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Queimaduras: celebrações juninas acendem alerta para cuidados com acidentes

  • há 2 horas
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A campanha Junho Laranja acende o alerta para os cuidados com atividades que possam queimar o corpo. Nessa época do ano, como adverte o Ministério da Saúde, as festividades juninas favorecem a incidência de acidentes, devido a fogos de artifício, fogueiras e o manuseio de bebidas quentes, como explica o Dr. José Adorno, cirurgião plástico e coordenador do Serviço de Queimaduras e Cirurgia Plástica  do Hospital Santa Lúcia Sul, e representante interinstitucional nacional da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ).


"A partir do mês de maio, se estendendo por vezes até setembro, tem uma série de situações propícias. Além das relacionadas ao clima seco e frio associa-se  ao período de férias escolares; tem as festas juninas, com a prática de pular fogueira e brincar com o fogo e explosivos de maneira descuidada. Nos estados onde essas festas são muito tradicionais, há um expressivo aumento de pessoas que se queimam nessa época”, observa o especialista, referência nacional no assunto.


Anualmente, cerca de 180 mil pessoas morrem por queimaduras no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, estima-se cerca de 70 mil internações anuais na rede pública decorrentes de acidentes com queimaduras, segundo a SBQ.


No caso dos fogos de artifícios, além de queimaduras, os acidentes podem gerar traumas por explosivos. “Há uma legislação cada vez maior na venda desses fogos, mas ainda insuficiente para evitar este tipo de acidente”, acrescenta o médico. Ele alerta que acidentes com fogos de artifício podem resultar em amputações de mãos, lesões graves de membros superiores, traumas de face e comprometimentos oculares severos.

Mitos e erros nos primeiros socorros


A queimadura, como enfatiza o Dr. José Adorno, é um trauma agudo cuja evolução depende diretamente do atendimento inicial correto, permitindo o resfriamento térmico imediato e a estabilização do paciente. Diante de um acidente, erros nos primeiros socorros podem agravar a lesão ou até mesmo o quadro clínico do paciente. O uso de substâncias caseiras inadequadas é um dos mais frequentes e prejudiciais.


"Nunca se deve aplicar pasta de dente, manteiga, óleo, pó de café, clara de ovo ou qualquer substância caseira sobre a queimadura. Também não se deve romper bolhas ou manusear as feridas sem cuidado asséptico. O recomendado é resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 20 minutos, proteger a região com um pano limpo ou curativo estéril e procurar atendimento médico, principalmente em queimaduras extensas, profundas ou localizadas em áreas sensíveis como face, mãos, pés e genitais”, adverte o enfermeiro Antonio Barros de Oliveira, coordenador do Centro Cirúrgico do Hospital Santa Lúcia Sul


Prevenção de infecções


Em casos de queimaduras extensas, a evolução clínica é ameaçada pelo risco de infecções. A perda da barreira cutânea expõe o organismo a uma resposta inflamatória massiva, tornando o controle microbiológico o maior desafio do tratamento. "O queimado naturalmente infecta pela própria ferida. Lidar com eles é prevenir a infecção a partir do momento em que se queima. O curativo deve ser adequado, o ambiente tem que ser esterilizado para lidar com a ferida e a equipe precisa estar com a paramentação correta e para uma manipulação cuidadosa", detalha.


O enfermeiro Antonio Barros explica que a rotina assistencial exige, além da identificação da extensão e profundidade das queimaduras, a aplicação de coberturas específicas, trocas de curativos, verificação dos sinais vitais, avaliação das vias aéreas e da circulação. “O procedimento inclui limpeza adequada e remoção de tecidos desvitalizados, quando necessário. Durante todo o processo, é importante monitorar sinais de infecção, evolução da cicatrização e controle da dor do paciente, considerada uma das mais intensas da prática clínica”, acrescenta.


Reabilitação multidisciplinar


Além do trauma físico inicial, sobreviventes de queimaduras podem enfrentar impactos sociais, fisiológicos e emocionais profundos que comprometem a capacidade produtiva e o desenvolvimento psicoafetivo. O tratamento de grandes queimados, por exemplo, exige uma abordagem multidisciplinar


Para minimizar as sequelas estéticas e funcionais que acompanham as vítimas por toda a vida, o Serviço  de Queimaduras e Cirurgia Plástica do Hospital Santa Lúcia Sul adota técnicas cirúrgicas modernas e suporte avançado de bioengenharia tecidual. O Dr. José Adorno aponta que o tratamento atual envolve a incorporação de enxertos biológicos, pele alógena de banco de tecidos, membrana amniótica e curativos especiais de última geração, além de terapias como a câmara hiperbárica e dietas nutricionais específicas de alta performance cicatricial.


Atenção especial aos pequenos


Quando se trata de crianças e adolescentes, a atenção deve ser ainda maior, já que, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, representam entre 30% e 50% das vítimas de queimaduras graves no país, a quarta causa de morte por acidentes nessa faixa etária no Brasil. A gravidade é justificada por características anatômicas e pela ausência de maturidade para autoproteção.


"As crianças possuem maior risco de sequelas após queimaduras graves. Primeiro, porque têm uma exposição maior aos agentes de queimadura. O corpo é menor e a pele da criança é fina, a derme tem menos resistência, então se queima mais fácil”, alerta o Dr. Adorno. Por conta dessas particularidades, os cuidados voltados ao público infantil exigem uma conduta diferenciada, com atenção tanto para os aspectos fisiológicos quanto para o suporte psicossocial.


Oxigenoterapia hiperbárica


Quando indicada, a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) pode representar um importante recurso complementar no tratamento de queimaduras, contribuindo para melhores resultados clínicos, recuperação mais rápida e redução de sequelas. Por meio do tratamento, o paciente respira oxigênio a 100% em uma câmara pressurizada, sob supervisão de uma equipe especializada. Isso possibilita um aumento significativo da quantidade de oxigênio dissolvido no sangue e nos tecidos, favorecendo processos de cicatrização, combate a infecções e recuperação de áreas com comprometimento vascular.


No Hospital Santa Lúcia, a terapia é utilizada em diversas condições clínicas reconhecidas pelas sociedades médicas e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), incluindo queimaduras graves, feridas complexas, pé diabético, lesões por radiação, osteomielite, enxertos e retalhos com risco de perda, infecções necrosantes, síndrome compartimental, intoxicação por monóxido de carbono e outras situações em que a oxigenação tecidual desempenha papel fundamental na recuperação do paciente.

Nos casos de queimaduras, a oxigenoterapia hiperbárica pode contribuir para a redução do edema, melhora da perfusão dos tecidos, diminuição do processo inflamatório e aceleração da cicatrização, auxiliando na preservação de áreas lesionadas e reduzindo complicações. O Hospital Santa Lúcia é uma das principais referências em medicina de alta complexidade do Centro-Oeste brasileiro e é o único hospital privado do DF que consolidou uma linha de tratamento de queimaduras com um arsenal completo de terapias e equipe especializada.

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