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‘Príncipe do Gueto’: Espetáculo de Roni Sousa destaca os sonhos e anseios de um jovem da periferia do DF, a partir de 11 de maio

  • 7 de mai.
  • 4 min de leitura

Existe uma Brasília dentro de Brasília, que nunca aparece nos cartões-postais. E é desse lugar que vem "Príncipe do Gueto", espetáculo teatral com texto, idealização e atuação de Roni Sousa e direção de Humberto Pedrancini, que estreia nos dias 11, 12 e 13 de maio, com sessões gratuitas para moradores de Sobradinho II no Centro de Ensino Médio 04 (CEM 04). Depois, a peça segue para mais um fim de semana na Casa dos 4, na Asa Norte, dias 15 e 16 de maio, sexta e sábado, às 20h; e 17 de maio, domingo, às 19h; com ingressos a R$40 (inteira) e R$20 (meia-entrada). 


Estruturado em três atos, "Príncipe do Gueto" traz a periferia para o centro do debate e é livremente inspirado nas vivências de Roni Sousa, filho de pais migrantes nordestinos, nascido e criado na Vila Rabelo, comunidade de Sobradinho II. O espetáculo acompanha a trajetória de Príncipe e a repetição de ciclos de violência, desejo e sobrevivência ao longo da sua vida. Entre o sertão e a cidade, entre o trabalho duro e a promessa de ascensão, a peça constrói uma narrativa marcada pela tensão entre expectativa e realidade. Príncipe quer crescer diante de um mundo que insiste em diminuí-lo.


Em cena, projeções gravadas no próprio bairro com jovens da região, ajudam a contar a história. "O espetáculo é uma espécie de tragédia contemporânea. Ainda existem muitos Querôs, muitos Pixotes, muitos meninos como o Príncipe. A roda continua a mesma! E talvez o teatro sirva justamente para fazer com que a gente não consiga mais fingir que não está vendo. O teatro tem essa capacidade de trazer para o centro aquilo que muitas vezes fica escondido, silenciado. No caso do "Príncipe", o que a gente expõe é justamente isso: não basta sonhar. A vida não parte do mesmo lugar para todo mundo", diz Roni Sousa.


Para produzir os vídeos do espetáculo, Roni realizou oficinas de teatro e cinema com jovens da Vila Rabelo, aproximando a linguagem do audiovisual e do teatro de suas vidas. No percurso, revisitou sua própria infância e adolescência. Também por isso, o desejo de estrear o espetáculo em uma escola da região, em sessões gratuitas para os moradores.


O meu desejo não é provocar pena ou compaixão. Eu quero afirmar a potência. Quero que vejam nos palcos a força que existe nesses corpos, nessas histórias. "Príncipe do Gueto" não pede piedade, ele pede reconhecimento e verdade. Que essas crianças e jovens sejam vistos como sujeitos de sonho. Porque sonhar não deveria ser um privilégio, deveria ser um direito básico”, afirma Roni.


Apesar do tom de afirmação, o espetáculo busca trazer uma reflexão coletiva sobre pertencimento, violência estrutural e as formas como a sociedade produz - e abandona - seus próprios príncipes, mas de maneira leve e acessível:


Esse projeto é atravessado por um senso profundo de responsabilidade e ética. Sei o peso do que estamos colocando em cena. Muitos desses garotos, por exemplo, pouco conhecem o Plano Piloto. Eu mesmo só fui conhecer aos 15 anos, quando comecei a trabalhar lá. Mas o meu desejo não é provocar pena ou compaixão. Quero afirmar a potência. Quero que vejam a força que existe nesses corpos, nessas histórias. "Príncipe do Gueto" não pede piedade, ele pede reconhecimento e verdade”, completa.


Em 2024, Roni Sousa assinou a direção do espetáculo “Outro Lear”, estrelado por Humberto Pedrancini, seu grande amigo, e um dos pioneiros do teatro em Brasília. Agora, é Pedrancini que, aos 76 anos, assume a direção e comanda as engrenagens de “Príncipe do Gueto”.

É um espetáculo que traz um lugar de exposição profunda, quase um desnudar da alma. E sem a condução dele, eu não sei se teria chegado até aqui com essa coragem. Pedrancini é extremamente atento, me conhece como ator e como pessoa, e isso cria uma confiança muito grande. A gente tem uma relação de muita sintonia. É curioso porque, em outro momento, eu o dirigi em cena como um rei - e agora ele me dirige como um príncipe. Tem algo de circular nisso, que também conversa com o próprio tema do espetáculo”, conclui.


Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do DF – FAC, com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.


SINOPSE: Príncipe cresceu na periferia de Brasília carregando duas heranças: a força de um pai migrante nordestino que veio ao Centro-Oeste em busca de uma vida melhor, e o peso de um mundo que já decidiu, antes mesmo que ele fale, quem ele pode ser. Entre o trabalho precoce, as violências que se acumulam em silêncio e o desejo irrefreável de nomear a si, ele tenta abrir um caminho que o sistema insiste em fechar. Estruturado em três atos, "Príncipe do Gueto" percorre essa trajetória com linguagem direta e imagética, transitando entre realismo e fabulação. 


FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia, idealização e atuação: Roni Sousa

Direção Teatral: Humberto Pedrancini

Assistência de Direção: Vanessa Di Farias

Elenco: Roni Sousa, com participações especiais de Kamila Rodriguéz, Vanessa Di Farias, Sandra Regina, Alex Bernardo, Pedro Vieira, Iury Vieira, David Gonçalves, Wellington Ferreira e Luísa Hargreaves

Cenografia: Marcos Tibery  

Figurino: Luazi Luego  

Iluminação: James

Sonoplastia e Videomapping: Diogo Vanelli  

Fotografia: Thais Malon  

Registro Audiovisual: Rodrigo Resende Coutinho

Tradução em Libras: Ana Paula Pereira

Produção Executiva: Da Margem – Território Criativo e Bárbara Reis

Coordenação Administrativa: Desvio Produções Culturais

Assessoria de Imprensa: Prisma Colab 

Design Gráfico: Maikon Nery

Tradução em Libras: Bárbara Querubina

Audiodescrição: Jane Menezes 

Fomento: Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC)

Apoios: CEM 04 de Sobradinho II, CEF 08 de Sobradinho II, Escola Parque 308 Sul, ArteOK, Casa dos 4

Realização: Da Margem – Território Criativo


SERVIÇO:

Príncipe do Gueto

60 minutos. 12 anos. Grátis.


Horários e locais:Centro de Ensino Médio 04 (CEM 04), Sobradinho II, DFDatas: 11, 12 e 13 de maio - sessões de manhã e à tarde

Gratuito.

Casa dos 4 - SHCGN 708, Bloco F, Loja 1, Brasília/DFDatas e horários: 15 e 16 de maio, sexta e sábado, às 20h; e 17 de maio, domingo, às 19hValores: R$40 (inteira) e R$20 (meia-entrada)


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