Milho dos EUA tem nova redução de produção e aumenta atenção sobre a colheita
A safra americana de grãos chega à reta final com mudanças importantes nas projeções para soja e milho. No milho, o USDA reduziu novamente a produtividade e a produção dos Estados Unidos, aproximando os números oficiais do cenário apontado pelo Pro Farmer em agosto. Na soja, a produção foi revisada para cima, mas o aumento das exportações levou a uma redução dos estoques finais.
Os números divulgados pelo USDA em setembro também colocam a colheita americana no centro das atenções. No milho, ainda há uma diferença relevante entre as estimativas do órgão americano e do Pro Farmer, que só deverá ser esclarecida com o avanço dos trabalhos no campo.
Milho tem corte na produtividade e na produção
A produtividade do milho nos Estados Unidos passou de 189 para 186,4 sacas por hectare. Com isso, a produção estimada caiu de 406,8 milhões para 401,3 milhões de toneladas. Os estoques finais também foram reduzidos, de 42 milhões para 39,8 milhões de toneladas.
No levantamento do Pro Farmer, realizado em agosto, a produtividade estimada havia sido ainda menor, de 181,2 sacas por hectare, com produção de 389,5 milhões de toneladas. A diferença entre as duas projeções ainda é de aproximadamente 11,8 milhões de toneladas. Para Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o ajuste do USDA reforça a necessidade de acompanhar a produtividade efetivamente obtida pelos produtores americanos.
“O USDA já começou a incorporar uma parte do que o Pro Farmer havia sinalizado em agosto, principalmente no milho. Ainda existe uma diferença importante entre as estimativas, e agora a colheita passa a ser fundamental para mostrar qual cenário está mais próximo da realidade”, afirma.
No mercado global, os estoques finais de milho da safra 2026/27 também foram reduzidos, de 274,7 milhões para 272,1 milhões de toneladas.
Soja americana produz mais, mas estoques caem
Na soja, o movimento foi diferente. O USDA elevou a produção dos Estados Unidos para 123,4 milhões de toneladas, alta de 0,3% em relação à estimativa de agosto. Apesar da maior produção, os estoques finais foram reduzidos de 8,7 milhões para 8,4 milhões de toneladas.
A projeção de exportações americanas subiu de 45,2 milhões para 45,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico permaneceu elevado. O resultado é um balanço em que a oferta cresce, mas não se transforma em aumento dos estoques.
“O número da produção, sozinho, não conta toda a história da soja americana. As exportações foram revisadas para cima e isso ajuda a explicar por que os estoques finais caíram mesmo com uma safra maior. Daqui para frente, a execução dessa demanda será um dos pontos mais importantes para o mercado”, diz Yedda.
No cenário mundial, a produção de soja para 2026/27 está estimada em aproximadamente 442,4 milhões de toneladas, praticamente o mesmo volume projetado para o consumo. Os estoques finais permanecem próximos de 124 milhões de toneladas.
China mantém demanda, mas compras ficam mais seletivas
A China continua no centro das atenções para a soja. O USDA manteve em 115 milhões de toneladas a projeção de importações chinesas para 2026/27, enquanto o consumo foi estimado em 136 milhões de toneladas. Os estoques finais ficaram em 44,3 milhões de toneladas.
Ao mesmo tempo, os estoques nos portos chineses aumentaram nas últimas semanas e reduziram a necessidade de compras mais agressivas no curto prazo. Para os próximos meses, a programação de chegada de soja tende a diminuir, enquanto pequenas e médias esmagadoras enfrentam margens mais apertadas e produto brasileiro relativamente caro.
Parte das empresas já trabalha com redução do esmagamento entre dezembro e fevereiro. Nesse cenário, o momento e a origem das compras chinesas ganham importância para os preços internacionais e para os prêmios no Brasil.
Argentina aumenta disputa pelo mercado de milho
No milho, a menor produção projetada nos Estados Unidos encontra um cenário de forte oferta na América do Sul. Na Argentina, a safra recorde aumenta a disponibilidade para exportação e mantém o cereal competitivo em diferentes destinos. A comercialização do produtor também avançou.
A presença argentina pesa diretamente sobre o milho brasileiro, principalmente nos destinos em que os dois países disputam espaço. A proximidade logística também faz diferença: os portos brasileiros mais próximos da Argentina tendem a sentir mais essa concorrência.
“O corte na produção americana dá algum suporte ao milho no mercado internacional, mas isso não significa necessariamente uma reação igual nos preços brasileiros. A oferta argentina continua forte e coloca uma pressão competitiva importante sobre o produto do Brasil”, avalia Yedda.
Conflitos mantêm mercado sensível
Além dos fundamentos de oferta e demanda, os conflitos internacionais continuam influenciando os preços agrícolas. No Oriente Médio, o petróleo é um dos principais pontos de atenção. Uma alta da energia pode melhorar a competitividade relativa dos biocombustíveis e dar suporte ao óleo de soja, mas também elevar custos com diesel, frete e parte dos insumos para o produtor brasileiro.
Na Rússia e na Ucrânia, o impacto está mais ligado ao fluxo de exportações. O USDA elevou a produção de milho da Ucrânia para 31,8 milhões de toneladas, mas reduziu a projeção de exportação para 22 milhões de toneladas. Os estoques finais passaram para 5,5 milhões de toneladas.
Para Yedda, os próximos dados de campo serão decisivos para definir a leitura da safra americana. “Agora o mercado precisa de confirmação. No milho, principalmente, a diferença entre as estimativas ainda é grande. A produtividade que vier da colheita americana, junto com o ritmo das compras da China e a oferta da América do Sul, vai ajudar a definir os próximos movimentos dos preços”, complementa.




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