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Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio está com inscrições abertas para sua 8ª edição

  • há 2 horas
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Em um cenário ainda marcado por desigualdades estruturais no acesso, financiamento e circulação no audiovisual, a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio se consolida como um dos mais importantes espaços de visibilidade, reconhecimento e projeção para o cinema realizado por mulheres negras. Pioneira no Brasil ao colocar essas narrativas no centro da cena, a iniciativa chega à sua 8ª edição reafirmando seu papel político, cultural e simbólico, ao mesmo tempo em que fortalece redes, amplia repertórios e contribui diretamente para a transformação do campo audiovisual brasileiro e internacional.

As inscrições seguem abertas até o dia 30 de maio de 2026 e contemplam produções nacionais e internacionais dirigidas por mulheres negras — cis e trans — em diferentes formatos e gêneros, como ficção, documentário, animação e experimental. Podem ser inscritos curtas, médias, longas-metragens, telefilmes e videoclipes finalizados em formato digital, desde que atendam aos critérios técnicos do edital. A participação é gratuita, e os filmes selecionados irão compor a programação oficial da Mostra, além de poderem integrar sessões especiais, ações formativas e circuitos de exibição em instituições culturais e educacionais, ampliando o alcance das obras e o diálogo com diferentes públicos. 

As obras em língua estrangeira devem conter legendas em português, e os filmes selecionados integrarão a programação oficial da Mostra, podendo também compor sessões especiais, ações formativas e exibições em instituições culturais e educacionais, sempre sem fins comerciais. Além da exibição, as produções concorrem a premiações em diversas categorias, como melhor filme, direção, roteiro, atuação e júri popular, além de possíveis menções honrosas, reforçando o compromisso do festival com o reconhecimento artístico e a valorização dessas narrativas.

A participação deve ser realizada por meio das plataformas oficiais, onde estão disponíveis os editais completos e os formulários de inscrição, nos seguintes links: (Nacional: https://forms.gle/nWz2qpNxy7hw8mWd7) e (Internacional: https://filmfreeway.com/mostraadeliasampaio). A programação será realizada entre os dias 9 e 14 de novembro de 2026, em formato híbrido, reunindo produções de diferentes territórios e fortalecendo o intercâmbio entre realizadoras negras de diversas partes do mundo.

Criada como um gesto político e cultural de afirmação, a Mostra nasce do compromisso de enfrentar as desigualdades históricas do setor audiovisual, especialmente no que diz respeito ao acesso de mulheres negras aos espaços de criação, produção e difusão. Ao longo de suas edições, consolidou-se como uma plataforma estratégica de projeção para obras que, por muito tempo, foram invisibilizadas ou marginalizadas, contribuindo para a construção de novos imaginários e narrativas. Ao priorizar exclusivamente filmes dirigidos por mulheres negras, o projeto inaugura e sustenta um território simbólico e concreto de protagonismo, ainda raro no circuito de festivais brasileiros e internacionais.

A Mostra homenageia permanentemente Adelia Sampaio, figura central na história do cinema brasileiro e referência incontornável quando se fala em pioneirismo e ruptura. Primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no país, Adelia desafiou as estruturas raciais e de gênero de um setor historicamente excludente, abrindo caminhos em um contexto de profundas limitações de acesso e oportunidades. Sua trajetória representa não apenas um marco histórico, mas também um gesto contínuo de resistência e invenção, que inspira o próprio sentido de existência da Mostra: criar condições reais para que outras mulheres negras possam dirigir, produzir, circular e sustentar suas próprias narrativas no audiovisual. O

Homenagem a Joyce Prado reforça memória, legado e continuidade no cinema negro

Nesta 8ª edição, a Mostra presta homenagem à cineasta Joyce Prado, falecida em 2025, cuja trajetória marcou de forma profunda e sensível o audiovisual negro contemporâneo, especialmente por sua capacidade de articular estética, política e território em suas obras.

Diretora e roteirista, Joyce Prado construiu uma filmografia comprometida com representações complexas e plurais da população negra, com atenção especial às experiências de mulheres negras em diferentes contextos sociais. Sua produção tensiona padrões hegemônicos de linguagem e narrativa, ao mesmo tempo em que propõe novas formas de ver, sentir e contar histórias, contribuindo para a ampliação do repertório imagético e simbólico do cinema brasileiro.

Também é co-fundadora da APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro), organização fundamental na articulação, formação e fortalecimento de profissionais negros no cinema e no audiovisual no Brasil. A atuação de Joyce nesse espaço reforça seu compromisso político com a transformação estrutural do setor, ampliando oportunidades e incidindo diretamente na construção de um mercado mais diverso e equitativo.

A relação da cineasta com a Mostra também se deu de forma direta e afetiva. Na edição anterior, realizada em 2025, a programação recebeu Joyce Prado como ministrante de uma oficina formativa de roteiro audiovisual, em um momento de troca e construção coletiva que marcou profundamente as participantes e reforçou seu compromisso com a formação de novas realizadoras. Sua presença foi reconhecida não apenas pela excelência artística, mas também pela generosidade no compartilhamento de processos e saberes.

Ao homenageá-la nesta edição, a Mostra não apenas reconhece sua contribuição artística, mas também celebra sua presença, sua escuta, sua generosidade e o impacto de sua atuação na formação e no fortalecimento de outras mulheres negras no audiovisual. A homenagem se afirma, assim, como um gesto de continuidade, memória e compromisso com o futuro.

Idealizadora da Mostra, a professora Edileuza Penha de Souza destaca que a iniciativa se constrói a partir da urgência de criar espaços de reconhecimento e circulação para essas produções. “A Mostra nasce da urgência de criar espaços de visibilidade, circulação e reconhecimento para o cinema realizado por mulheres negras. Ao longo das edições, temos construído um território de encontro, memória e futuro, onde essas narrativas não apenas existem, mas ganham centralidade.”

“Homenagear Adelia Sampaio é reconhecer uma trajetória que abriu caminhos para todas nós. E celebrar Joyce Prado é manter viva a força de uma artista que transformou o audiovisual com sua visão, sua coragem e sua estética, além de sua generosidade na troca com outras realizadoras.”, ressalta Edileuza Penha de Souza. 

Mais do que um festival, a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio se consolida como uma plataforma contínua de articulação, formação e projeção do cinema negro feminino, ampliando o acesso do público a produções que tensionam, reinventam e expandem os imaginários do audiovisual contemporâneo.

SERVIÇO:

8ª Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio

Prazo de inscrições: até 30 de maio de 2026.

Período da Mostra: 9 a 14 de novembro de 2026.

Local: Brasília -DF.

Formato: híbrido.

Inscrições: gratuitas.

Editais

Links para inscrição:

Quem pode participar: mulheres negras (cis e trans) realizadoras audiovisuais.

Categorias: curtas, médias, longas-metragens, telefilmes e videoclipes.

Gêneros: ficção, documentário, animação e experimental.

Mais informações: @mostraadeliasampaio. 


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