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Menos Superman, mais Kara: a nova Supergirl encontra sua própria identidade

  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

Por: Rodrigo Carvalho


Quando James Gunn assumiu o comando do novo universo cinematográfico da DC, uma das grandes dúvidas era como personagens menos populares seriam apresentados ao público. Depois do sucesso de Superman, chegou a vez de Supergirl ganhar seu próprio filme, e a aposta foi ousada: mostrar uma Kara Zor-El completamente diferente da imagem tradicional que muita gente tem da heroína.


Interpretada por Milly Alcock, a personagem surge como uma jovem rebelde, festeira, que gosta de beber e aparentemente não está nem aí para nada, exceto pelo seu cachorro bagunceiro, Krypto. E funciona. Milly Alcock entrega uma atuação muito carismática, equilibrando leveza, sarcasmo e vulnerabilidade. É uma Supergirl que passa longe da perfeição e, justamente por isso, conquista o público.


O filme é baseado na aclamada HQ Supergirl: Woman of Tomorrow, conhecida no Brasil como "A Mulher do Amanhã", uma obra que conta com arte e cores de artistas brasileiros. A trama acompanha Kara em uma viagem por planetas iluminados por sóis vermelhos, onde seus poderes são reduzidos e ela pode finalmente comemorar seu aniversário como uma pessoa comum. No caminho, ela cruza com Ruthye, uma garota que busca vingança contra o criminoso Krem, responsável pela morte de seu pai.


Inicialmente, Kara se recusa a ajudá-la. Mas tudo muda quando Krypto é atingido por uma flecha envenenada disparada por Krem. Agora, a busca pela vingança e a corrida pelo antídoto se tornam o mesmo caminho.


Apesar de seguir a base dos quadrinhos, o filme faz algumas alterações que considero positivas. A história reduz um pouco o lado mais fantasioso da HQ e abraça uma estrutura de road movie espacial que lembra bastante Star Wars. A jornada de Kara e Ruthye atravessando planetas atrás de Krem funciona muito bem e dá ritmo à narrativa.


Outro acerto é mostrar uma Supergirl mais vulnerável. Sob a influência dos sóis vermelhos, ela perde grande parte de seus poderes, criando uma sensação de perigo real que normalmente não existe quando estamos falando de kryptonianos. O próprio Krem também recebeu melhorias em relação aos quadrinhos, ganhando mais força e capacidade de enfrentar a heroína fisicamente.


Infelizmente, nem tudo funciona. Krem continua sendo um vilão relativamente descartável. Ele não possui grandes motivações nem uma presença marcante. Cumpre seu papel na história, mas dificilmente será lembrado daqui a alguns anos.


Outro problema é Ruthye. Sei que a personagem já existe nos quadrinhos, mas sua adaptação para o cinema acabou me incomodando bastante. Em muitos momentos ela se torna irritante e acaba prejudicando algumas cenas que deveriam ter mais impacto emocional.


Também temos a aguardada estreia de Jason Momoa como Lobo. Quem espera que ele roube o filme pode se decepcionar. O personagem aparece de forma contida, sem grandes momentos memoráveis ou cenas capazes de dominar a narrativa. Mas talvez isso tenha sido intencional. Afinal, este é o filme da Supergirl, e seria um erro deixar outro personagem ofuscar sua protagonista logo na estreia. Acredito que o melhor de Lobo tenha sido guardado para futuras aparições ou para um eventual filme solo.


O desfecho também deve dividir opiniões. Particularmente, gostei. O final reforça que Kara é muito diferente de seu primo Superman. Ela possui seus próprios conflitos, suas próprias falhas e sua própria visão de mundo. Ainda assim, termina a jornada compreendendo um pouco mais os valores que fazem do Superman um símbolo de esperança.


No fim das contas, Supergirl é um filme honesto. Não reinventa o gênero dos super-heróis, não entrega um vilão inesquecível nem uma história revolucionária, mas diverte, apresenta muito bem sua protagonista e amplia esse novo universo da DC de forma competente. Vale a pena assistir.


NOTA: 🦸‍♀️🦸‍♀️🦸‍♀️/5

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