Palestras no CCBB Brasília debatem racismo e desinformação
- Rodrigo Carvalho

- 20 de jul. de 2025
- 8 min de leitura

Duas palestras que abordam os temas que norteiam a mostra Arte Subdesenvolvida, em exibição no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília), trazem para a capital federal debates importantes sobre o combate ao racismo e como os artistas brasileiros reagiram à pecha do subdesenvolvimento atribuído ao Brasil a partir da primeira metade do século XX. No dia 26 de julho, às 14h, o professor e especialista em História da África e do negro no Brasil Marcelo Tomé realiza a palestra “Educação antirracista”. Já no dia 2 de agosto, às 17h, o curador da mostra, Moacir dos Anjos, fala ao público sobre “Arte e subdesenvolvimento no Brasil”. As palestras são voltadas para educadores sociais, professores, estudantes e o público em geral, contarão com tradução em Libras e serão seguidas de visitas mediadas à exposição. A entrada é gratuita, com a retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura. A classificação indicativa é livre para todos os públicos.
No dia 26 de julho, às 14h, o professor e especialista em História da África e do negro no Brasil, Marcelo Tomé realiza a palestra “Educação antirracista”. O tema parte da discussão sobre a importância do letramento racial, o processo educativo-formativo que tem por objetivo capacitar indivíduos a identificar e compreender as estruturas e práticas racistas presentes em suas vidas diárias e na sociedade – em um momento em que às informações disponíveis em mecanismos de busca e redes sociais são mediadas por algoritmos que perpetuam estereótipos. Essas práticas revelam como as percepções raciais afetam diretamente nossa população. Estudos mostram o impacto profundo dessa desigualdade na saúde e na situação econômica da população negra. A discussão e a reflexão sobre o tema são urgentes e essenciais para uma verdadeira transformação social.
A palestra contará o com tradução em Libras e será seguida de uma visita à exposição Arte Subdesenvolvida, mediada por monitores do Projeto Educativo do CCBB Brasília. A entrada é gratuita, com retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura, e a classificação indicativa é livre para todos os públicos.
Sobre Marcelo Tomé
Com vasta expertise e uma paixão inabalável pela Educação e pela Cultura, Marcelo Tomé é palestrante, mestre e bacharel em Administração, além de especialista em História da África e do Negro no Brasil. Sua trajetória inclui a atuação como professor de Relações Étnico-raciais no Programa de Pós-graduação das Faculdades Integradas Campos Salles, em 2016, bem como no curso da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre 2014 e 2016.
De maneira visionária, criou e dirigiu o curso Identidade Cultural Afro-brasileira (ICAB), de 2009 a 2020, uma colaboração entre o Teatro Popular Solano Trindade e a Secretaria de Educação da Estância Turística de Embu das Artes. Este curso, respaldado pela Unifesp entre 2012 e 2016, tornou-se um marco no fortalecimento da diversidade e cultura afro-brasileira na região sudoeste de São Paulo.
Sua atuação vai além do ambiente acadêmico, desempenhando também papéis-chave em iniciativas culturais e educacionais. Foi coordenador-técnico do Ponto de Cultura Solano Trindade Raízes de Cultura, atuou como membro da Comissão Paulista dos Pontos de Cultura do Estado de São Paulo e participou ativamente do Conselho Municipal de Cultura e Educação de Embu das Artes. Desde 2017, é o coordenador do curso Estudos Abertos para Maturidade nas Faculdades Integradas Campos Salles. É sócio e idealizador da produtora de eventos esportivos e culturais Do Mundo Produções, bem como diretor da Teatro Popular Solano Trindade.
“Arte e subdesenvolvimento no Brasil” com Moacir dos Anjos
No dia 2 de agosto, às 17h, Moacir dos Anjos, curador da mostra Arte Subdesenvolvida, fala ao público sobre o tema “Arte e subdesenvolvimento no Brasil”. O curador discutirá os modos como a arte brasileira reagiu à condição de subdesenvolvimento no país, entre as décadas de 1930 e 1980. A palestra abordará, ainda, como a arte brasileira incorporou, temática e formalmente, os paradoxos dessa condição. A discussão é relevante para entender a recente virada política na arte brasileira contemporânea.
A palestra contará com tradução em Libras e será seguida de uma visita à exposição, mediada pelo curador da mostra. A entrada é gratuita, com retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura, e a classificação indicativa é livre para todos os públicos.
Moacir dos Anjos é graduado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco, mestre em Economia pela Unicamp e doutor em Economia pela University of London, com pós-doutorado em Arte Transnacional, Identidade e Nação na Camberwell College of Arts em Londres. Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco desde 1990, foi curador da 29ª Bienal de São Paulo em 2010; diretor geral do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam) em Recife entre 2001 e 2006; e curador da ARCO 2008.
Dentre as exposições de que participou como curador se destacam: Hélio Oiticica – Delirium Ambulatorium (2023-2024), no CCBB Brasília e no CCBB Belo Horizonte, Vestidas de Branco (2008), de Nelson Leirner, no Museu Vale em Vila Velha; Babel – Cildo Meireles (2006), na Estação Pinacoteca em São Paulo; Contraditório. Panorama da Arte Brasileira (2007), no Museu de Arte Moderna de São Paulo; Zona Franca, na Bienal do Mercosul (2007) em Porto Alegre; e Marcas – Efrain Almeida (2007). É conselheiro da Fundação Iberê Camargo e integra o Comitê Assessor da Cisneros Fontanals Arts Foundation desde 2006.
Sobre a mostra
A partir dos anos 1930, mais precisamente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), países econômica e socialmente vulneráveis passaram a ser denominados “subdesenvolvidos”. No Brasil, artistas reagiram ao conceito, comentando, posicionando-se e até combatendo o termo. Parte do que eles produziram nessa época está presente na mostra Arte Subdesenvolvida, que tem curadoria de Moacir dos Anjos e da Tuîa Arte Produção. A mostra fica em exibição no CCBB Brasília até 3 de agosto. Com visitação de terça a domingo, das 9h às 21h, com entrada nas galerias até as 20h40. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura, e a classificação indicativa é livre.
O conceito de subdesenvolvimento foi corrente por cinco décadas até ser substituído por outras expressões, dentre elas, países emergentes ou em desenvolvimento. “Por isso o recorte da exposição é de 1930 ao início dos anos 1980, quando houve a transição de nomenclatura, no debate público sobre o tema, como se fosse algo natural passar do estado do subdesenvolvimento para a condição de desenvolvido”, reflete o curador Moacir dos Anjos. “Em algum momento, perdeu-se a consciência de que ainda vivemos numa condição subdesenvolvida”, complementa.
A mostra, com patrocínio do Banco do Brasil e da BB Asset, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, apresenta pinturas, livros, discos, esculturas, cartazes de cinema e teatro, áudios, vídeos, além de um enorme conjunto de documentos. São peças de coleções particulares, dentre elas, dois trabalhos de Candido Portinari e duas obras de Anna Maria Maiolino. Há também obras de Paulo Bruscky e Daniel Santiago cedidas para a exposição pelo Museu de Arte do Rio (MAR).
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes.
A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso, no site, na bilheteria do CCBB ou, ainda, pelo QR Code na própria van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code, que consta do vídeo de divulgação exibido no interior do veículo.
Horários da van – de quinta a domingo:
Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h
CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30
Sobre a Tuîa Arte Produção
Tuîa Arte Produção é uma organização que tem em seu escopo projetos de produção cultural voltados para as artes visuais, expografia e arte-educação, e que conduz seus projetos pensando a arte e a cultura como lugar de existência simbólica e concreta para os afetos, os dissensos e o pertencimento. É dirigida pela produtora cultural, artista e pesquisadora Bruna Neiva, que possui mestrado na linha de Poéticas Contemporâneas do Instituto de Artes e é doutoranda em Imagem, Estética e Cultura Contemporânea pela Universidade de Brasília (UnB). Há mais de 12 anos, a Tuîa trabalha na concepção e execução de projetos autorais e produção cultural, pesquisa em arte contemporânea e arte-educação. Ao longo desse tempo, desenvolveu projetos em produção cultural voltados para as artes, o pensamento crítico e a arte-educação, tais como exposições de arte contemporânea, ciclos de palestras e oficinas, programas educativos para museus.
Sobre o CCBB Brasília
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.
Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
Sobre BB Asset
A BB Asset é a maior gestora de fundos de investimento do Brasil, com R$ 1,7 trilhão* sob gestão, e reconhece na arte um legado que atravessa o tempo, preserva memórias e mantém viva a identidade cultural.
O patrocínio à exposição Arte Subdesenvolvida reflete o compromisso da gestora com o investimento constante na promoção da cultura. A mostra reúne trabalhos que marcaram diferentes períodos da arte brasileira, ampliando perspectivas e revelando como cada obra pode continuar relevante muito além do seu tempo. Cada peça exposta convida à observação cuidadosa e à redescoberta, reforçando o papel da arte como um território sempre aberto a novas leituras.
Com essa visão, a BB Asset segue apoiando iniciativas que fortalecem a conexão entre o público e a cultura, garantindo que a arte permaneça acessível e continue despertando novos olhares.
*Ranking ANBIMA novembro 2024
Serviço:
“Educação Antirracista”
Com | Marcelo Tomé
Palestra + Visita à mostra Arte Subdesenvolvida mediada pelo Educativo do CCBB Brasília
Quando | 26/07, às 14h
Duração | 1 hora de palestra + 1 hora de visita mediada
Onde | Hall da Galeria 5 do CCBB Brasília
Capacidade | 60 pessoas
Acesso | Gratuito, mediante retirada de ingresso no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria física do CCBB Brasília
Classificação Indicativa | Livre
Acessibilidade | Tradução em libras
“Arte e subdesenvolvimento no Brasil”
Com | Moacir dos Anjos
Palestra + Visita à mostra Arte Subdesenvolvida mediada pelo palestrante e curador
Quando | 02/08, às 17h
Duração | 1 hora de palestra + 1 hora de visita mediada
Onde | Hall da Galeria 5 do CCBB Brasília
Capacidade | 60 pessoas
Acesso | Gratuito, mediante retirada de ingresso no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria física do CCBB Brasília
Classificação Indicativa | Livre
Acessibilidade | Tradução em libras
Arte Subdesenvolvida
Visitação | até 3 de agosto de 2025
Local | Galerias 1, 3, 5 e Pavilhão de Vidro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
Horário | De terça a domingo, das 9h às 21h (entrada na galeria até às 20h40)
Acesso | Gratuito, mediante retirada de ingresso no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria física do CCBB Brasília
Classificação Indicativa | Livre
CCBB Brasília
Funcionamento: Aberto de terça a domingo, das 9h às 21h
Endereço: SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Especial Sul – Brasília – DF
Fone: (61) 3108-7600
E-mail: ccbbdf@bb.com.br
Site: bb.com.br/cultura
Facebook/Instagram: @ccbbbrasilia
YouTube: bancodobrasil
TikTok: @ccbbcultura










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