Novembro Azul: Distrito Federal pode registrar 940 novos casos de câncer de próstata em 2026

O Distrito Federal deve registrar aproximadamente 940 novos casos de câncer de próstata em 2026, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número representa uma média de quase três diagnósticos por dia e uma taxa de 65,49 casos por 100 mil homens. No Brasil, a projeção chega a 77.920 novos casos anuais entre 2026 e 2028. Os dados reforçam a importância do Novembro Azul, campanha que busca ampliar a conscientização sobre uma doença que frequentemente não apresenta sintomas em seus estágios iniciais.
O câncer de próstata está entre os tumores mais frequentes na população masculina, especialmente após os 60 anos. O envelhecimento, o histórico familiar e determinadas alterações genéticas estão entre os fatores que influenciam o risco. Embora o diagnóstico precoce possa ampliar as possibilidades de tratamento, especialistas alertam que a investigação precisa considerar as características individuais de cada paciente, evitando tanto o atraso na identificação da doença quanto exames desnecessários.
O urologista Dr. Mark Fernando Neumaier explica que a prevenção deve ser personalizada. “Prevenção não significa fazer todos os exames disponíveis, mas realizar aqueles que realmente fazem sentido para cada paciente. Um homem com histórico familiar de câncer de próstata pode precisar de uma abordagem diferente de outro sem fatores de risco. O acompanhamento individualizado evita tanto diagnósticos tardios quanto exames e tratamentos desnecessários”, orienta.
Um dos principais desafios é que o câncer de próstata pode evoluir silenciosamente. Quando surgem alterações urinárias, como dificuldade para urinar, redução da força do jato, aumento da frequência urinária ou sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, é necessário investigar a causa. Esses sintomas, entretanto, não significam necessariamente câncer e podem estar associados à hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata.
O urologista Dr. Lucas Takikawa, que atua no diagnóstico e tratamento de doenças da próstata, destaca que os sintomas urinários precisam ser avaliados com atenção. “A presença de sintomas urinários não permite concluir que existe câncer, assim como a ausência de sintomas não descarta a doença. É fundamental diferenciar as condições e evitar tanto o medo desnecessário quanto a negligência com a própria saúde”, explica.
A investigação do câncer de próstata pode envolver exames como o PSA, realizado por meio de coleta de sangue, e o toque retal, conforme a avaliação clínica. Um resultado alterado não confirma isoladamente a presença de um tumor, sendo necessária investigação complementar em determinadas situações. Para homens sem sintomas, a decisão sobre o rastreamento deve considerar idade, histórico familiar, fatores de risco e os possíveis benefícios e limitações dos exames.
Quando o diagnóstico é confirmado, o tratamento depende do estágio da doença, da agressividade do tumor e das condições clínicas do paciente. Entre as possibilidades estão vigilância ativa, cirurgia, radioterapia e tratamentos sistêmicos. Em determinados casos, a cirurgia robótica permite a retirada da próstata com auxílio de instrumentos de alta precisão, oferecendo visualização ampliada das estruturas anatômicas e potencialmente favorecendo a recuperação pós-operatória.
O urologista Dr. Thomas Vallezi Battaglia, especialista em uro-oncologia e cirurgia robótica, explica que a tecnologia pode contribuir para preservar estruturas relacionadas à continência urinária e à função sexual, mas não elimina os riscos do procedimento. “A cirurgia robótica permite uma visualização ampliada das estruturas e movimentos bastante delicados, o que pode contribuir para preservar tecidos importantes para a continência urinária e a função sexual. Entretanto, os resultados dependem de fatores como as características do tumor, a anatomia do paciente e a experiência da equipe”, afirma.
A conscientização sobre a saúde masculina, porém, não deve ficar restrita à próstata. Doenças cardiovasculares também merecem atenção, especialmente porque fatores como hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo e sedentarismo podem comprometer o organismo sem provocar sintomas imediatos. O acompanhamento médico permite identificar riscos e orientar mudanças de hábitos antes do aparecimento de complicações.
O cardiologista Dr. Carlo Bonasso Filho, médico do Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, é uma das fontes que abordam a importância de incluir a saúde cardiovascular nas discussões do Novembro Azul. A pressão arterial elevada pode permanecer silenciosa durante anos, aumentando o risco de infarto e acidente vascular cerebral. Por isso, o controle dos fatores de risco deve fazer parte dos cuidados regulares com a saúde masculina.
Mais do que incentivar consultas durante novembro, a campanha propõe uma mudança na maneira como os homens lidam com a própria saúde. Para Mark Neumaier, o cuidado precisa ser permanente. “Cuidar da saúde não é sinal de fragilidade. Pelo contrário, significa preservar autonomia, disposição e qualidade de vida. O homem precisa compreender que não deve esperar uma doença avançar ou um sintoma se tornar insuportável para procurar ajuda. Novembro é um lembrete importante, mas esse cuidado precisa acontecer durante os doze meses do ano”, conclui.
Sobre os especialistas
Dr. Mark Fernando Neumaier (CRM-PR 26.297 | RQE 17.114) é urologista, doutor pela PUC-PR, professor de Urologia e fundador da Clínica Uromann. Atua em uro-oncologia, saúde sexual masculina e tratamentos minimamente invasivos.
Instagram: @dr.markneumaier
Dr. Lucas Takikawa é médico urologista, com atuação no diagnóstico e tratamento de doenças da próstata, alterações urinárias e procedimentos endoscópicos minimamente invasivos, incluindo a enucleação prostática com laser de Holmium (HoLEP).
Dr. Thomas Vallezi Battaglia é urologista, com atuação em uro-oncologia, cirurgia robótica e procedimentos minimamente invasivos.
Instagram: @drthomasbattaglia.urologista
Dr. Carlo Bonasso Filho é cardiologista, médico do Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.





Comentários