Por que tatuadores experientes continuam voltando para a sala de aula

Mesmo depois de anos de carreira, a atualização segue presente na rotina de profissionais da tatuagem em diferentes países. A Tattoo Convention Berlin, que chega à 34ª edição entre 18 e 20 de setembro de 2026 com mais de 300 artistas internacionais, incluiu na programação seminários específicos sobre tatuagem e higiene. Nos Estados Unidos, a Alliance of Professional Tattooists mantém cursos de atualização destinados inclusive a profissionais experientes.
Felipe Luiz Petruy, tatuador, empresário e mentor especializado em realismo preto e cinza e retratismo, construiu a própria trajetória a partir dessa lógica. Desde que iniciou profissionalmente, em 2019, buscou mentorias, seminários e imersões com diferentes artistas para aprofundar conhecimentos em desenho realista, anatomia, sombras, contraste e texturas. Anos depois, passou a ocupar o outro lado dessa relação e começou a formar tatuadores interessados em aperfeiçoar a técnica.
“Na tatuagem, o tempo de carreira não elimina a necessidade de estudar. Conforme a técnica evolui, o profissional começa a perceber detalhes que antes não enxergava e passa a buscar respostas para questões cada vez mais específicas. É um aprendizado que muda junto com o próprio trabalho”, afirma Petruy.
A formação do tatuador não se limita, porém, à construção artística. A Alliance of Professional Tattooists, entidade dos Estados Unidos voltada à segurança e à educação no setor, oferece em 2026 uma modalidade de atualização específica para profissionais experientes, com conteúdos relacionados a patógenos transmitidos pelo sangue, esterilização, desinfecção e controle de infecções.
No Brasil, a tatuagem também integra a lista de serviços considerados de interesse para a saúde pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segundo a Anvisa, falhas nos procedimentos de segurança podem provocar danos ou agravos ao cidadão, o que amplia a responsabilidade de quem atua diretamente sobre a pele.
“Existe uma parte artística muito evidente, mas tatuar não se resume ao desenho. O profissional trabalha diretamente sobre o corpo de outra pessoa. Técnica, segurança, conhecimento dos materiais e cuidados durante todo o procedimento precisam caminhar juntos”, explica Felipe.
Da busca por conhecimento ao papel de mentor
A formação de Petruy começou em 2019, com uma mentoria conduzida por José Manoel Vieira. Nos anos seguintes, o tatuador participou de cursos, seminários e imersões com profissionais como Chico Morbene, Charles Lavesso, Cristhofer Nieiro, Danylo Stefan e Raphael Fabrício. Os estudos envolveram desde desenho realista e anatomia facial até luz, sombras, contraste, texturas e diferentes formas de aplicação.
Essa busca por especialização acompanhou também outras etapas da carreira. Felipe conquistou o segundo lugar na categoria Retrato da Tattoo World, em 2022, venceu a mesma categoria no Araucária Tattoo Festival, em 2024, e posteriormente passou a ser convidado para avaliar trabalhos de outros profissionais como jurado no PG Tattoo Fest e no Santos Tattoo Festival.
Para ele, continuar procurando outros artistas mesmo depois de conquistar premiações e assumir o papel de avaliador não representa falta de domínio. “Às vezes, uma conversa com alguém que executa o mesmo estilo de outra maneira faz o tatuador perceber possibilidades que não encontraria sozinho. O objetivo não é copiar uma técnica, mas ampliar repertório e entender como resolver melhor determinadas situações”, diz.
A mesma lógica aparece em eventos internacionais. Nos Estados Unidos, o Summit Invitational, programado para outubro de 2026, no Colorado, reserva dois dias exclusivamente para seminários profissionais antes da abertura da convenção. A programação é destinada tanto a artistas em desenvolvimento quanto a tatuadores mais experientes interessados em aprofundar técnicas por meio de demonstrações e atividades práticas.
A mudança de aluno para mentor ocorreu para Petruy a partir de 2025, quando passou a receber profissionais interessados em aprofundar conhecimentos de realismo preto e cinza. Entre os primeiros trabalhos de formação estiveram mentorias voltadas a sombras, texturas e construção de peças realistas.
“Quando você precisa explicar uma técnica, é obrigado a entender por que faz cada etapa. Aquilo que antes poderia ser quase automático precisa ser organizado para que outra pessoa compreenda. Ensinar acaba fazendo o próprio profissional revisar o que sabe”, afirma.
A formação permanente também aparece entre as prioridades de entidades profissionais do setor. No relatório de atividades de 2025, a Alliance of Professional Tattooists destacou educação e desenvolvimento profissional entre suas frentes de atuação e informou avanços na atualização de currículos, avaliações de competências e formatos de treinamento. Para 2026, a organização prevê ampliar cursos, certificações e atividades de atualização.
Para Felipe, passar a ensinar não encerrou a etapa de aprendizado que começou no início da carreira. “O tatuador pode construir uma identidade própria, receber reconhecimento e ter anos de trabalho, mas sempre haverá algo para observar, testar e aperfeiçoar. O conhecimento não diminui a personalidade artística. Ele dá mais recursos para que ela apareça”, conclui.
Sobre Felipe Luiz Petruy
Felipe Luiz Petruy é tatuador, empresário e mentor, especialista em realismo preto e cinza e retratismo. Atua profissionalmente desde 2019 e acumula especializações, premiações e participação em convenções do setor. Foi segundo colocado na categoria Retrato da Tattoo World, em 2022, e venceu a categoria Retrato do Araucária Tattoo Festival, em 2024. Também foi escolhido por votação popular como melhor tatuador de Araucária em duas oportunidades e convidado a atuar como jurado no PG Tattoo Fest e no Santos Tattoo Festival. Ao longo da carreira, realizou trabalhos para artistas como MC Drika, Salvador da Rima, MC Pedrinho e MC Vitão do Savoy e atualmente ministra mentorias voltadas ao aperfeiçoamento de outros tatuadores.
Para mais informações, acesse o Instagram.
Sobre o Studio Felipe Petruy
Fundado em 2020, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), o Studio Felipe Petruy é especializado em tatuagens de realismo preto e cinza e retratismo. Com o crescimento da procura por atendimentos e mentorias, o espaço ampliou sua estrutura em 2023. Além de projetos personalizados, recebe profissionais interessados em aperfeiçoamento técnico nas áreas de realismo, sombras, texturas e retratos.
Para mais informações, acesse o Instagram.





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