Mia Couto fala sobre criar histórias e a força da língua portuguesa no Centro Cultural

Mia Couto abordou a diversidade cultural de Moçambique, a amplitude da língua portuguesa e o contar histórias como algo essencial à vida. Para ele, tudo que é vivo pode se transformar em história e a literatura tem o poder de fantasiar o mundo.
"A literatura não tem propriamente uma função concreta. Ela existe um pouco por si própria porque nós contamos histórias. Basicamente, é porque desde criança a gente conta e escuta histórias", afirmou.
Vencedor do Prêmio Camões de 2013 e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras (ABL), o autor tem mais de 30 livros publicados, entre eles Terra Sonâmbula, Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra e O Último Voo do Flamingo. Em sua produção, a língua portuguesa é também espaço de criação, incorporando diferentes formas de expressão e modos de perceber o mundo.
Mia Couto destacou a importância do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), por meio do CCPJ, em abrir espaço para a literatura e refletiu sobre como o sentimento de Justiça nasce desde que tomamos consciência de nós mesmos. Para o escritor, o processo de escrever é também um exercício de habitar a identidade do outro, não escrever apenas de si, mas viajar para dentro de outras histórias e perspectivas.
"Se a gente reproduz a ideia de que não há solução, de que não há saída, os nossos filhos e os nossos netos vão pensar que não vão poder mudar a realidade. Eu comecei a criar histórias porque era preciso inventar histórias, encontrar no outro uma história", afirmou.






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