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Neste domingo (28), espetáculo teatral homenageia Alexandre Ribondi e celebra seu legado para a cultura de Brasília

  • 26 de jun.
  • 3 min de leitura

Quando um artista parte, o que fica é o que ele construiu. No caso de Alexandre Ribondi, ficou muito: um jeito de fazer teatro, uma escola de formação de atores, uma luta por direitos que mudou histórias e uma cidade que, em certa medida, aprendeu a se ver no palco graças a ele. No próximo domingo, 28 de junho, às 19h, o Teatro Mapati, na 707 Norte, em Brasília, recebe a estreia de Felicidade Invisível, um espetáculo que traz à cena a intimidade, as contradições e a generosidade de um homem que ajudou a construir as bases do teatro brasiliense.

 

A montagem é uma criação da Cia Ruiva de Teatro Ribondiano – Casa dos Quatro e nasce de uma pesquisa aprofundada conduzida por Morillo Carvalho sobre a vida e a obra de Ribondi. O espetáculo e sua narrativa foram construídos a partir de textos não-dramatúrgicos: recortes do último livro do homenageado, publicações em blogs, falas em entrevistas, depoimentos prestados à Comissão da Verdade da UnB e memórias da convivência artística e pessoal com o teatrólogo. O resultado foi surpreendente: uma dramaturgia adaptada que transforma a palavra escrita e falada em presença cênica.

 

Uma encenação que abraça o amarelo

 

A opção estética de Felicidade Invisível é carregada de afeto e rigor. Toda a cenografia é concebida em amarelo, cor favorita de Alexandre Ribondi, em diálogo direto com a instalação Desvio para o Vermelho (1967–1984), de Cildo Meireles, obra que questiona a percepção e os desvios da realidade. A trilha sonora, por sua vez, é composta em sua maioria por canções brasilienses ou interpretadas por artistas da cidade, reafirmando o enraizamento do espetáculo na identidade cultural de Brasília.

 

A direção geral e a dramaturgia adaptada são de Morillo Carvalho, que também assina cenografia, direção de arte e arte gráfica. A direção de movimento e coreografias é de Irina Buss. O elenco reúne Ana Elisa Santana, Carol Esteca, Edward Brando, Isabela França, Jupiter Rodrigues, Luiza Melo, Morillo Carvalho e Tai Neri. A assistência de direção é de Helen Cris; a operação de luz, de Rui Miranda; e a produção e operação de som, de Luli Neri.

 

Um legado que continua vivo

 

Mais do que uma homenagem, Felicidade Invisível é também um ato político e afetivo: recolocar em cena um nome que moldou a cultura da capital federal, mas que ainda não ocupa o espaço que merece na memória coletiva da cidade. Não por acaso, o espetáculo é viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal, uma política pública que, assim como Ribondi fez em vida, aposta na cultura como ferramenta de transformação social.

 

A peça integra a programação do Pontão de Cultura Mapati e é realizada pela Cia Ruiva de Teatro Ribondiano – Casa dos Quatro.

 

Quem foi Alexandre Ribondi

 

Ribondi foi uma figura central na história cultural do Distrito Federal. Ele foi teatrólogo, ator, diretor, professor e jornalista. Atuou como repórter do jornal Lampião e de outros periódicos, e teve papel decisivo na consolidação de um teatro genuinamente brasiliense. Em 2013, fundou a Oficina do Ribondi, espaço de formação de atores que segue ativo até hoje, mantido por Morillo Carvalho e Irina Buss após sua morte, em 2023. Ribondi também foi fundador do Beijo Livre, o primeiro grupo organizado de luta pelos direitos LGBT do Distrito Federal, tornando-se uma referência incontornável na história dos direitos humanos na cidade.

 

Serviço:

 

Felicidade Invisível | Cia Ruiva de Teatro Ribondiano – Casa dos Quatro

Data: 28 de junho de 2026 (domingo)

Horário: às 19h

Local: Teatro Mapati – SHCGN 707, Bloco K, Casa 05, Asa Norte, Brasília/DF

Classificação indicativa: 14 anos

Realização: Cia Ruiva de Teatro Ribondiano – Casa dos Quatro


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