Peça inspirada na boate gay New Aquarius volta em cartaz no Sesc
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A montagem teatral O Arco-íris no Concreto, indicado ao Prêmio Sesc+Cultura 2025 na categoria Relevância Cultural e Artística, regressa ao palco para três sessões no Sesc Ary Barroso (dias 3 e 4 de abril, às 20h; dia 5 de abril, às 19h, com entrada franca (ingressos disponíveis na página do SESC DF (clique aqui), mediante a entrega de um quilo de alimento não-perecível. A peça mergulha na memória da primeira boate gay de Brasília, a New Aquarius, inaugurada em plena ditadura militar no coração de Brasília, no território cultural e de resistência conhecido afetivamente como Conic.
Sucesso de público e crítica, a montagem foi vista por mais de 1 mil espectadores em 2025. Especialista em teatro, Rodrigo Ferreti escreveu no blog “Crítica em Cena”: “Um belo trabalho de pesquisa que além de histórias é uma colcha de afetos e proteção, em uma rica dramaturgia baseada na intimidade de quem viveu aquelas noites; Um trabalho denso que abre espaço ao lúdico e à comédia, fazendo que a peça transcorra sem que se perceba que o tempo passe, ao mesmo tempo que diverte e emociona"
“O Arco-íris no Concreto”, do Coletivo Criaturas Alaranjadas, nasceu inspirada na resistência LGBTQIA+ nos anos 1970 e da necessidade de discutir territórios de luta e pertencimento, renovando a memória coletiva e promovendo debates urgentes sobre direitos humanos, identidade e diversidade.
“No palco, trazemos o passado como ponto de fricção para pensarmos quais as lutas e os desafios da comunidade LGBTQI+ no aqui e agora. É potente porque não podemos enfrentar as tentativas de retrocesso aos direitos adquiridos se não nos reportamos à luta de quem veio antes e enfrentou a força bruta do autoritarismo”, aponta o dramaturgo e diretor Sérgio Maggio.
O espetáculo reúne uma afiada equipe de intérpretes e artistas cênicos no palco. Com 40 anos dedicados ao teatro, Jones Schneider é o criador do cenário e figurinos, recriando o ambiente underground da News Aquarius. Hugo Leonardo (ator e estudioso na comicidade do clown queer) está ao lado da atriz Maria Léo Araruna (também escritora e destaque no movimento trans artístico do DF) e Pedro Olivo (drag queen, clown e ator). As coreografias são da drag queen K-Halla (do performer Bruno Coeoli) e a luz de Lemar Andrande.
SINOPSE
Ao lado da jovem drag queen Luna, Mona Mone de Liz Taylor, artista transformista histórica, despede-se de Brasília com seu último show. Nos bastidores, recebe a visita de Martina, filha de antigos frequentadores da boate, que busca entender a história de amor de seus pais e a importância da New Aquarius num momento de repressão e invisibilidade LGBTQIA+.
SERVIÇO
O Arco-íris no Concreto
Dias: 3 e 4 de abril, às 20h; 5 de abril, às 19h
Local: Teatro Ary Barroso (Sesc 504 Sul).
Entrada franca com ingressos gratuitos retirados no site do Sesc (clique aqui) mediante a entrega de 1 kg de alimento não perecível.
Classificação indicativa: 16 anos.
FICHA TÉCNICA
Direção, dramaturgia, pesquisa histórica e musical: Sérgio Maggio.
Intérpretes-criadores: Hugo Leonardo, Maria Leo Araruna e Pedro Olivo.
Figurinista, cenógrafo e ator convidado: Jones Schneider.
Assistente de direção e ator convidado: Wryel Lima.
Iluminador e operador de luz: Lemar Rezende.
Operador de som: Caio Marins.
Costureira: Izabel Cabral Oliveira.
Coreografias: Bruno Coeoli (Drag Queen K-Halla).
Visagismo: Pedro Olivo.
Sobre a New Aquarius
Em outubro de 1974, o servidor público, dramaturgo e encenador Oswaldo Gessner criou o American Bar, destinado ao público gay, no Conic. Dois anos mais tarde, transformou-se na New Aquarius, a primeira boate gay de Brasília, localizada no subsolo do Conic (atualmente Espaço Galeria, com funcionamento esporádico e ainda sob a chancela de Gessner).
A New Aquarius foi palco para muitas estrelas: Lorraine Star, Maruse, Michelle Presley, Diana Power e Victória — que de dia era Victor, maquilhador da primeira-dama Dulce Figueiredo. Carlinhos Brasil, Monique (hoje Bebel), Kaká Silva, Francis Taylor, Gal Maria também passaram pelo espaço. Francis Taylor, em especial, era conhecido pelos seus números caricatos e dublagens de músicas da MPB. A boate recebeu ainda personalidades como Elke Maravilha, Rogéria e Greta Star.







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