Projeto convida público a se integrar a um trabalho de recuperação da história do edifício do MAB

Um edifício com muita história pra contar. Essa poderia ser uma apresentação sucinta do MAB – Museu de Arte de Brasília, uma construção que, ao longo de 60 anos de vida, já foi restaurante, bar, boate, clube, casa de samba e, desde 1985, museu de arte. O local nasceu nos primeiros tempos da construção da capital brasileira, passou por vários períodos de abandono e atualmente está em reforma, com término previsto ainda para 2020. Toda essa história, com detalhes de personagens, acontecimentos e curiosidades está sendo levantada pela pesquisadora em patrimônio Maíra Oliveira Guimarães. Através do projeto ANTES ARTE DO QUE TARDE – O MUSEU DE ARTE DE BRASÍLIA DESDE O ANEXO DO BRASÍLIA PALACE HOTEL, ela tem recuperado a trajetória desse local tão precioso para a cultura de Brasília. Agora, Maíra faz um convite aos brasilienses para que se integrem a este esforço de lançar luz ao esquecimento. A partir do mês de abril, ela estará recebendo, digitalmente, material sobre a história do local. O resultado será publicado em obra a ser lançada em 2020 e com exemplares doados a seis bibliotecas públicas do DF.
A ideia de Maíra Oliveira Guimarães é que as pessoas se sintam estimuladas a dar depoimentos, enviar fotografias, relatar curiosidades que permanecem desconhecidas. As lacunas desta história ainda são muitas. Por exemplo, só recentemente é que a autoria do projeto do edifício foi reconhecida como sendo do alagoano Abel Carnaúba Accioly, arquiteto da Novacap durante a construção de Brasília e assistente pessoal de Oscar Niemeyer nos anos sessenta. Maíra chegou a viajar para Olinda para entrevistar Abel, hoje com 85 anos de idade.
No começo de sua pesquisa, Maíra Guimarães trabalhou na revisão bibliográfica e na coleta de documentos junto aos principais acervos. Foram pesquisados arquivos de órgãos como a Secretaria de Cultura do GDF, o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, o Arquivo Público do DF, o próprio MAB e o Museu Nacional da República Honestino Guimarães. Em seguida, a doutoranda fez entrevistas com ex-administradores do MAB, como a gravurista Leda Watson e os artistas e curadores Bené Fonteles e Ralph Gehre. Agora, ela quer a participação de quem nunca teve oportunidade ou desejou contar sua parte da história para ajudar na coleta de dados e registros iconográficos, em especial com fotografias e flyers, por exemplo, de exposições e demais eventos realizados no prédio.
As redes sociais do projeto divulgarão semanalmente curiosidades e fotos históricas já coletadas e pedirão ao público o envio digital de registros que o brasiliense possa ter em casa. Será lançada uma campanha para cada uso diferente que o edifício já teve: Restaurante do Anexo do Brasília Palace Hotel (1960-1962), Clube das Forças Armadas (1966-1973), Casarão do Samba (1974-1980) e Museu de Arte de Brasília (a partir de 1985). No caso da campanha sobre o Clube das Forças Armadas, por exemplo, será lançada uma "Caça às debutantes". Espera-se que as meninas, hoje com cerca de 70 anos de idade, contribuam com fotografias tiradas no edifício durante os muitos bailes organizados na década de 60 e 70.
A campanha para adesão dos brasilienses será divulgada através dos perfis do projeto no Instagram (@mab.antesartedoquetarde) e na fanpage do facebook "MAB/antes arte do que tarde". Os materiais coletados poderão ser encaminhados para o email: mab.antesartedoquetarde@gmail.com.
O projeto ANTES ARTE DO QUE TARDE foi aprovado na linha de apoio à Pesquisa, Inventário e Publicação, do edital FAC 2017, o Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Distrito Federal. Até o final do ano será lançada a publicação "Antes arte do que tarde: o Museu de Arte de Brasília desde o Anexo do Brasília Palace Hotel", contendo a cronologia ilustrada dos usos e eventos abrigados pelo prédio, além dos projetos e alterações físicas executadas desde a sua concepção na década de 1960 até a reforma que está em andamento. Por fazer parte de um projeto de doutorado na FAU/UnB, o estudo seguirá por mais dois anos, tendo como conclusão uma segunda edição – ampliada – da publicação.
PROJETO ANTES ARTE DO QUE TARDE
Data: de 10 de abril a 29 de maio de 2020
Campanha: através do instagram (@mab.antesartedoquetarde) e na fanpage do projeto no facebook: "MAB / antes arte do que tarde"
Envio de material e contato: mab.antesartedoquetarde@gmail.com





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