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Reta final do BBB 26 revela o tipo de participante que conquista o público brasileiro

  • há 5 horas
  • 4 min de leitura

A poucos dias da grande final do BBB 26, marcada para 21 de abril, a disputa pelo prêmio de mais de 5 milhões de reais entra em sua fase decisiva. Após a eliminação de Chaiany no último domingo, com 61,07% dos votos, o reality chega ao Top 8 com Ana Paula Renault, Gabriela, Juliano Floss, Leandro Boneco, Marciele, Milena, Samira e Jordana ainda na corrida pelo maior prêmio da história do programa.

Para o especialista em comunicação intencional Cristian Magalhães, o perfil dos sobreviventes revela muito mais do que as estratégias individuais dentro da casa, ele reflete diretamente o que o público brasileiro busca em um reality show.

Segundo o especialista, a reta final desta edição confirma a força de um arquétipo que se repete no BBB. O participante direto, emocional e pouco tolerante com injustiças. Nesse cenário, Ana Paula Renault aparece como a figura central do jogo. Veterana do BBB 16, a jornalista construiu sua trajetória atual a partir de embates diretos, posicionamentos fortes e da narrativa de “ela contra todos”, fórmula que historicamente mobiliza o público.

Para Cristian Magalhães, no entanto, a presença dominante de um favorito também traz riscos para a dinâmica do programa. “Quando o jogo gira em torno de uma única figura, o público deixa de assistir para descobrir o que vai acontecer e passa a assistir apenas para confirmar aquilo que já imagina. Ser favorito cedo demais pode ser tanto um atalho para o prêmio quanto o início de uma queda. O risco é a previsibilidade e, com ela, a perda de interesse”, afirma.

Ao lado de Ana Paula, Samira e Gabriela ajudam a compor o perfil predominante entre os finalistas. Samira, mesmo acumulando desgaste nas últimas semanas e enfrentando paredões difíceis, conseguiu permanecer no jogo. Para o especialista, isso revela um traço importante do comportamento do público brasileiro. “Samira é um caso fascinante de análise comportamental. Ela errou, foi chamada de falsa e incoerente, mas continuou no jogo. Isso mostra que o público brasileiro perdoa o erro quando percebe ali uma pessoa real, e não uma personagem ensaiada. No BBB, a perfeição costuma ser sentença de eliminação. A imperfeição, quando autêntica, mantém o participante vivo na disputa”, analisa.

Gabriela, por sua vez, representa o perfil mais jovem e estratégico, que soube se articular sem se queimar completamente com nenhum lado. "Gabriela joga como quem entende que o BBB é um jogo de alianças, não de tapas. O fato de ela estar na final mostra que o público já não condena o jogador calculista como condenava dez anos atrás. Há uma maturidade nova no espectador", diz.

O outro grupo forte entre os finalistas é o das jogadoras emocionais, representado por Marciele e Jordana. Marciele chegou a estar no paredão com Chaiany e Juliano e sobreviveu, o que indica que tem torcida fiel. Jordana, que venceu a Prova do Anjo na última sexta-feira garantindo autoimunidade e vaga no Top 8, também se destaca por uma trajetória marcada por altos e baixos emocionais. "Marciele e Jordana representam o que eu chamo de 'comunicação visceral'", analisa Cristian Magalhães. "Elas não calculam o que vão dizer. Elas sentem e falam. E o público ama isso porque é raro na vida real. No mundo lá fora, somos treinados para calibrar cada palavra. No BBB, o público quer ver o que acontece quando essa calibração falha. É nesse momento de falha que a torcida se define. A emoção, no Brasil, ainda vence a razão."

Juliano Floss aparece como outro perfil recorrente do reality, considerado o competidor resiliente. Ele venceu sua primeira Prova do Líder no último domingo, logo após a eliminação de Chaiany, e indicou Jordana ao paredão que agora disputa com Marciele e Samira. “Juliano é o jogador que não necessariamente protagoniza, mas resiste. Em um jogo marcado por egos fortes, ele demonstra fome de vitória. Não é o participante mais amado, mas também não é o mais odiado e, no BBB, muitas vezes não ser odiado é o caminho mais curto para a final”, complementa.

Já Leandro Boneco representa um tipo de jogador bastante conhecido pelos fãs do programa e é aquele participante que atravessa o jogo sem grandes conflitos ou protagonismo. “Leandro é o clássico ‘figurante de luxo’. Chega longe porque não se envolve em grandes embates e acaba não sendo alvo prioritário da casa ou do público. Mas, historicamente o BBB raramente premia esse perfil. Falta a ele o elemento que move o reality, que é a identidade narrativa”, diz o especialista.

Milena, por outro lado, ocupa um espaço diferente na dinâmica da casa. Aliada próxima de Ana Paula Renault, ela esteve envolvida em diversos conflitos ao longo da temporada e ajudou a sustentar parte da tensão dramática do programa. Para Cristian Magalhães, esse tipo de participante exerce um papel fundamental no reality. “Milena representa o perfil do aliado combativo. Ela não necessariamente é o centro da narrativa, mas alimenta os conflitos que mantêm o jogo vivo. O público gosta de assistir a essas figuras porque elas ajudam a sustentar o drama do reality. O BBB é, antes de tudo, uma história em construção, e personagens que geram tensão são essenciais para que essa história continue interessante”, analisa.

A eliminação de Chaiany, no último domingo, também ajuda a explicar os limites do que o público está disposto a tolerar. A participante perdeu mais de duzentos mil seguidores no Instagram após uma decisão equivocada durante o Sincerão, quando retirou aliadas de sua lista de prioridades por não compreender corretamente a dinâmica do jogo.

Ao deixar o programa, Chaiany chegou a declarar que temia ter sido cancelada “porque fala muita besteira”. Sua saída ilustra um fenômeno clássico de comunicação no reality. "Chaiany é o grande arquétipo do autossabotador. Ela tinha carisma, tinha torcida, mas se perdeu no próprio jogo. O público não perdoa quem não se entende. Chaiany saiu porque sua comunicação foi confusa, e confusão, no BBB, é pior do que ser vilão. Vilão pelo menos tem narrativa", conclui.


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