top of page

Obra de Benjamin Britten com elenco formado por artistas da cidade será apresentada nos dias 17 e 18 de outubro

há 2 horas
5 min de leitura

No mês das crianças, Brasília recebe “Vamos fazer uma Ópera!”, espetáculo cênico-musical com a ópera “O Menino da Chaminé” de Benjamin Britten especialmente pensado para o público infantil e que também promete conquistar espectadores de todas as idades. A montagem marca os 50 anos da morte do compositor britânico e integra as homenagens realizadas em torno de sua obra.


Com direção artística, cênica e cenografia de Hyandra Ello e direção musical e regência do maestro Ricardo Sousa-Castro, o espetáculo reúne cantores adultos de destaque na cena operística de Brasília e seis crianças selecionadas por audição. Os jovens integrantes do elenco participaram de um processo de preparação que incluiu 40 horas de oficinas de canto e teatro, além dos ensaios para a montagem.


Para o maestro Ricardo Sousa-Castro, a obra foi concebida para ser acessível ao público infantil, sem abrir mão do estilo e da complexidade harmônica característicos de Britten. “A Orquestra Metropolitana de Brasília seguirá a formação original do compositor: um piano a quatro mãos, quarteto de cordas e percussão. Essa combinação resulta em uma sonoridade muito particular, com uma especial importância da percussão como elemento dramático. Além da participação de solistas adultos e crianças, a ópera também tem a participação do público, que é convidado a cantar em alguns momentos específicos. O Coro de Câmara de Brasília será o ponto de ligação entre os solistas e o público, ajudando a interpretar as canções da plateia”, explica.


O maestro também destaca o tratamento musical dado ao personagem João, protagonista da história. “O compositor dá um tratamento especial ao personagem João, que tem maior incidência de semitons e cromatismos, que contrastam com as melodias mais diatônicas e alegres das outras crianças. O tratamento melódico evidencia a diferença entre a sofrida vida de João e a das crianças que tiveram uma infância melhor. A ópera também apresenta momentos de maior complexidade harmônica, como na ária da Rita, com maior densidade musical e psicológica. No final, o compositor retoma, de maneira mais sutil, a dissonância de semitom do início, como se quisesse mostrar que há uma ferida em João que ainda não foi curada, deixando claro que o final feliz ainda não garante o futuro do personagem”, complementa Ricardo.


A história começa em Planaltina, nos anos 1990, quando um grupo de crianças brinca de queimada na rua. Por acidente, a bola cai na casa de Dona Meire, uma senhora misteriosa. Ao entrarem discretamente para recuperá-la, as crianças encontram um baú repleto de objetos antigos e uma partitura de ópera. Fascinada pela descoberta, Joana leva a partitura para casa e adormece.


É a partir desse sonho que a narrativa ganha novos contornos. Joana se transforma no pequeno João, um menino abandonado e obrigado a trabalhar limpando chaminés. Ao ficar preso dentro de uma delas, João pede socorro e acaba encontrando outras crianças, que ouvem sua história e decidem ajudá-lo. A partir daí, começa uma aventura que mistura música, imaginação e situações surpreendentes.


A montagem é dividida em três momentos — prólogo, interlúdio e ópera — e utiliza o sonho como elemento central da encenação. Para a diretora artística, cênica e cenógrafa Hyandra Ello, a proposta é criar um espaço em que tempo, lugar e realidade possam se transformar livremente. “Mais do que contar uma história sobre uma menina que sonha, a montagem propõe ao público sonhar junto com ela. Recuperar, por alguns instantes, a liberdade da infância, quando imaginar era uma forma natural de compreender o mundo e quando uma porta podia ser um portal, uma janela podia revelar outro universo e um imprevisto podia simplesmente abrir caminho para uma nova possibilidade”, explica Hyandra.


Visualmente, a encenação dialoga com o universo surrealista do artista René Magritte, especialmente por meio de portas e janelas que funcionam como portais entre diferentes espaços e estados de imaginação. Esses elementos se movimentam no palco e ajudam a criar, diante do público, um cenário em constante transformação.


A montagem também retoma uma história pessoal do produtor e cantor Hugo Lemos, que participou da primeira montagem da obra em Brasília, realizada em 2013. Na época, um edital da Secretaria de Cultura voltado para o público infantil possibilitou a realização do projeto, apresentado por sugestão do professor de canto e diretor de ópera Francisco Frias. 


Treze anos depois, Lemos decidiu retomar a proposta e convidou novamente o maestro Ricardo Sousa-Castro, único outro integrante da equipe original que permanece nesta nova montagem. “Sempre foi uma vontade repetir esse mesmo projeto, fazendo uma seleção de seis novas crianças e oferecendo 40 horas de oficinas de canto e de teatro. Nesses dois meses de preparação para a ópera, nas oficinas e nos primeiros ensaios, percebemos que, a cada dia, elas evoluem e se entregam ao processo com muita dedicação”, conta Hugo Lemos, que admite que essa é uma das óperas favoritas dele.


A seleção das seis crianças foi realizada em julho, por meio de audição, entre 12 candidatos, todos estudantes de música. Para Hugo, a escolha foi uma das etapas mais desafiadoras da produção, mas o resultado tem confirmado a aposta no novo elenco. “Garanto que o público ficará satisfeito e pode esperar um espetáculo divertido, encantador e profissional”, afirma.


Além de apresentar a ópera ao público infantil, a montagem aposta no contato das novas gerações com o canto lírico, o teatro e a música de concerto, aproximando crianças e famílias de uma linguagem artística muitas vezes associada apenas ao público adulto.


“Vamos fazer uma Ópera!” é um projeto realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e será apresentado no Teatro Madre Carmen Salles nos dias 17 e 18 de outubro. A classificação é livre e a duração aproximada é de 1h10. A sessão do dia 17 às 16h contará com audiodescrição, libras e programa em braile.


Elenco


AdultosDona Meire – Janette DornellasRita – Gabriela RamosJulia – Isabel QuintelaBeto/Tonho – Hugo LemosCláudio/Aldo – Roger Vieira


CriançasJoão/Joana – Maísa MourãoCaio – Joaquim FrazãoSara – Maia CastroDani – Raphaela PaixãoIuri – Murilo MourãoNina – Maria Leal


Ficha técnica


Direção Artística, Cênica e Cenografia: Hyandra ElloDireção Musical e Regência: Maestro Ricardo Sousa-CastroDireção de Produção: Hugo LemosFigurinos: Janette DornellasIluminação: Lidianne CarvalhoMaquiagem: Ju WelascoOrquestra Metropolitana de Brasília

Coro de Câmara de Brasília


Serviço:

Vamos fazer uma Ópera!

17 e 18 de outubro de 2026 às 16h e 19hTeatro Madre Carmen Salles, 604 norte

Ingressos: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia)Antecipados: hl.art.br/vfoBilheteria local: uma hora antes de cada sessão (dinheiro ou pix)


Informações importantes:

• Ingressos gratuitos para crianças e jovens até 14 anos, maiores de 60 anos e PCD.• Meia-entrada para estudantes, professores e profissionais da saúde• Meia solidária mediante doação de alimentos• Lugares por ordem de chegada (com fila preferencial prevista em lei)


A sessão do dia 17 às 16h contará com audiodescrição, libras e programa em braile.

Classificação: LivreDuração: 1h10


Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal 


Comentários


© 2025 por Rodac Comunicação Criativa

bottom of page