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Mestra das artes, Yara de Cunto é celebrada no Centro Cultural Banco do Brasil

  • há 58 minutos
  • 6 min de leitura

Aclamada como Mestra das Artes pela Funarte e primeira-dama da dança do Distrito Federal, Yara de Cunto, 87 anos, não gosta de ser colocada em pedestais, altares nem em lugares que a coloquem acima do outro. Costuma dizer, com convicção, que prefere dividir os refletores com quem está do seu lado. Em A Escultura, montagem dirigida por Adriano Guimarães, a bailarina, atriz e coreógrafa se viu no centro da criação. Precisou ficar diante de sua própria história e vivenciar essas memórias num corpo que envelhece e impõe limites físicos.  O espetáculo está em cartaz no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, nos dias 04.09, às 15h30, (sessão para estudantes de escolas públicas) e 05.09, às 20h (gratuita e aberta ao público). Os ingressos para a sessão do dia 05.09 estarão disponíveis no site e na bilheteria física do CCBB a partir do meio-dia de 04.09.

 

Em A Escultura, Yara de Cunto foi convocada a ficar diante de si, como se estivesse num espelho a esquadrinhar a trajetória artística em detalhes. “Nunca me interessou o umbigo. O outro sempre foi a minha busca. Em A Escultura, fui afetuosamente chamada a pensar a minha vida e a condição física, a visão que perdi. Foi duplamente desafiador”, conta artista que divide a cena com a bailarina, coreógrafa e amiga Giselle Rodrigues, parceira desde os anos 1990.

A Escultura integra a programação do Movimento Internacional de Dança (MID). “Yara de Cunto está na base da criação do MID como curadora. Finalizar mais uma jornada do MID com sua presença no palco tem um forte sentido simbólico e de pertencimento para o festival”, avalia o diretor-geral do MID, Sergio Bacelar.

Em cena, Yara e Giselle experimentam uma profunda relação. Numa primeira camada, Giselle é guia de Yara, criando caminhos de mobilidade para que ela possa se deslocar com segurança no palco. Em outro aspecto da narrativa, as duas formam um pulsante duo que risca, em coreografias, os movimentos que constroem imagens memoriais emocionantes. “Foi um processo prazeroso. Fizemos exercícios de aplicação corporal que deu mais segurança a essa Yara que perdeu parte da visão. Foram alongamentos, toques, respirações que promoveram uma reconexão e uma mudança em sua musculatura interna. Alterou até o tônus da sua voz. Houve uma transformação em seu corpo que permitiu essa nova mobilidade no espaço cênico”, relata Giselle que assina a dramaturgia ao lado de Adriano Guimarães.

Graças à montagem A Escultura, Yara de Cunto compreendeu a importância da percepção do corpo para uma pessoa que tem baixa ou nenhuma visão. “Tenho essa condição especial por ser bailarina e ter trabalhado meu corpo durante toda a minha vida. Isso é fundamental para que eu possa me deslocar com mais segurança no espaço. Fica de pé e caminhar muda completamente quando a percepção de corpo é um estado de consciência”, avalia Yara de Cunto, que, recentemente, encapou uma oficina de dança para pessoas com deficiência visual programada pelo MID.

A dança da vida

Diretor de A Escultura, Adriano Guimarães conta que o maior desafio para a criação da montagem não passou pela perda de visão de Yara de Cunto. Ao contrário, essa condição que, para o senso comum poderia ser limitante, quebrou expectativas e barreiras na composição das cenas. “O mais difícil foi colocar a vida marcante de Yara de Cunto dentro da dramaturgia. Essa seleção foi o mais delicado porque estávamos diante de uma mulher com uma vida artística excepcional”, aponta.  "Levei um susto quando comecei a contribuir para os textos. Eu contava e relatava, isso é uma coisa desafiante, porque tem de ultrapassar algumas barreiras da sua vida, de momentos passados, das emoções. Então relatar isso é complicado", completa Yara.

As memórias de Yara de Cunto confundem-se com o amadurecimento das artes cênicas no Brasil. Como atriz, trabalhou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) ao lado de Tônia Carrero e Margarida Reis. Foi dirigida pelos míticos diretores estrangeiros, Adolf Celi, Henriette Morineau e Ruggero Jacob, que chegaram ao Brasil na segunda metade do século 20. Trabalhou no inquieto Teatro de Ipanema ao lado Rubens Corrêa e Ivan Albuquerque. Fundou o Balé do Teatro Guaíra (Curitiba), um dos mais importantes do país. Está na base da formação da primeira geração de intérpretes-criadores de dança contemporânea no Distrito Federal. “Poderia estar quietinha em casa por conta da visão e agora dessas pernas (ri), mas estou no palco porque está na minha corrente sanguínea. Vejo e me alimento de tudo. É a minha vocação. Danço desde os 8 anos e vivi uma vida intensa na arte”, anuncia.

A Escultura é uma explosão da linha de tempo de Yara de Cunto. Uma colcha memorial de gestos, frases, sonhos e lembranças que vagam sobre os olhos admirados da plateia. As sessões que acontecem no teatro do CCBB Brasília integram o Movimento Internacional de Dança. Parte de narrativas íntimas para esculpir a força e expressão artística de uma mulher que sempre expandiu as suas fronteiras.

Sobre o MID

Criado em 2014, o MID já recebeu mais de 75 mil pessoas, apresentou 100 coreografias do DF e trouxe artistas de 17 países. Patrocinado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB/DF), pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF) e apoiado por instituições como o Banco do Brasil e o SESC-DF, o evento firma-se como um dos principais festivais de dança do país.

 

Sinopse A Escultura

A Escultura constrói, a partir da profunda relação de Yara de Cunto com a dança, momentos marcantes de sua vida. Reencenando esses acontecimentos, ela explora com um corpo moldado pela passagem do tempo, revelando a plasticidade do envelhecimento que emerge dessa transformação. Ao lado de Yara está a bailarina e coreógrafa Giselle Rodrigues, com mais de 30 anos de trajetória. Juntas, elas desafiam a percepção convencional de que a carreira na dança está intrinsecamente ligada ao vigor físico da juventude, mostrando que a passagem do tempo – e mesmo as deficiências – não são barreiras intransponíveis.

Acessibilidade CCBB

A ação  Vem pro CCBB conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes.

A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso, no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta do vídeo de divulgação exibido no interior do veículo.

Horários da van, de quinta a domingo:

Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h

CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.

 

 O CCBB Brasília

O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.

 

Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.

 

Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.

 

Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.

SERVIÇO:

A ESCULTURA

Dias 04.09, às 15h30 (sessão para estudantes de escolas públicas) com acessibilidade de libras e audiodescrição.

Dia 05.09, às 20h, (sessão gratuita e aberta ao público).

Serviço:

[Dança] A Escultura

Gênero: teatro dança

Local: Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

Endereço: SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Especial Sul – Brasília – DF

Temporada: de 4 e 5 setembro de 2026

Dias e horários: sexta, às 15h30 (sessão para estudantes de escolas públicas), sábado, às 20h (aberta ao público).

Ingresso: gratuito com retirada no site www.bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB Brasília, a partir das 12h de 4 de setembro.

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: livre

Capacidade: 327 lugares | O Teatro possui áreas para cadeiras de rodas, assentos especiais para obesos e rampas.

 


CCBB Brasília

Funcionamento: De terça a domingo, das 9h às 21h

Endereço: SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Especial Sul – Brasília – DF

Fone: (61) 3108-7600

E-mail: ccbbdf@bb.com.br         

 


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