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Juão Nÿn faz lançamento de ASÉ, single criado a partir de um provérbio potiguara

  • 18 de jul. de 2024
  • 5 min de leitura

A gente nasce, a gente vive, a gente morre… Mas o nosso povo permanecerá nesta terra para sempre”. Este é o significado que o provérbio potiguara recitado pelo ativista e estudante Poran Potiguara, liderança indígena do Povo Potiguara da Paraíba, em uma Câmara do Senado de Brasília. Foi ali que o multiartista potiguara Juão Nÿn ouviu o provérbio pela primeira vez, e desde então vem sendo impactado pela força e significado que ele carrega. O artista conectou o ditado com uma performance que realiza desde 2015, em que renasce de dentro de uma betoneira, ferramenta responsável pela mistura do cimento e, então, construção de qualquer prédio. Tal relação, do equipamento como “útero” de toda cidade, desencadeou uma metáfora da força da natureza, com toda planta que persiste e nasce do asfalto. “Carrego comigo esta perspectiva de que a gente vai continuar nascendo onde plantarem cimento”, afirma Juão. A partir de tal conexão surge “ASÉ”, segundo single apresentado do disco que marca a estreia solo do artista. Ouça a canção aqui e assista ao registro documental com os bastidores da gravação aqui

O provérbio contemporâneo que inspirou a canção foi criado por um ancião chamado Josafá Freire, e, agora, tem sua potência eternizada em “ASÉ”. “Desde que ouvi este provérbio pela primeira vez fui impactado pelas conexões que me atravessaram. A performance que faço há quase 10 anos, em que eu nasço de uma betoneira, é uma reafirmação de que vamos continuar nascendo, brotando da desertificação”, conta Juão, que recita o provérbio: “ASÉ O'AR - ASÉ OIKOBÉ - ASÉ OMANÕ - YANDE ANAMA TE OIKOBÉ KÓ YBYPE AUIERAMANHENE” 

Marcando o encontro entre os Povos Potiguaras de Paraíba e do Rio Grande do Norte, o single resgata uma história que começou no século 17, quando o estado que abriga a capital João Pessoa acompanhou o líder indígena Pedro Poty, lutando ao lado dos holandeses. Enquanto isso, o Povo Potiguara do Rio Grande do Norte ficou do lado dos portugueses, liderados por Felipe Camarão, o que causou uma divisão histórica. “Ver esta conexão, assim como a do cocar potiguara, mostra como a nossa história está conectada, a partir da nossa cosmovisão e cultura. Enfatizando que as fronteiras que os estados coloniais inventaram não persistiram”, afirma Nÿn. 

Para elevar a potência da canção, Juão convidou dois artistas potiguaras da Paraíba para compor a letra baseada neste provérbio. Clara Potiguara e Valber Félix se juntaram a Nÿn e o produtor Kastrup em uma Tábua Potiguara, que se tornou estúdio para o nascimento de todo o projeto. “O disco nasceu com a nossa ida, minha e de Kastrup, para o território potiguara da Paraíba, onde vivenciamos uma semana de encontros, composições e gravações. Nós captamos tudo dentro de uma casa indígena de palha, ao lado de onde é a Baía da Traição”, lembra Juão, que finaliza: “A nossa geração é a que está reconstruindo e reconectando tudo, curando algumas dores do passado do nosso povo e do Brasil”.

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ASSISTA AO VIDEOCLIPE DE BASTIDORES AQUI

FICHA TÉCNICA Composição e Vozes: Juão Nyn, Clara Potiguara e Valber Felix Letra: Lema/Provérbio Potyguara de @josafa_freireViolão: Valber FelixBeats: @nelsondofficialProdução musical, gravação e percussões: @kastrupBeatbox: @_alv_laraMixagem e Masterização: Caca LimaSincronização e Dystrybuyção: @ybmusic

SOBRE JUÃO NÿNCom uma veia artística pulsando desde a infância, Juão Nÿn não se resume em poucas palavras. O multiartista nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, em 1989, carrega firmemente no peito a história de sua família e toda a comunidade indígena do único local do Brasil que não tem terra demarcada. Tal cenário torna ele guerreiro da cultura, que utiliza da mesma para a criação de novas narrativas e imaginários que se desdobram em novas realidades. Formado em Teatro pela UFRN, em 2013, Juão trilha um caminho entre as diferentes formas de expressão rumo aos espaços de maior contato com o público, ecoando sua mensagem. O artista já se apresentou em marcantes edições do Festival Dosol (Rio Grande do Norte), além de eventos como o Palco do Rock (Bahia, 2009), o Open Circle (Suíça, 2010), e, mais recentemente, no Museu do Amanhã, no Semeia, em 2024 – entre outras apresentações. 

Aos 12 anos, o artista e sua família migraram para Curitiba, onde ele começou a ter um bruto contato com uma visão xenofóbica e classista do Sul em relação ao Nordeste. Aquele movimento, no entanto, aproximou Juão ainda mais de sua história. O cantor e também compositor trocou a letra “i” pelo “y” em seu nome, em 2017, como parte de um movimento político quando começou a estudar sua língua originária. “O tupi está na nossa boca o tempo todo, tá nas ruas da cidade”, relata ele. Parte da sua reconexão com quem se é, a arte teve um papel fundamental, e se desdobrou por meio da performance tanto nos palcos de teatros quanto em shows de suas bandas AK-47, criada em 2006 com seu rock pesado, e a Androyde Sem Par, em 2013, formada por Juão Nÿn e Emmo Martins.

Em 2014, o multiartista se mudou pra São Paulo e, inquieto, mesmo com os trabalhos musicais, ele não desgrudou do teatro. Na capital, Juão ingressou no Coletivo Estopô Balaio, no qual segue fazendo parte há 10 anos. Ao longo de toda esta caminhada, o anseio por colaborações garantiu ao artista parcerias com Talma&Gadelha, em “CAÊ”; com Simona Talma, em “FICÇÃO”; e com a Drag Potyguara Bardo, em “YNCENSO”. Com a banda Androyde Sem Par, Juão acumulou indicações e prêmios como o de Melhor Canção, no Festival de Música do CEPRN 2013 (por voto popular e do júri), com a música “SAZONAL”. Além de levar nas categorias Revelação Musical, pelo Prêmio Troféu Cultura, em 2012; e Melhor Clipe, com “Não Há”, no 20º Prêmio Hangar de Música – neste ano, a mesma premiação o celebrou como Homenagem do Ano, em sua 21º edição. O artista ainda foi reconhecido por importantes veículos de comunicação globais como o The Guardian e (o nacional) Globo. 

Agora, Juão Nÿn chega com uma leva de canções para “acordar desse coma colonial”, com o disco NHE’ETIMBÓ. Esta nova faceta de um histórico de trabalhos pautados pelas conexões entre a cultura tradicional e arte contemporânea, trará nove canções cantadas em Tupi. As temáticas fazem ponte entre suas experiências para formar novas constelações sonoras e estéticas. O primeiro traço deste movimento acontece com o single ABYA YALA, que chega para afirmar a “Terra Viva” dos povos originários. “Como um guerreiro da cultura, eu acredito que tô fazendo esse disco para desarmar algumas armadilhas, algumas fantasias coloniais para que a gente olhe mais para dentro, para que a gente olhe mais para si”, finaliza ele. 


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