Janeiro Branco: entenda os dilemas que marcam e distinguem as gerações X e Z
- Rodrigo Carvalho

- há 2 dias
- 3 min de leitura

A geração X, que abrange os nascidos entre 1965 e 1980, enfrentou grandes mudanças sociais e nas relações de trabalho e sentem-se pressionados a manter a produtividade em um cenário de rápidas mudanças tecnológicas. Muitos cuidam simultaneamente de filhos que demoram mais a sair de casa e de pais idosos que vivem por mais tempo. Esse papel de cuidador integral gera fadiga emocional e financeira significativa. Toda essa conjuntura, faz com que ela seja identificada como a geração do cansaço.
Segundo a psicóloga Soraya Oliveira, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, esse termo é pertinente. “O cansaço não é apenas físico, mas existencial e moral, pois o fracasso em ter que dar conta de tudo costuma ser vivido como falha pessoal, e não como consequência de um sistema excessivamente exigente”, afirma ela, pontuando que os efeitos subjetivos do cansaço aparecem com sintomas de ansiedade generalizada, depressão, sentimento de culpa e dificuldades de reconhecer esses sinais, mesmo que apresentando somatizações.
De acordo com a especialista, o cansaço vem muito da necessidade de cumprir com os papéis sociais impostos pela própria cultura. “Mulheres da Geração X sofrem com o julgamento social e pessoal, pois sentem as responsabilidades vividas como obrigação moral: cuidar dos pais idosos, organização do lar e manter emocionalmente a família. Esse sentimento revela uma desigualdade de gênero persistente, que intensifica o esgotamento emocional e a sensação de invisibilidade”, afirma.
Para quebrar esses padrões, ou ao menos enfraquecê-los significativamente, a psicóloga ressalta que não basta apenas força de vontade, pois a mudança exige reposicionamento subjetivo, relacional e simbólico. “O ciclo pode ser quebrado, porém não sem conflito, sem culpa inicial, sem perdas simbólicas. Portanto, terão ganhos após vencida essas etapas, com mais saúde psíquica, relações menos assimétricas, envelhecer com menos ressentimento e mais presença. A Geração X precisa aprender a não se sacrificar como única forma de existir”.
Geração Z
Já a geração Z, onde estão os nascidos entre meados dos anos 1990 até 2012. São reconhecidos como nativos digitais, por desconhecerem o mundo sem computadores, tabletes e celulares. Eles têm acesso a uma quantidade enorme de mídias e informações numa velocidade sem precedentes, o que ajudou a moldar o perfil marcado pela agilidade, curiosidade e polivalência, por isso são chamados também de geração do imediatismo.
Soraya Oliveira explica que a geração Z não é apressada por escolha, mas hiperestimulada, porque foi criada em um mundo que não ensina a esperar. “O imediatismo é uma força adaptativa que, sem mediação psíquica, se transforma em ansiedade e esgotamento. Ele não é apenas pressa, funciona como estratégia de regulação da ansiedade, tornando uma geração mais frágil, pois adoece pelo excesso de estímulo e falta de sustentação interna. O imediatismo é uma defesa contra a angústia de um mundo instável e excessivo.”
De acordo com a psicóloga, nesta geração, o desafio clínico, social e intergeracional é reconstruir a experiência do tempo, do vínculo e do sentido, sem demonizar a tecnologia nem romantizar o sofrimento das gerações anteriores. “Para ter esse ciclo interrompido a paciência precisa ser aprendida, o desconforto inicial irá fazer parte do processo, portanto a geração Z não precisa se tornar lenta, precisa se tornar menos refém da urgência. Quando aprende a esperar, não perde potência, mas ganha profundidade, sentido e saúde mental.”










Comentários