Março Vermelho: chegada do outono alerta para o aumento de doenças respiratórias e desafio da tuberculose no Brasil
- há 2 horas
- 4 min de leitura

A transição para o outono, que ocorre oficialmente em 20 de março, traz consigo um cenário climático que exige atenção redobrada com os pulmões. A queda gradual na temperatura com o passar das semanas, aliada à redução da umidade do ar e ao aumento da circulação de vírus respiratórios, eleva o risco de piora de doenças crônicas e a incidência de infecções agudas. Paralelamente, o mês é marcado também pelo Março Vermelho, campanha dedicada à conscientização sobre o combate à tuberculose. Apesar de tratável, a enfermidade ainda registra mais de 80 mil novos casos anualmente no Brasil.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil integra o grupo de 30 países com a maior carga de tuberculose no mundo, contabilizando aproximadamente 5 mil óbitos por ano em decorrência da doença. Diante deste panorama, o Março Vermelho reforça a necessidade de vigilância, com acompanhamento médico, para garantir que sintomas graves não sejam mascarados pelo clima da estação.
O início do outono é considerado um período crítico por combinar ar seco, a chegada de temperaturas mais baixas e a tendência de aglomeração de pessoas em ambientes fechados. De acordo com o Dr. Ricardo Valadares, otorrinolaringologista do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), o inalação do ar frio atua como um gatilho direto para sintomas de asma e rinite, como tosse, falta de ar e congestão nasal.
“Roupas guardadas por muito tempo podem acumular fungos e ácaros, outros dois gatilhos importantes de crise”, alerta o médico. Além disso, o clima seco característico de locais como a capital federal, Brasília, facilita a permanência de alérgenos e poluentes em suspensão no ar. No outono, essa queda na umidade pode reduzir em até 30% a eficiência da limpeza mucociliar, o sistema natural de defesa dos pulmões, o que facilita a instalação de infecções.
Coordenador de pneumologia do Hospital Santa Lúcia, o Dr. William Schwartz complementa que o ressecamento das vias respiratórias dificulta a eliminação de microrganismos. “Isso favorece a inflamação das vias aéreas e aumenta o risco de manifestações agudas, como quadros virais sazonais e pneumonias”, explica o especialista.
Identificando a tuberculose: a regra das três semanas
Um dos desafios do Março Vermelho é educar a população a diferenciar a tosse comum das mudanças climáticas dos sintomas da tuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Enquanto a tosse sazonal costuma ser autolimitada e acompanhada de coriza leve, a tuberculose apresenta sinais sistêmicos mais graves. Os especialistas orientam que se a tosse persistir por mais de três semanas, a investigação para tuberculose torna-se fundamental.
Os principais sinais de alerta incluem:
Tosse crônica por mais de 21 dias.
Febre persistente, geralmente ao final da tarde.
Sudorese noturna, quando o paciente acorda com roupas de cama e travesseiros molhados de suor.
Emagrecimento inexplicável e cansaço progressivo.
Expectoração com catarro que pode vir acompanhado de sangue.
“O diagnóstico rápido é a maior arma para reduzir a transmissão no país”, destaca o Dr. Schwartz. Quando identificado cedo, o tratamento possui grandes chances de cura e evita complicações graves, mas a adesão total do paciente é fundamental para impedir o desenvolvimento de resistência bacteriana.
Impacto do clima e da poluição
A saúde respiratória urbana é diretamente influenciada pela crise climática e pela poluição. Situações como as queimadas no período de seca extrema trazem substâncias químicas em suspensão que afetam toda a população. A grande amplitude térmica de algumas cidades, com noites frias e tardes quentes, também atua como um gatilho para crises respiratórias. O clima seco favorece lesões no revestimento das vias aéreas, fragilizando a imunidade local, especialmente em pessoas desidratadas. “O melhor hidratante para a via aérea é a ingestão de água. Sprays de soro são apenas complementos”, ressalta o Dr. Ricardo Valadares.
Grupos de risco e prevenção
Embora a vacina BCG ofereça proteção essencial ao público infantil, determinados grupos apresentam maior vulnerabilidade à tuberculose e complicações respiratórias no outono.
Entre eles:
Pessoas acima de 60 anos e crianças menores de 5 anos.
Pacientes com doenças prévias, incluindo portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma ou fibrose cística.
Imunossuprimidos, como pacientes com HIV, diabéticos, pessoas em tratamento oncológico ou usuários de drogas.
Tabagistas. O cigarro, vale destacar, é um dos principais fatores de risco associados tanto à tuberculose quanto ao câncer de pulmão.
Pessoas em situação de vulnerabilidade social.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a meta de reduzir em 95% os óbitos por tuberculose até 2035. Para alcançar esse objetivo, a prevenção deve incluir medidas práticas como manter ambientes ventilados, lavar as mãos com frequência, evitar exposição a poeiras e seguir rigorosamente o calendário de vacinação e os tratamentos de doenças de base.
Estrutura de excelência
Para oferecer suporte a casos complexos, o Hospital Santa Lúcia organiza um fluxo de diagnóstico integrado e multidisciplinar. O serviço de pneumologia nas unidades Sul e Norte conta com ambulatórios especializados em asma grave, nódulos pulmonares, tromboembolismo pulmonar (TEP) e distúrbios do sono.
O hospital disponibiliza tecnologia de ponta para exames diagnósticos, incluindo espirometria (função pulmonar), tomografia de tórax de alta resolução, polissonografia e ressonância magnética. Além disso, a saúde respiratória é trabalhada como um dos pilares do envelhecimento ativo no programa Cuidar+, voltado para o público idoso, reforçando que pulmões saudáveis são essenciais para a longevidade e funcionalidade dos pacientes.







Comentários