrumento de resistência em um país onde as vozes indígenas foram historicamente silenciadas ou folclorizadas, e se alinha às exigências educacionais da Lei 11.645, oferecendo um material rico para reflexão sobre diversidade cultural e representação.
Para ampliar e aprofundar as discussões provocadas pela exposição, a CAIXA Cultural promove uma programação especial nos dias que antecedem seu encerramento
Na sexta-feira, 30 de janeiro, às 19h, acontece a palestra "Da representação à autorrepresentação: protagonismo e autoria indígena na contemporaneidade", ministrada pelo Dr. Felipe Tuxá.
Indígena do povo Tuxá, doutor em Antropologia Social e professor da UFBA, Tuxá refletirá sobre os deslocamentos históricos e simbólicos que marcam a passagem da representação dos povos indígenas para a autoria e o protagonismo indígena, discutindo como práticas artísticas, narrativas e produções intelectuais atuam como formas de afirmação identitária e de produção de novas epistemologias. Após a palestra, das 20h às 20h40, os curadores Nara Galvão e Ziel Karapotó conduzirão uma visita mediada pelos espaços expositivos.
No sábado, 31 de janeiro, das 10h às 12h, a programação é dedicada ao público infantil com a oficina "Vivência Curumim", ministrada por Ziel Karapotó.
A atividade, destinada a crianças de 5 a 12 anos (permitindo a participação dos acompanhantes), propõe uma experiência lúdica e pedagógica a partir das expressividades culturais indígenas apresentadas na exposição. Com vagas limitadas, a inscrição deve ser feita por meio de formulário de pré-inscrição, sendo a confirmação enviada por e-mail ou WhatsApp até dois dias antes da atividade. Mais informações e inscrições: (61) 99922-0765 ou pelo e-mail gentearteirabr@gmail.com.
A exposição "Todos falam de mim, ninguém me representa" fica em cartaz até 1º de fevereiro, com visitação de terça a domingo, das 9h às 21h, na CAIXA Cultural Brasília, localizada no SBS Quadra 4, Lotes 3/4. A entrada é franca, classificação livre e o espaço possui acesso para pessoas com deficiência. A realização é do Instituto Ricardo Brennand, com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.










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