Museu Nacional da República recebe duas exposições da Fundação Bienal de São Paulo simultaneamente
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Por meio de uma parceria com o Sesc DF e com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Distrito Federal, o Museu Nacional da República, em Brasília, recebe simultaneamente duas mostras produzidas pela Fundação Bienal de São Paulo. Com abertura no dia 9 de abril e visitação de 10 de abril a 31 de maio, o museu acolhe Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, itinerância da 36ª Bienal de São Paulo com curadoria de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung e cocuradoria de André Pitol, e (RE)INVENÇÃO, itinerância da participação brasileira na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza – La Biennale di Venezia, com curadoria de Luciana Saboia, Eder Alencar e Matheus Seco, integrantes do Plano Coletivo. O programa educativo de ambas as exposições, com suas práticas de mediação e visitas em grupo, é apresentado pelo Sesc DF.
Projetado por Oscar Niemeyer, o Museu Nacional da República compartilha com o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação Bienal de São Paulo, também de autoria de Niemeyer, uma mesma genealogia arquitetônica. O diálogo entre as obras e esse território vocacionado para o encontro entre arte e público intensifica-se quando dois projetos da Fundação ocupam o museu ao mesmo tempo.
Para Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, ter duas mostras da Fundação Bienal ocupando o Museu Nacional da República ao mesmo tempo trata-se de “um gesto que reflete um entendimento de que o trabalho não se encerra no Pavilhão Ciccillo Matarazzo nem no Pavilhão do Brasil em Veneza; ele continua a se desdobrar quando chega a outros públicos, em outros contextos. A 36ª Bienal de São Paulo e a exposição (RE)INVENÇÃO são projetos distintos, mas compartilham uma mesma pergunta: como a arte e a arquitetura podem ser instrumentos de leitura do mundo e de construção de futuros possíveis. Brasília, com sua própria história de utopia construída, é um lugar particularmente potente para receber essas duas perguntas", reflete.
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
O Museu Nacional da República recebe, pela terceira vez, um recorte da maior exposição de arte contemporânea do hemisfério Sul. A itinerância em Brasília conta com curadoria assinada por Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, curador geral da 36ª edição, junto ao cocurador André Pitol. A mostra Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática reuniu quase 800 mil visitantes no Pavilhão Ciccillo Matarazzo entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. A capital federal havia recebido itinerâncias da 33ª Bienal em 2019 e da 35ª Bienal em 2024, consolidando uma trajetória importante de Brasília no circuito de arte contemporânea brasileiro. No Museu Nacional da República, o recorte da itinerância reúne obras de Akinbode Akinbiyi, Aline Baiana, Ana Raylander Mártis dos Anjos, Edival Ramosa, Ernest Cole, Leo Asemota, Malika Agueznay, Manauara Clandestina, Mao Ishikawa, Moisés Patrício, Myriam Omar Awadi, Myrlande Constant, Pélagie Gbaguidi, Rebeca Carapiá, Sadikou Oukpedjo, Sérgio Soarez, Tanka Fonta e Theo Eshetu.
Realizadas de forma programática desde 2011, as mostras itinerantes tornaram-se uma extensão fundamental da Bienal de São Paulo, fazendo com que obras e debates apresentados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo se reconfigurem em diálogo com contextos locais diversos, ativando outras leituras e relações com públicos. Na 36ª edição, esse movimento percorrerá mais de dez cidades do Brasil e do exterior ao longo de 2026.
Com conceito criado pelo curador geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em parceria com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza, a cocuradora at large Keyna Eleison e a consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus, além dos cocuradores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei, a 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática se inspira no poema "Da calma e do silêncio", da escritora Conceição Evaristo, e tem como um de seus principais fundamentos a escuta ativa da humanidade em constante deslocamento, encontro e negociação.
Além da circulação das obras, o programa de mostras itinerantes se estrutura a partir de um eixo educativo transversal, com formações voltadas às equipes locais, encontros online e presenciais, acompanhamento pedagógico e ações para diferentes públicos, como visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e atividades educativas para estudantes. Em Brasília, o programa conta com o apoio do Sesc DF.
(RE)INVENÇÃO – Participação brasileira na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia
Também a partir de 10 de abril, o Museu Nacional da República recebe a itinerância de (RE)INVENÇÃO, exposição que representou o Brasil na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza, em 2025, com curadoria dos arquitetos Luciana Saboia, Eder Alencar e Matheus Seco, do grupo Plano Coletivo. Trata-se da primeira vez que uma participação brasileira na Bienal de Veneza de Arquitetura realiza uma itinerância no Brasil. Assim como a itinerância da 36ª Bienal, a exposição é apresentada com o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Distrito Federal.
(RE)INVENÇÃO propõe um debate sobre tradição e inventividade a partir do existente, partindo da premissa de ressignificação da noção de infraestrutura como modo de habitar e como sistema: um todo organizado que compõe suas partes na busca por equilíbrio entre cultura e natureza. A coexistência presente na ancestralidade do território amazônico inspira um olhar para estratégias projetuais que configuram a arte de aplicar com eficácia os recursos de que se dispõe.
A exposição se organiza em dois planos. No plano horizontal, uma narrativa cartográfica de mais de 12 mil anos revela como os povos indígenas moldaram as paisagens ao seu redor, criando infraestruturas sofisticadas que integravam conhecimento técnico e estratégias de adaptação ao meio ambiente. No plano vertical curvilíneo, o olhar se volta para doze estratégias oriundas de todas as regiões do país, uma curadoria de pesquisas, processos e práticas em arquitetura que operam na busca por equidade social e equilíbrio ecológico.
A mostra dialogou diretamente com o tema geral da última edição, intitulada Intelligens. Natural. Artificial. Collective., proposto pelo curador italiano Carlo Ratti, que convidou os países participantes a refletirem sobre a intersecção entre inteligência natural e artificial, compreendendo esses dois eixos como parte de uma esfera expandida que integra arte, engenharia, biologia, ciência de dados, ciências sociais e políticas, ciências dos sistemas planetários e outras disciplinas, ligando cada uma delas à materialidade do espaço urbano.
Sem acréscimo de novos elementos ou suportes para além do que já existe na arquitetura do Museu Nacional, como rampas, guarda-corpos e planos verticais, a exposição se abre como um mirante para a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo e se reconfigura como lugar de reflexão e debate.
A Fundação Bienal de São Paulo agradece seu parceiro estratégico Itaú e seus patrocinadores master Bloomberg, Bradesco, Citi, Petrobras, Vale e Vivo.
Este projeto é realizado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura e Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.
Sobre o Museu Nacional da República
O Museu Nacional da República, localizado em Brasília, é um equipamento cultural público administrado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. O museu tem como missão promover as artes visuais para todos os públicos, de forma dialógica, e ser um espaço de incentivo à curiosidade, sensibilização do olhar e produção de conhecimento, por meio de ações de formação do acervo, salvaguarda, pesquisa, comunicação e educação.
Sobre a Fundação Bienal de São Paulo
Fundada em 1962, a Fundação Bienal de São Paulo é uma instituição privada sem fins lucrativos e vinculações político-partidárias ou religiosas, cujas ações visam democratizar o acesso à cultura e estimular o interesse pela criação artística. A Fundação realiza a cada dois anos a Bienal de São Paulo, a maior exposição do hemisfério Sul, criada em 1951, e suas mostras itinerantes por diversas cidades do Brasil e do exterior. A instituição é também guardiã de dois patrimônios artísticos e culturais da América Latina: um arquivo histórico de arte moderna e contemporânea referência na América Latina (Arquivo Histórico Wanda Svevo), e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação, projetado por Oscar Niemeyer e tombado pelo Patrimônio Histórico. Também é responsabilidade da Fundação Bienal de São Paulo a tarefa de idealizar e produzir as representações brasileiras nas Bienais de Veneza de arte e arquitetura, prerrogativa que lhe foi conferida há décadas pelo Governo Federal em reconhecimento à excelência de suas contribuições à cultura do Brasil.
Serviço
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática Itinerância Brasília – Museu Nacional da República
curadoria: Bonaventure Soh Bejeng Ndikung
cocuradoria: André Pitol
arquitetura: Tiago Guimarães
(RE)INVENÇÃO – Itinerância do Pavilhão do Brasil no Museu Nacional da República
Curadoria: Luciana Saboia, Eder Alencar e Matheus Seco [Plano Coletivo]
Colaboradores: André Velloso, Carolina Pescatori, Cauê Capillé, Daniel Mangabeira, Guilherme Lassance, Henrique Coutinho, Sérgio Marques [Plano Coletivo]
abertura, qui, 9 de abr, 19h
visitação, 10 abr – 31 maio 2026
ter a dom, 9h – 18h30
Museu Nacional da República
Setor Cultural Sul, Lote 2, Cep 70070-150
Brasília, DF
entrada gratuita







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