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Filme reativa histórias de violência contra adolescentes na Ditadura Militar

  • 3 de dez. de 2020
  • 2 min de leitura

Documentário estreia dia 04 de dezembro no Canal Curta!

Mais do que um documentário sobre um episódio em tempos de Ditadura Militar, o filme Operação Camanducaia resgata a memória histórica do nosso país, culturalmente amnésico. Com estreia prevista para às 22h30 de 04 de dezembro de 2020 no Canal Curta!, o longa-metragem é dirigido por Tiago Rezende de Toledo, produzido pela Cambuí Produções, com recursos do FSA.


O road movie é resultado da investigação sobre a ação policial que, em 19 de outubro de 1974, retirou 93 crianças e adolescentes das ruas de São Paulo, as levou para a sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais de São Paulo (DEIC) e largou os garotos na cidade de Camanducaia, Minas Gerais.


Após serem deixados nus, famintos e machucados na rodovia, eles invadiram um postos de combustíveis na entrada da cidade em busca de ajuda. Somente 41 foram recolhidos pelas autoridades em Camanducaia e 52 deles continuam com o paradeiro desconhecido.


A ideia para a produção do filme e para reacender esse fato chocante de violação dos direitos humanos nasceu da leitura do livro Infância do Mortos, de José Louzeiro. O autor trabalhava na Folha de São Paulo em 1974 e afirmava ter sido o primeiro jornalista a chegar a Camanducaia. Esse episódio foi amplamente divulgado pela imprensa na época, além de ter sido denunciado na justiça, mas acabou arquivado no TJSP, sem punição para os envolvidos.


Na primeira sindicância sobre o crime, o escrivão José Alípio Pinto assumiu a autoria, preservando o alto escalão da polícia e da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Essa sindicância foi acusada pelo promotor João Batista Marques Viana Filho de ter sido forjada. O escrivão foi suspenso por 30 dias, mas durante a investigação da Corregedoria dos Presídios e da Polícia Judiciária outras testemunhas acabaram revelando a manipulação dessa sindicância e que o verdadeiro mandante seria Rubens Liberatori, diretor do DEIC, que deixou o cargo, mas logo assumiu outro posto importante na polícia.


Há dez anos Tiago iniciou a busca pelos protagonistas dessa história, os que estavam no ônibus naquele dia: policiais paulistas e garotos (agora homens) apreendidos. Na última década, ele pesquisou em mais de 1,5 mil páginas de documentos e jornais e entrevistou cerca de 57 pessoas. Depois de percorrer bibliotecas, hemerotecas, sebos, Fóruns da Infância e Juventude, de São Paulo e de Camanducaia, arquivos públicos e de inúmeras viagens para encontrar os sobreviventes, Tiago fez com que o longa priorizasse mostrar a singularidade de cada personagem.

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