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Ferramentas de pagamentos digitais transformam a gestão financeira de micro e pequenos negócios

Durante muitos anos, o dinheiro em espécie, os boletos e as maquininhas de cartão de crédito e débito foram praticamente as únicas opções disponíveis para os micro e pequenos empreendedores realizarem e receberem pagamentos. 

Especialmente nos últimos anos, com o avanço da tecnologia e a popularização dos smartphones, esse cenário passou por uma transformação significativa. Meios e ferramentas de pagamentos digitais como Pix, QR Code e carteiras digitais passaram a fazer parte do cotidiano dos brasileiros, ampliando também a autonomia na gestão financeira dos negócios. 

Um exemplo desta realidade é o estudo realizado pelo Sebrae e o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas - IPESPE, o qual revelou que o Pix já é o principal meio de recebimento para quase seis em cada dez micro e pequenos negócios no Brasil. O levantamento também mostra que 53% dos empreendedores utilizam esse instrumento para pagar fornecedores, reforçando a importância das ferramentas digitais na rotina financeira das empresas. 

Para o Adm. Gilson de Oliveira Carvalho, membro do Grupo de Excelência em Administração Financeira - GEAF, do Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA-SP, a ampla adoção do Pix e de outras soluções digitais marca uma grande mudança na forma como os micro e pequenos negócios lidam com suas finanças: “As ferramentas de pagamentos digitais só se tornam aliadas quando deixam de ser vistas como meios operacionais e passam a ser uma decisão estratégica da empresa”, afirma. 

Benefícios para os empreendedores 

Para Carvalho, as opções de pagamentos digitais, quando implantadas corretamente, podem trazer diversos benefícios para os MPEs, envolvendo três fatores principais: 

1 - Integração com a gestão financeira: os meios digitais de pagamento devem estar conectados ao fluxo de caixa projetado, à conciliação automática e aos sistemas contábeis ou de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP). “Isso permite visão diária de liquidez, antecipa as necessidades de capital de giro e reduz erros operacionais”, esclarece Carvalho. 

2 - Gestão ativa: o Pix e as outras ferramentas permitem ajustar prazos de recebimento, parcelamentos e antecipações de forma dinâmica, ajudando a reduzir o ciclo financeiro e equilibrando entradas e saídas de recursos, especialmente para pequenos negócios. 

3 - Tomada de decisão: com o uso dessas soluções tecnológicas, é possível extrair dados valiosos sobre o comportamento dos clientes, sazonalidade e mix de vendas. Utilizando essas informações, o gestor consegue melhorar a sua precificação, definir políticas comerciais mais eficientes e alinhar vendas à capacidade financeira da empresa. 

“O valor estratégico está menos na tecnologia e mais na governança e no uso inteligente da informação financeira”, pontua o membro do GEAF. 

Taxas podem causar prejuízos 

Para pessoas físicas, o uso de plataformas digitais é totalmente gratuito. Já no caso de empresas, algumas dessas opções adotam a cobrança de taxas, que variam conforme o tipo de serviço oferecido. 

Carvalho explica que as taxas cobradas e condições não devem ser analisadas isoladamente, e sim dentro do custo total da operação e do impacto no fluxo de caixa. Segundo ele, alguns cuidados são indispensáveis: 

  • Análise do custo efetivo total: além da taxa nominal, o empreendedor deve focar também nas antecipações de recebíveis, parcelamentos e tarifas adicionais, que podem elevar significativamente o custo financeiro da venda; 

  • Precificação consciente: as taxas precisam estar incorporadas na estipulação de preços ou na política de descontos; 

  • Planejamento de liquidez: antecipar o recebimento deve ser uma decisão planejada, e não solução recorrente. O uso contínuo de antecipação indica desequilíbrio no capital de giro. 

“O ponto central é tratar os meios de pagamentos digitais como instrumentos financeiros, e não apenas como conveniência operacional”, alerta Carvalho. 

Inclusão digital

Outra vantagem do crescimento dos meios de pagamentos online é a inclusão digital. Em regiões com menor acesso a serviços bancários tradicionais, essa nova realidade funciona como um grande incentivo para que empreendedores abram as suas próprias empresas, fortalecendo também a economia local. 

O membro do GEAF explica que a inclusão digital permite que os micro e pequenos empreendedores recebam e realizem pagamentos sem a necessidade das agências bancárias; criem histórico de transações, essencial para acesso futuro a crédito; e separem, ainda que de forma simples, as finanças pessoais e do negócio. 

“Por outro lado, a inclusão digital exige também que o MPE procure educação financeira e orientação gerencial, para não fazer o uso inadequado das ferramentas e não ficar exposto a riscos como endividamento e dependência excessiva de crédito caro”, acrescenta Carvalho. 

O papel do administrador

Diante do avanço da tecnologia para o empreendedorismo e a gestão financeira, a bagagem técnica do administrador é crucial para avaliar a melhor forma de usar os recursos de pagamentos digitais. 

Para o membro do GEAF, o olhar do administrador possibilita avaliar qual é a solução adequada para o negócio, considerando os impactos nas estratégias principais, como o fluxo de caixa e a estrutura de custos. Além disso, ele menciona que a escolha do meio de pagamento deve estar acompanhada de regras claras de conciliação, segregação de funções e controles internos.  

“O administrador atua como o elo entre tecnologia, operação e finanças, garantindo inovações eficientes, e não apenas sofisticadas. Os meios de pagamentos digitais são ferramentas poderosas, mas seu impacto positivo depende diretamente da qualidade da gestão administrativa. Quando bem escolhidos, ampliam a eficiência, inclusão e competitividade. Quando mal utilizados, podem comprometer margens e liquidez”, conclui Carvalho.

Sobre o CRA-SP: O Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP é uma autarquia federal, criada em 1968 (três anos após a regulamentação da profissão de Administrador) que atualmente reúne cerca de 7 mil empresas e 60 mil profissionais registrados. Embora suas principais funções sejam o registro e a fiscalização do exercício profissional nas áreas da Administração, o CRA-SP tornou-se referência na qualificação de profissionais, ao disponibilizar, de forma gratuita, palestras e eventos em um ambiente onde o conhecimento é tratado como uma poderosa ferramenta, capaz de promover profundas mudanças sociais. Atualmente, o CRA-SP é presidido pelo Adm. Alberto Whitaker.


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