Festival de Cinema exibe em Brasília filme para crianças cegas, surdas e com deficiência intelectual

Nos dias 5 e 6 de novembro acontece em Brasília, mais uma etapa do Festival de Cinema Acessível Kids - a serviço da Inclusão Educacional. O projeto, que integra o programa Criança Esperança, é voltado a crianças cegas ou com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva ou com deficiência intelectual ou cognitiva e, também, para a população de baixa renda e situada em regiões de pouco acesso a equipamentos culturais. Os filmes exibidos contam com os recursos de audiodescrição, legendas descritivas e Língua Brasileira de Sinais (Libras). Na maioria dos eventos são realizadas também uma ou mais oficinas de capacitação em inclusão educacional para grupos de até 35 educadores.
No dia 5 quinta-feira, será realizada a partir das 9h, a Oficina “Agente de Transformação Social – Educadores Mais Inclusivos”, no Auditório Senador Antônio Carlos Magalhães, edifício Ronaldo Cunha Lima, Nº 2 Bloco 2.
No dia seguinte, sexta-feira, será exibido o filme Divertida Mente, às10h, no Cine Brasília, na Asa Sul EQS 106/107, com entrada franca. Este é o quinto ano consecutivo que o Senado Federal apoia o projeto realizado pela OSC Mais Criança.
A iniciativa nasceu há 11 anos em Porto Alegre, como “Festival Cinema Acessível”, idealizado pelo empreendedor e musicista Sidnei Schames (Sid), diretor de projetos de Inclusão da OSC Mais Criança (a proponente do projeto) e diretor da empresa Som da Luz. Logo na estreia, em 2015, seu filho, David, então com oito anos, não pôde entrar no cinema, porque a classificação indicativa não permitia. Acabrunhado, exclamou: “meu pai criou um Festival Acessível para os outros; mas não é acessível para mim!”. Logo depois, transformou a indignação em projeto: “Pai, que tal a gente criar também um festival para as crianças? Já tenho até nome e slogan: ‘Festival de Cinema Acessível Kids: leve seu pai ao cinema’”.
Esse é o projeto que estreou dois anos depois, em 2017, e que recebeu a chancela da Unesco. Em 2022 foi expandido, com a participação na 36ª edição do Criança Esperança, quando ganhou uma maior relevância e saiu pela primeira vez da região Sul do país. Agora, o Festival de Cinema Acessível Kids a Serviço da Inclusão Educacional participa pela quinta vez do Criança Esperança, que está na sua 40ª edição. De acordo com Sid Schames tem um forte simbolismo realizar o evento pela quinta vez seguida na capital do País. “Afinal é aqui na Capital Federal, com destaque para o Senado, que são definidas as maiores conquistas na questão dos direitos de acessibilidade e inclusão”, afirma.
Até hoje, em suas versões adulta e infantil, o Festival de Cinema Acessível foi assistido por 25.976 pessoas, em 47 cidades (São Paulo, Natal, Niterói, Recife, Florianópolis, Porto Alegre e Brasília, além de outras 38 no interior do Rio Grande do Sul e duas no interior de Santa Catarina), com um total de 137 exibições.
O Festival de Cinema Acessível Kids traz como diferencial a adaptação de obras cinematográficas infanto-juvenis, mas que fazem sucesso com a família toda. Oferece conteúdo acessível de qualidade para uma parcela da população privada do direito de ter acesso à magia do cinema. As ações de inclusão cultural para o público das pessoas com deficiência são raras e, quando existem, invariavelmente assistencialistas.
Os filmes têm audiodescrição das cenas para quem não enxerga, janela de Libras para quem não ouve e legendas descritivas para pessoas surdas que não sabem Libras. “Para chegar às telas de cinema com toda a acessibilidade necessária, tudo é gravado em estúdio. É preciso de tecnologia e muita sensibilidade”, explica Sid Schames, que acrescenta: “Todos somos diferentes, mas podemos compartilhar uma mesma sala de cinema. Nas sessões tem o pai com deficiência visual, com o filho que enxerga; a filha com deficiência auditiva com a mãe que escuta, crianças com deficiência intelectual ou cognitiva e também pessoas sem essas características, mas que querem participar dessa experiência fantástica de lazer, cultura e inclusão, e todos estão juntos se divertindo no cinema. Tivemos casos de pessoas que fizeram curso de Libras para poder se comunicar com pessoas surdas a partir da experiência que tiveram nas edições anteriores. O Festival Kids é muito mais do que a exibição de filmes acessíveis. Trata-se de uma oportunidade de troca e aprendizado”.
David Schames, hoje com 20 anos, conta: “Criamos o Festival para todo mundo ser igual. Não igual no sentido de ter as mesmas características, mas de ter os mesmos direitos e possibilidades. É um momento de inclusão estar todo mundo, pessoas com e sem deficiência, assistindo ao filme.
Quando David e Sid falam sobre pessoas sem deficiência, se referem à presença de familiares, crianças, adolescentes e jovens não PCDs; e também a quem vai às exibições como um exercício de aprendizado e empatia. “Fizemos sessões em escolas, onde as crianças assistem aos filmes de olhos fechados ou com venda nos olhos, para sentir como é um mundo sem imagens. Assim, esses alunos tentam se colocar na posição do ‘Outro’ e aprendem a entender e respeitar as diferenças”, reflete Sid.
Para pai e filho, expandir o Festival de Cinema Acessível Kids para novas cidades significa permitir que mais crianças e jovens cresçam compreendendo que as diferenças fazem parte da sociedade e que nenhuma pessoa deve ser excluída do acesso à cultura. Mais do que promover sessões de cinema, o projeto forma públicos, mobiliza educadores, combate barreiras e transforma a inclusão em uma experiência concreta de pertencimento, cidadania e participação social.
Sid Schames conta que este ano o projeto reforçou o convite às entidades que trabalham com crianças e jovens neurodivergentes. “Percebemos que esse público tem sido crescente nas nossas sessões de cinema. Por isso, agora as Apaes são parceiras e apoiadoras em algumas das cidades e regiões em que o projeto é realizado”, revela, acrescentando que pesquisas demonstram que esses recursos beneficiam espectadores com autismo, Síndrome de Down, deficiência intelectual e déficit de atenção. “Nos eventos este ano tivemos uma presença forte de crianças com Síndrome de Down e TEA (Transtorno do Espectro Autista). Muita gente desconhecia que estamos preparados tanto nas tecnologias quanto na ambientação para receber crianças e jovens neurodivergentes”. Segundo Sid, nas ações o volume do filme é mantido mais baixo, existe uma luz tênue (a sala não fica no breu total) e as pessoas podem se movimentar sem constrangimento e até mesmo conversar, “o que faz com que as crianças e jovens curtam e fiquem até o final das sessões”.
O diretor do Festival de Cinema Acessível Kids fez questão de voltar a destacar que o projeto atua em duas frentes complementares: a realização de sessões de cinema acessíveis e a formação de agentes de transformação social. “Por meio da oficina, o projeto capacita educadores e outros profissionais para reconhecer barreiras, enfrentar preconceitos e desenvolver práticas comprometidas com a diversidade, a equidade, a acessibilidade e a inclusão. Essa integração entre cultura e formação amplia os resultados do projeto. Enquanto o cinema aproxima diferentes públicos e favorece a convivência, as atividades educativas oferecem conhecimentos e instrumentos para que a experiência vivenciada continue produzindo mudanças nas escolas, nas famílias, nas instituições e nas comunidades”.
Este ano o projeto desenvolveu o circuito Fronteiras, no Rio Grande do Sul. Em agosto e setembro visitou as cidades de Santana do Livramento, Jaguarão e Santa Vitória do Palmar, todas com sessão de cinema e oficina para educadores inclusivos. Conta Sid: “Nessas cidades fronteiriças, 85% de quem frequentou as oficinas foram professores e outros trabalhadores da Apae. Foi muito importante contribuirmos para capacitar quem trabalha no dia a dia com as pessoas com deficiência e, também, impactante receber depoimentos de que as oficinais foram além do que esperavam”.
O Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da inclusão educacional tem a produção da Mais Criança e do Som da Luz. Conta com os seguintes apoiadores: Total Seguros Cine Brasília, Box Cultural, Mundo Melhor, Natura Galeria Chaves,Gera Produtora, Assefe, Essence, Gontof Comunicação, Unesco, Secretaria de Cultura e Economia Criativa e Senado Federal.
Festival de Cinema Acessível Kids - Brasília
Dia 5 de novembro, quinta-feira
Oficina “Agente de Transformação Social – Educadores Mais Inclusivos”.
Horário: a partir das 9h
Onde: Auditório Senador Antônio Carlos Magalhães, edifício Ronaldo Cunha Lima, Nº 2 Bloco 2
Dia 6 de novembro, sexta-feira
Sessão do filme: Divertida Mente
Horário: 10h
Onde: Cine Brasília, na Asa Sul EQS 106/107
Entrada Franca.
Para mais informações, escrever para o e-mail acessibilidade@senado.leg.br
ou entrar em contato pelos telefones 61-3303-1962 e 61-3303-2744.
Para matérias e/ou cobertura, enviar e-mail para airton@gontof.com.br ou chamar no 11-99109-0688 (Tel e WhatApp).
Veja mais detalhes sobre as oficinas para educadores
A oficina Agente de Transformação Social nasce com o propósito de despertar consciências, ampliar olhares e formar pessoas que atuem como protagonistas na construção de uma sociedade mais justa, plural, acessível e inclusiva. Com uma abordagem que integra educação, diversidade, equidade, acessibilidade comunicacional e inclusão, o curso propõe um mergulho no autoconhecimento – o “olhar para dentro” – como caminho para transformar o mundo ao redor.
Durante o percurso, as pessoas participantes terão contato com reflexões sobre: Funcionamento da mente humana: consciente, inconsciente e vieses cognitivos que afetam nossas percepções e decisões; Diversidade e equidade: como reconhecer e valorizar diferentes identidades (gênero, geração, étnico-racial, pessoas com deficiência, LGBTQIAPN+, entre outras); Preconceito e discriminação: diferenças entre viés implícito e explícito, barreiras atitudinais e seus impactos nos ambientes sociais e profissionais; Educação transformadora: os pilares de Jacques Delors, os saberes de Edgar Morin e a importância da ética e da responsabilidade coletiva; Interseccionalidade e acessibilidade: construção de espaços inclusivos que reconhecem múltiplas necessidades humanas, eliminam barreiras atitudinais e promovem a acessibilidade comunicacional.
A metodologia é interativa e vivencial, convidando cada participante a refletir sobre suas próprias práticas e a se tornar um agente de transformação social em sua comunidade, organização ou território. Mais do que um curso, esta é uma experiência de transformação pessoal e coletiva. Porque só quando reconhecemos nossas fragilidades e potencialidades podemos gerar impacto positivo no mundo.
Lei de Inclusão
Em dezembro de 2015, a Lei Brasileira da Inclusão surgiu para reforçar o direito das pessoas com deficiência quando, em seu primeiro artigo, diz que “é instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania.” A participação das pessoas com deficiência é um direito inquestionável, porém ainda não é concreto e pleno. As leis existem, mas na prática não são cumpridas. Por isso entendemos que projetos como esse, que promovem a acessibilidade e inclusão de todos, ainda são fundamentais.
O Festival de Cinema Acessível Kids, assim como o Festival de Cinema Acessível, segue os direcionamentos presentes nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU. Contribui diretamente para a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promove a oportunidade de aprendizagem, crescimento inclusivo e sustentável da sociedade e oportuniza trabalho digno para todos (pessoas com e sem deficiência). Está alinhado com os objetivos do desenvolvimento sustentável - ODS 4, ODS 8 e ODS 10 – e participa diretamente da agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.
Títulos do acervo da Som da Luz na edição Kids
Avatar 1, Harry Potter e a Pedra Filosofal, Aladdin – Live Action, Malévola, Meu Malvado Favorito 1 e 2, Universidade Monstros, Frozen - Uma Aventura Congelante e Divertida Mente.
Sobre a OSC Mais Criança
A OSC atua na defesa e promoção dos direitos humanos para a inclusão social, desenvolvendo e adotando tecnologias e abordagens inovadoras com a acessibilidade universal. Tem como referência os ODSs, em especial aqueles voltados para o desenvolvimento socioambiental, a educação, a cultura e a saúde, em busca de uma sociedade democrática, equitativa e com acesso e participação de todos e de todas.
Sobre a Som da Luz
A Som da Luz Tecnologias de Inclusão, idealizadora e realizadora do Festival de Cinema Acessível Kids, através de seu segmento social, a OSC Mais Criança, foi a vencedora do TOP de MKT 2024, da ADVB/RS, prêmio que homenageia e divulga as principais práticas criadas e realizadas por instituições de diversos segmentos no Rio Grande do Sul. Recebeu o primeiro prêmio nas categorias de Cultura – Troféu Eva Sopher e Top Inclusão à Diversidade e foi agraciada com o “Distinção”, concedido aos três cases melhor avaliados entre os finalistas. Ficou com o Ouro no TOP Inclusão à Diversidade.





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